Regional

Comerciante de 67 anos é salvo de ataque de abelhas em Pirajuí

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min


Pirajuí ? O ato corajoso de um policial militar de folga, que nas horas vagas tem como hobby a apicultura, evitou que um comerciante de 67 anos, morador de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), morresse em decorrência de um ataque de abelhas africanas. O homem levou cerca de 100 ferroadas nas regiões da cabeça, tórax e mãos, chegou a ficar internado, mas teve alta na tarde de ontem. Levantamento extra-oficial feito pelo Jornal da Cidade indica que ele é a quarta vítima de ataque de abelha em pouco mais de dois meses na região.

O caso foi registrado no final da tarde de anteontem, por volta das 17h, na chácara onde Elízio Alves Rodrigues mora com rua família, na rua Abel de Oliveira, vila Abel, zona urbana de Pirajuí. De acordo com relato de familiares do comerciante à Polícia Militar (PM), ele estava trabalhando na propriedade com um trator quando esbarrou com o veículo em uma colmeia de abelhas da espécie africana e começou a ser atacado por elas.

O homem saiu correndo para tentar se livrar dos insetos e pulou em uma piscina, onde tentou se cobrir com uma lona de cor amarela. As abelhas, porém, continuaram a atacá-lo, o que fez com que ele tentasse proteger a cabeça com um saco plástico. Desesperados, familiares da vítima acionaram a viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que, ao chegar ao local, não conseguiu resgatar o comerciante em razão do alvoroço das abelhas ao seu redor.

A PM foi acionada e, diante da dificuldade da ocorrência, policiais em serviço solicitaram apoio do 1º sargento Edson, que estava de folga no horário da ocorrência mas, nas horas vagas, atua como apicultor. O PM foi até o local com uma roupa especial, que garante proteção contra picadas, e conseguiu aproximar-se do homem e retirá-lo da piscina, arrastando-o para longe do enxame.

Os demais policiais militares que estavam no local e a equipe do Samu realizaram os procedimentos de primeiros socorros e conduziram a vítima até a Santa Casa da cidade. Segundo a PM, o comerciante recebeu mais de 100 ferroadas na cabeça, tórax, rosto e mãos e, após ser medicado, teve que ficar internado em observação. Os policiais que atuaram na ocorrência também foram picados, mas sem gravidade. Somente ontem à tarde, já fora de perigo, apesar de ainda bastante abalado, Elízio pôde voltar para casa.

Outras ocorrências


De acordo com a Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) de Botucatu, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, as ocorrências envolvendo ataques de abelhas são mais comuns nesta época do ano, entre a primavera e o verão, quando os insetos saem mais ativamente em busca de alimento.

No município, em 2004, foram registradas 18 reclamações relacionadas a enxames de abelhas, contra 174 notificações em 2009. Em 2010, foram feitos 260 comunicados para a retirada de enxames. Segundo Valdinei Moraes Campanucci da Silva, supervisor de serviços de saúde ambiental e animal da VAS, dependendo da intensidade do ataque, a pessoa pode até morrer.

No dia 19 de novembro de 2010, em Garça, um ataque de abelhas pode ter sido a causa da morte de um homem de 66 anos, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade.

Salvador Batista Machado, 66 anos, foi encontrado por um vizinho, dentro da propriedade rural onde morava, no jardim Morada do Nascente, onde também funciona a Estação de Tratamento de Água e Esgoto, com várias picadas pelo corpo.

Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local, a vítima estava tendo uma parada cardiorrespiratória e, mesmo após todos os procedimentos de ressuscitação, seus sinais vitais não foram retomados.

Ele ainda foi levado ao Pronto-Socorro de Garça, mas não resistiu e acabou morrendo. Além das picadas, a polícia investiga a hipótese de Machado ter falecido em decorrência de problemas cardíacos causados pelo susto do ataque.

No dia 30 de novembro, em Agudos, Adilson Aparecido dos Santos, 32 anos, foi levado ao Pronto-Atendimento da cidade após receber mais de cem picadas de abelhas.

O homem deu entrada no hospital com sinais de insuficiência respiratória. De acordo com o médico que o atendeu, pelo fato de não ser alérgico à picada de abelha, Santos foi medicado e não apresentou complicações mais sérias.

No último dia 3, Luciano Pazzini, 34 anos, que estava internado em uma clínica para recuperação de dependentes químicos na zona rural de Avaré foi encontrado morto dentro de um açude, supostamente com sinais de picadas de abelhas. Segundo a Polícia Civil, somente o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) irá revelar as causas da morte, mas a suspeita é de que ele tenha pulado na água ao tentar fugir do ataque de um enxame.

Embora estivesse vestido com roupas especiais, ao que tudo indica, algumas abelhas teriam conseguido ultrapassar a vestimenta. Com medo de ser picado, o jovem teria pulado no açude e se afogado.

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