Porto Alegre - A presidente Dilma Rousseff endureceu ontem a posição do governo na negociação do novo valor do salário mínimo ao afirmar que a oferta mantida pelo Planalto é de R$ 545,00. As centrais sindicais exigem R$ 580,00. A presidente respondeu ontem pela primeira vez a jornalistas sobre o tema. Segundo ela, "não é correta" a tentativa de colocar na mesa de negociações um possível reajuste na tabela do Imposto de Renda na Fonte."Nós não achamos correto a discussão simultânea da questão da tabela e do salário mínimo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra", disse, repetindo o que já havia dito Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) após reunião com as centrais sindicais. Após a entrevista de Dilma em Porto Alegre, a Força Sindical disse que reagirá ao "jogo-duro" do Planalto. Dilma optou por uma posição de endurecimento depois que integrantes do governo admitiram que o Planalto poderia ceder e chegar a oferecer R$ 550,00 para o mínimo, combinado a um reajuste na tabela do IR. A estratégia do governo era deixar o início das negociações para o Congresso, começando as conversas com o valor de R$ 545,00, mas aceitando elevar para R$ 550,00 desde que o aumento real fosse descontado do que será concedido em 2012. O temor do governo é concordar oficialmente com o valor do mínimo de R$ 550,00 desde já, reduzindo margem para fazer uma eventual concessão política mais à frente aos sindicalistas em votação no Congresso, que precisa aprovar a medida provisória sobre o tema. Agora, Dilma quer, primeiro, centrar as negociações na regra de aumento do mínimo, que prevê o reajuste pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, mais a inflação. Por essa regra, o mínimo em 2011 não teria reajuste real, sendo corrigido apenas pela inflação de 6,46% de 2010 - passaria de R$ 510,00 para R$ 543,00, mas Dilma já decidiu arredondar para R$ 545,00."O que queremos saber é se as centrais querem ou não a manutenção do acordo (feito durante o governo Lula) pelo período do nosso governo. Se querem, o que nós propomos para esse ano é R$ 545,00", disse Dilma ontem. O governo já vem pagando R$ 540,00, valor reajustado no final do governo Lula, porque o valor foi reajustado inicialmente por uma previsão de inflação de 5,88%."Nós temos clareza da importância desse acordo para o País e o povo brasileiro porque, no passado, não se dava sequer a inflação", completou a presidente. Segundo assessores, o governo quer que as centrais cedam nas negociações do mínimo para facilitar discussões com o governo em outras áreas de interesse. Em relação à tabela do IR, Dilma afirmou que o governo não quer definir reajuste que represente uma indexação automática. E fez críticas à ideia de repor perdas da inflação por meio do índice."Jamais damos indexação inflacionária, por isso não concordamos com o que saiu nos jornais que o reajuste, se houvesse, da tabela do IR, fosse feita pela inflação passada", disse ela. Dilma fez questão de afirmar que as negociações com as centrais estão "apenas começando" e que novos encontros entre governo e as centrais irão ocorrer nas próximas semanas. Ela quer deixar a definição do tema para depois do início do ano legislativo, em fevereiro.
Sindicatos prometem reagir
São Paulo - A Força Sindical prometeu ontem reagir à manutenção da proposta de R$ 545,00 como novo valor para o salário mínimo, sinalizada pela presidente Dilma Rousseff - as centrais defendem o valor de R$ 580,00. "Se ela tiver jogando duro, vamos ter que ir para o Congresso, pressionar, fazer manifestações, pôr aposentados no Congresso", disse o presidente da central, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Paulinho ressalta, contudo, que o governo dá provas de estar aberto ao diálogo, pois manteve reunião na próxima quarta-feira e ainda não enviou medida provisória sobre o mínimo ao Congresso. Ontem, na nota "Será que Mantega ?trocou figurinhas? com FHC?", a Força disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou "todo o seu desprezo pelos temas sociais" ao desconsiderar reajuste na tabela do Imposto de Renda. Paulinho assinou um documento que ironiza as férias do "insensato ministro" em Trancoso, região de resorts de luxo na Bahia. "Vale lembrar que o ex-presidente FHC passou as férias recentemente na mesma localidade. Será que ambos não se encontraram e ?trocaram figurinhas? sobre o receituário do arrocho fiscal, da restrição ao crédito e do achatamento dos salários?", disse a nota da Força, que representa cerca de 1.600 sindicatos e 12 milhões de trabalhadores. Anteontem, Mantega atiçou sindicalistas ao negar que a correção da tabela do IR esteja sob estudo. Os salários costumam ser reajustados anualmente pelo INPC, para repor a inflação. Se a tabela não for corrigida, pode acontecer de a pessoa passar para uma faixa de IR maior, apesar de não ter tido aumento real. O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que a central não irá aceitar o valor de R$ 545,00 e que continuará pressionar o governo: "Vamos manter um processo de mobilização e de pressão".
Sindicatos prometem reagir
São Paulo - A Força Sindical prometeu ontem reagir à manutenção da proposta de R$ 545,00 como novo valor para o salário mínimo, sinalizada pela presidente Dilma Rousseff - as centrais defendem o valor de R$ 580,00. "Se ela tiver jogando duro, vamos ter que ir para o Congresso, pressionar, fazer manifestações, pôr aposentados no Congresso", disse o presidente da central, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Paulinho ressalta, contudo, que o governo dá provas de estar aberto ao diálogo, pois manteve reunião na próxima quarta-feira e ainda não enviou medida provisória sobre o mínimo ao Congresso. Ontem, na nota "Será que Mantega ?trocou figurinhas? com FHC?", a Força disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou "todo o seu desprezo pelos temas sociais" ao desconsiderar reajuste na tabela do Imposto de Renda. Paulinho assinou um documento que ironiza as férias do "insensato ministro" em Trancoso, região de resorts de luxo na Bahia. "Vale lembrar que o ex-presidente FHC passou as férias recentemente na mesma localidade. Será que ambos não se encontraram e ?trocaram figurinhas? sobre o receituário do arrocho fiscal, da restrição ao crédito e do achatamento dos salários?", disse a nota da Força, que representa cerca de 1.600 sindicatos e 12 milhões de trabalhadores. Anteontem, Mantega atiçou sindicalistas ao negar que a correção da tabela do IR esteja sob estudo. Os salários costumam ser reajustados anualmente pelo INPC, para repor a inflação. Se a tabela não for corrigida, pode acontecer de a pessoa passar para uma faixa de IR maior, apesar de não ter tido aumento real. O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que a central não irá aceitar o valor de R$ 545,00 e que continuará pressionar o governo: "Vamos manter um processo de mobilização e de pressão".