Cairo - Dezenas de milhares de pessoas participaram das manifestações de ontem, as maiores e mais violentas dos últimos quatro dias. Inspirados na recente rebelião da Tunísia, os egípcios protestam contra o desemprego, a pobreza, a corrupção e a repressão no país. Ao menos cinco manifestantes morreram e cerca de 870 ficaram feridos nos protestos para derrubar o presidente do Egito, Hosni Mubarak, no Cairo. Com as mortes, sobem para ao menos 12 o número de vítimas nos confrontos, que já duram quatro dias. Não ficaram claras as circunstâncias das mortes. De acordo com as fontes médicas, 450 manifestantes estavam sendo atendidos nas ruas, enquanto outros 420 foram hospitalizados. Alguns feridos estão em condição crítica, com ferimentos a bala. Cerca de 1.030 ficaram feridos no Cairo e outros 75 em Suez. Mubarak ampliou ontem o toque de recolher para todo o Egito, cerca de duas horas depois de um primeiro decreto que impunha a medida às cidades do Cairo, Alexandria e Suez. Nas ruas as cenas são de caos e confrontos, em meio a carros e prédios incendiados.Exército
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, mobilizou na ontem soldados e blindados em várias cidades para tentar conter os protestos pelo fim dos seus 30 anos de governo. Ele declarou um toque de recolher durante toda a noite de ontem, mas milhares de pessoas continuaram nas ruas no Cairo, em Alexandria e em Suez, epicentro dos protestos dos últimos quatro dias; alguns manifestantes cercavam os veículos blindados, gritando e agitando bandeiras.Demissão de gabinete
Mubarak, afirmou em discurso à nação no sábado (horário local) que o diálogo, e não a violência, era o caminho para resolver os problemas que provocaram dias de protestos e anunciou que estava demitindo sua equipe de governo. Essa foi a primeira declaração pública de Mubarak depois que manifestantes, que exigem o fim de seu governo de 30 anos, entraram em confronto com a polícia em várias cidades do país."Pedi ao governo para apresentar sua renúncia hoje (sábado)", afirmou ele em discurso transmitido pela televisão estatal, acrescentando que formará um novo governo.Desemprego e inflação
País mais populoso do mundo árabe, o Egito ostenta a segunda maior economia da região, atrás somente da Arábia Saudita. Comparado aos vizinhos, no entanto, seus índices socioeconômicos estão entre os piores. Dos 80 milhões de habitantes, dois terços são jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% estão desempregados. Baseada no turismo, na agricultura e na exportação de petróleo e algodão, a economia não sustenta a rápida taxa de crescimento demográfico, excluindo milhões do mercado de trabalho. Com 40% vivendo com menos de US$ 2 (R$ 3,30) por dia, o país está na 101.ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), atrás de Tunísia (81), Jordânia (82) e Argélia (84). Na lista, o Brasil fica em 73º.
EUA sobem tom de críticas a regime egípcio
Nova York - Os EUA elevaram ontem as suas críticas ao governo egípcio, especialmente em relação ao bloqueio das redes sociais, mas fugiram da questão sobre se ainda apoiam o regime de Hosni Mubarak, tradicional aliado americano na região. Tanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, como o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, evitaram falar sobre a continuidade do governo egípcio. Horas antes, porém, o vice-presidente Joe Biden disse, em entrevista a um canal de TV, que não considera Mubarak, que está no poder há quase 30 anos, um ditador e que, para ele, o egípcio é um aliado americano. O Egito tem importante papel de mediador nas negociações entre Israel e Palestina e também apoiou os EUA na disputa com o Irã. Hillary, que em mais de uma oportunidade nos últimos anos disse que Mubarak é um amigo da sua família, disse ontem que o governo e a população do Egito precisam implementar reformas econômicas, sociais e políticas. As palavras mais duras sobraram para o bloqueio da Internet no país."Nós instamos as autoridades a permitir protestos pacíficos e a reverter as medidas sem precedentes que tomaram cortando as comunicações", disse ela. A secretária criticou o uso de violência pelas forças egípcias contra os manifestantes, dizendo porém que estes "também devem conter a violência e se expressar pacificamente".
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, mobilizou na ontem soldados e blindados em várias cidades para tentar conter os protestos pelo fim dos seus 30 anos de governo. Ele declarou um toque de recolher durante toda a noite de ontem, mas milhares de pessoas continuaram nas ruas no Cairo, em Alexandria e em Suez, epicentro dos protestos dos últimos quatro dias; alguns manifestantes cercavam os veículos blindados, gritando e agitando bandeiras.Demissão de gabinete
Mubarak, afirmou em discurso à nação no sábado (horário local) que o diálogo, e não a violência, era o caminho para resolver os problemas que provocaram dias de protestos e anunciou que estava demitindo sua equipe de governo. Essa foi a primeira declaração pública de Mubarak depois que manifestantes, que exigem o fim de seu governo de 30 anos, entraram em confronto com a polícia em várias cidades do país."Pedi ao governo para apresentar sua renúncia hoje (sábado)", afirmou ele em discurso transmitido pela televisão estatal, acrescentando que formará um novo governo.Desemprego e inflação
País mais populoso do mundo árabe, o Egito ostenta a segunda maior economia da região, atrás somente da Arábia Saudita. Comparado aos vizinhos, no entanto, seus índices socioeconômicos estão entre os piores. Dos 80 milhões de habitantes, dois terços são jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% estão desempregados. Baseada no turismo, na agricultura e na exportação de petróleo e algodão, a economia não sustenta a rápida taxa de crescimento demográfico, excluindo milhões do mercado de trabalho. Com 40% vivendo com menos de US$ 2 (R$ 3,30) por dia, o país está na 101.ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), atrás de Tunísia (81), Jordânia (82) e Argélia (84). Na lista, o Brasil fica em 73º.
EUA sobem tom de críticas a regime egípcio
Nova York - Os EUA elevaram ontem as suas críticas ao governo egípcio, especialmente em relação ao bloqueio das redes sociais, mas fugiram da questão sobre se ainda apoiam o regime de Hosni Mubarak, tradicional aliado americano na região. Tanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, como o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, evitaram falar sobre a continuidade do governo egípcio. Horas antes, porém, o vice-presidente Joe Biden disse, em entrevista a um canal de TV, que não considera Mubarak, que está no poder há quase 30 anos, um ditador e que, para ele, o egípcio é um aliado americano. O Egito tem importante papel de mediador nas negociações entre Israel e Palestina e também apoiou os EUA na disputa com o Irã. Hillary, que em mais de uma oportunidade nos últimos anos disse que Mubarak é um amigo da sua família, disse ontem que o governo e a população do Egito precisam implementar reformas econômicas, sociais e políticas. As palavras mais duras sobraram para o bloqueio da Internet no país."Nós instamos as autoridades a permitir protestos pacíficos e a reverter as medidas sem precedentes que tomaram cortando as comunicações", disse ela. A secretária criticou o uso de violência pelas forças egípcias contra os manifestantes, dizendo porém que estes "também devem conter a violência e se expressar pacificamente".