Todo mês de janeiro tem tragédia no Brasil. Verão que traz chuvas fortes e provoca deslizamentos, enchentes e tantos outros desastres naturais. Inúmeros deles, aliás, poderiam ser evitados com obras e atitudes preventivas que, por um motivo ou outro, não deixam as pranchetas. Só para se ter uma ideia, a defesa civil não possui um mapeamento nacional das áreas de risco sobre o qual especialistas poderiam se debruçar e planejar ações preventivas. A cultura da emergência ainda é a bandeira dos municípios. Em recente entrevista, o assessor do Ministério de Integração Nacional Humberto Vianna reconheceu que a estrutura de defesa civil no País está viciada na cultura da emergência e não na prevenção. A mudança cultural é um dos desafios futuros. Segundo o coordenador regional da defesa civil, major Rogério Gago, compõem a 7a região 39 municípios, mas somente 20% deles tiraram do papel a defesa civil. Segundo ele, a maioria das prefeituras têm ela formalizada, mas na prática, elas não existem. O coordenador de Jaú, Valdir Baltazar, compactua da opinião do regional e diz que de 39 cidades só sete têm defesa civil atuante. Mesmo onde a defesa civil está atuando, sobram problemas, confirmando a tese de que há uma preferência pela emergência em detrimento da prevenção. No mundo são 10 milhões de pessoas afetadas por enchentes e enxurradas anualmente, mesmo assim são poucas as administrações municipais que dedicam parte do orçamento para a defesa civil. Em Jaú, por exemplo, não há verba destinada anualmente. Todas as vezes que se detecta a necessidade, pede verba ao gabinete. A defesa civil de Lins não possui viatura própria. A cada dia, uma secretaria sede uma viatura para atender a coordenadoria. Há casos em que a coordenadora é obrigada a pedir carona para a polícia ou bombeiros. No ano passado, o Brasil gastou em emergências 13 vezes mais do que em prevenção. Dos mais de 5 mil municípios só mil possuem alguma estrutura de defesa civil montada. A profissionalização do setor é uma busca constante, discutida em um seminário nacional no ano passado. Atualmente, a atividade não é reconhecida como profissão. A média de gastos se confirma na região, segundo o coordenador da defesa civil regional da 7a região, major Rogério Gago. Segundo ele, os municípios acreditam que defesa civil tem ação somente no momento da emergência, não na prevenção. Na região, lembrou o major, houve até abalo sísmico, portanto, as prefeituras deveriam ficar alerta para as situações emergenciais. "Os prefeitos acham que nunca vai acontecer nada na cidade que ele administra." Cidades como Campinas e Paulínia servem de exemplo para os demais municípios. Lá, o coordenador de defesa civil é secretário de defesa civil, tal a importância. "Aqui na região ainda temos vários desafios, o principal deles é conscientizar as prefeituras da necessidade de obter o mapeamento das áreas de risco. Só assim é possível agir rapidamente em um desastre natural."
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Todo mês de janeiro tem tragédia no Brasil. Verão que traz chuvas fortes e provoca deslizamentos, enchentes e tantos outros desastres naturais. Inúmeros deles, aliás, poderiam ser evitados com obras e atitudes preventivas que, por um motivo ou outro, não deixam as pranchetas. Só para se ter uma ideia, a defesa civil não possui um mapeamento nacional das áreas de risco sobre o qual especialistas poderiam se debruçar e planejar ações preventivas. A cultura da emergência ainda é a bandeira dos municípios. Em recente entrevista, o assessor do Ministério de Integração Nacional Humberto Vianna reconheceu que a estrutura de defesa civil no País está viciada na cultura da emergência e não na prevenção. A mudança cultural é um dos desafios futuros. Segundo o coordenador regional da defesa civil, major Rogério Gago, compõem a 7a região 39 municípios, mas somente 20% deles tiraram do papel a defesa civil. Segundo ele, a maioria das prefeituras têm ela formalizada, mas na prática, elas não existem. O coordenador de Jaú, Valdir Baltazar, compactua da opinião do regional e diz que de 39 cidades só sete têm defesa civil atuante. Mesmo onde a defesa civil está atuando, sobram problemas, confirmando a tese de que há uma preferência pela emergência em detrimento da prevenção. No mundo são 10 milhões de pessoas afetadas por enchentes e enxurradas anualmente, mesmo assim são poucas as administrações municipais que dedicam parte do orçamento para a defesa civil. Em Jaú, por exemplo, não há verba destinada anualmente. Todas as vezes que se detecta a necessidade, pede verba ao gabinete. A defesa civil de Lins não possui viatura própria. A cada dia, uma secretaria sede uma viatura para atender a coordenadoria. Há casos em que a coordenadora é obrigada a pedir carona para a polícia ou bombeiros. No ano passado, o Brasil gastou em emergências 13 vezes mais do que em prevenção. Dos mais de 5 mil municípios só mil possuem alguma estrutura de defesa civil montada. A profissionalização do setor é uma busca constante, discutida em um seminário nacional no ano passado. Atualmente, a atividade não é reconhecida como profissão. A média de gastos se confirma na região, segundo o coordenador da defesa civil regional da 7a região, major Rogério Gago. Segundo ele, os municípios acreditam que defesa civil tem ação somente no momento da emergência, não na prevenção. Na região, lembrou o major, houve até abalo sísmico, portanto, as prefeituras deveriam ficar alerta para as situações emergenciais. "Os prefeitos acham que nunca vai acontecer nada na cidade que ele administra." Cidades como Campinas e Paulínia servem de exemplo para os demais municípios. Lá, o coordenador de defesa civil é secretário de defesa civil, tal a importância. "Aqui na região ainda temos vários desafios, o principal deles é conscientizar as prefeituras da necessidade de obter o mapeamento das áreas de risco. Só assim é possível agir rapidamente em um desastre natural."