Regional

Em Cabrália defesa civil tem orçamento próprio

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 10 min
A cidade de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) tem 4.362 habitantes e conta com um orçamento anual de R$ 10 mil para a defesa civil que foi montada em 97 e tem o geógrafo Evandro Antonio Cavarsan na linha de frente. A necessidade do município são os incêndios florestais, afinal naquela área há florestas e mata nativa. Os acidentes com cargas de produtos perigosas também fazem parte das prioridades de Cabrália, explica o coordenador chefe de operações. "Quando montamos a defesa civil identificamos as necessidades. Os incêndios florestais e os acidentes com produtos perigosos. Temos uma rodovia estadual que passa dentro do município por onde transitam diariamente inúmeros veículos com essa característica." As enchentes são quase descartadas, graças a topografia inclinada e a ausência de rios na área urbana. "Os desastres naturais como vendavais, chuva de granizo, tempestades que atingem 99% dos municípios brasileiros podem ocorrer aqui também." Trabalhando com as prioridades, a defesa civil de Cabrália Paulista procurou treinamento para agir em caso de incêndio florestal e resgate de acidentes na pista. Com orçamento próprio, o coordenador direciona os cursos. "Eu sou o técnico e conto com empresas parceiras e com um corpo de voluntariado que chega a 25. No voluntariado inclui-se a comissão de servidores nomeada pelo prefeito." No caso de acidente com carga perigosa, o grupo de voluntariado está treinado para identificar o tipo de produto, isolar a área e acionar policiamento e órgãos competentes. "Num caso como esse, os curiosos podem dar mais problemas do que o acidente em si, por isso a importância de se isolar o local. Temos uma equipe específica para o primeiro atendimento. Vários produtos têm manual específico de ações." Em uma emergência, a defesa civil abre mão da comissão e usa profissionais da prefeitura, integrante da comissão da defesa civil. "O engenheiro, o advogado e outros profissionais que forem necessários. As empresas da cidade e da região entram com os equipamentos. Temos um integração bacana com eles." Os incêndios florestais que ocorrem mais na época de seca não comprometem residências, alerta Caversan. "Se ocorrer será na área rural onde não há casas próximas. Temos um plano mapeado para lidar com uma situação dessas." O município possui oito abrigos com capacidade para abrigar 1.800 pessoas. No almoxarifado há ainda 100 colchonetes. "Não temos estoque de cestas básicas. O departamento de assistência social pode providenciar de imediato, caso seja necessário." Recentemente, ele relembra, ocorreram um incêndio em uma loja de material de construção e a água pluvial entrou em uma residência. "Fatos isolados que demonstraram a maneira como a defesa civil age. Não precisou interditar a casa, mas colocamos o morador em situação tranquila. Acionamos a assistente social e providenciamos a cesta básica, porque ele havia perdido a compra mensal." No ano retrasado, o incêndio em uma grande loja de material de construção mobilizou a defesa civil. "Os bombeiros chegaram a vir, mas as empresas da região colocam à disposição do município os caminhões pipas. No nosso plano emergencial eles participam. Contamos com caminhão praticamente 24 horas a nosso dispor." Cursos de formação
Coordenar a defesa civil de um município exige conhecimentos específicos e, portanto, cursos de formação e treinamento. Para isso, Evandro Antonio Cavarsan conta com os parceiros. "Eles sabem que estamos estruturados e por isso investem. Estou fazendo um curso dividido em módulos nos Estados Unidos que trata de todos os tipos de desastres." Em terras americanas, o coordenador acumula conhecimentos. "Cada ano é um módulo. No ano passado foi sobre incêndios, este ano é produtos perigosos. É um centro de referência mundial." Graças aos patrocinadores, Caversan que é um geógrafo, se tornou aluno do Programa Latino Americano de Certificação para Especialistas em Resposta de Emergências da TEEX (Texas Engineering Extension Service); Emergency Services Training Institute no Campus da Texas A & M University - College Station - Texas - USA.
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Projeto piloto no Brasil
O Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (Ciaden) montado no final de 2009 em Cabrália Paulista é um projeto piloto e a primeira base do Brasil que utiliza o sistema de monitoramento de desastres. Fornece informações meteorológicas, quantidade de chuva para determinado município, ventos e até as áreas suscetíveis a incêndio, na época de seca. "O procedimento antecipa a retirada de pessoas da área de risco no sentido de evitar danos maiores. Não tem como evitar um desastre natural, todo município corre esse risco. O nosso trabalho é minimizar o problema evacuando a área ou adotando procedimentos descritos em manuais de segurança," explica o coordenador defesa civil de Cabrália Paulista, Ms. Evandro Antonio Cavarsan. Na região, segundo ele, todos os municípios foram convidados a se cadastrar. "Alguns se interessaram, outros não. Lins é um exemplo de município da região que está recebendo direto as informações. Como eles têm um plano de defesa civil na cidade, fica mais fácil deles agirem."
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Pederneiras tem o maior orçamento destinado à prevenção de catástrofes
Na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) a defesa civil tem orçamento próprio, barco e coletes salva-vidas dentre outros equipamentos. São 23 agentes operacionais, sendo cinco deles exclusivos para o trabalho em emergências. Os servidores, que fazem parte da comissão, carregam os uniformes junto com eles. Se acionados, trocam de roupa e partem para a situação. Há ainda, os clubes de serviço que estão preparados para desencadear campanhas. Todo o trabalho é coordenado por Sílvio Aparecido Bueno, um fiscal do município que se especializou em defesa civil, tem cerca de 16 cursos em seu currículo. Segundo ele, uma obra de rebaixamento de calha do ribeirão Pederneiras resolveu os alagamentos ocorridos até 86. Mas quando a chuva castiga a cidade, a principal avenida, a Brasil, tem problemas. "O problema mais grave ocorre nos declives. São questões pontuais. Os alagamentos da avenida Brasil estão sendo resolvidos com obras." Além das chuvas outro risco do município é quanto aos acidentes com produtos perigosos. "Fizemos um treinamento na última semana para nos preparar para enchentes, caso aconteçam. A SP-225 (Bauru/Jaú), passa próximo à cidade e tem uma movimentação grande desse tipo de veículo. O básico são questões envolvendo a rodovia e ferrovia, onde foi registrado recentemente um acidente." Para enfrentar as fortes chuvas e os acidentes, a defesa civil conta com IPIs de aproximação, roupa antichama, capacete, botas, barco e coletes salva-vidas, roupas própria para enchentes e não sofrer as consequencias da água contaminada, gerador, iluminação de emergência, equipamentos de primeiros socorros. "Contamos com os equipamentos dos bombeiros que são nossos parceiros." O orçamento da Defesa Civil de Pederneiras é algo de dar inveja a outros municípios, segundo informou o coordenador. "No ano passado, o município dedicou em torno de R$ 50 mil. Para a cidade que tem 42 mil habitantes há 16 pontos para serem utilizados de abrigo."
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Lins não possui viatura para socorro
Em época de chuva, o celular de Maria Elisa Nascimento Soares não para. A auxiliar administrativa de um hospital está há 14 anos à frente da Defesa Civil da cidade de Lins (102 quilômetros de Bauru). Bastam 20 minutos de chuva forte para um dos três rios que cortam a cidade transbordar e provocar alagamento. São 40 residências em área de risco e o plano emergencial pode ser acionado ao primeiro sinal de que pessoas correm perigo. "Essas pessoas estão acostumadas com a temporada de chuva, todo janeiro é assim. Quando a água começa a subir, elas acionam os bombeiros e a defesa civil. Se precisar de abrigos temos 10 com capacidade para acolher 150 famílias." Mas é na hora da correria que os problemas insistem em aparecer. A Defesa Civil de Lins não tem carro próprio. Muitas vezes a polícia ou os bombeiros dão ?carona? para a coordenadora. "Este ano, uma reunião que definiu as estratégias na operação verão também acertou que a cada dia uma secretaria disponibilizará uma viatura para o trabalho de locomoção da coordenadora. O agendamento é feito na chefia do gabinete do prefeito." A falta de uma viatura complica o trabalho. "Se tiver um incêndio em residência eu tenho que ligar lá para que o motorista pegue a viatura para vir me buscar. Não funciona. Os bombeiros apagam o fogo a defesa civil precisa ser ágil para resolver outras questões, como atendimento das primeiras necessidades. Se der perda total preciso acionar a diretoria de habitação, a assistência social para providenciar alimentos e tantas outras coisas, até abrigo se houver desabrigados. Os recursos humanos e equipamentos são das secretarias, segundo Soares. "Máquinas, tratores e recursos humanos são da prefeitura. Os 500 colchonetes são da secretaria de Esportes, não temos estoque estratégico e nem barracas. " Na lista da situação ideal, a Defesa Civil de Lins também não tem abrigo definitivo, todos os dez são provisórios, igreja, ginásio de esportes e escolas e nem sede própria. "Temos um orçamento anual que, no ano anterior foi de R$ 10 mil, com o qual custeamos as viagens, manutenção, compras de capa de chuva, botas, alimentação e os cursos. O cargo é de confiança do prefeito, porém não remunerado." Em um seminário nacional de Defesa Civil em Brasília, a remuneração do coordenador da defesa civil foi discutida. "É muita responsabilidade, não atuamos só na chuva, somos solicitados para rodeios, campos de futebol e tantos outros. No seminário foram aprovados 101 propostas que estão para serem aprovadas no Congresso."
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Nos últimos dois anos Jaú sofreu com enchentes na área urbana
O rio Jaú fica no perímetro urbano da cidade de mesmo nome. Nos últimos dois anos, ele encheu e mostrou para toda a população que precisa de socorro. Colocou em risco cerca de 20 residências e comprometeu o direito de ir e vir dos moradores. O transbordamento do rio de forma brusca é a principal preocupação da Defesa Civil de Jaú. "A cidade tem declives que facilitam o acúmulo da enxurrada. Algumas obras poderiam amenizar os problemas. A gente faz uma obra prevendo uma precipitação pluviométrica e quando chove acima da média, extrapola," explica o coordenador da Defesa Civil Valdir Baltazar. Outras medidas seriam essenciais para beneficiar o município. "A questão do lixo jogado nos rios, assim como a limpeza das galerias. Se houvesse uma conscientização maior da população, muitas edificações não correriam o risco de desabamento." Apesar de não ter orçamento próprio, a Defesa Civil de Jaú possui a estrutura da prefeitura para casos de necessidade. "Utilizamos as escolas, ginásios de esportes e o espaço da piscina municipal para acolher desabrigados ou desalojados. Temos de 25 a 30 colhões de solteiro e dois de casal, lona plástica para cobrir móveis em caso de destelhamento." O município incentiva os moradores que acolhem parentes ou amigos em situações emergenciais. "A maioria recorre a casas de parentes e amigos. Ajudamos quem recebe um desabrigado, com uma cesta básica. Existe uma revisão na tarifa de água e os laudos para que a pessoa possa entrar com pedido de indenização do IPTU diante dos estragos causados pelas chuvas." Para uma população aproximada de 133 mil habitantes, o corpo de defesa civil é formado pelo coordenador e um grupo de 15 voluntários. Para deslocamentos urbanos, eles possuem uma viatura.

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