Cairo - Em meio à deterioração da crise política no Egito, o ditador Hosni Mubarak nomeou o chefe dos serviços de inteligência, Omar Suleiman, como vice-presidente. Analistas ocidentais indicam que ele pode vir a comandar o país numa eventual renúncia do mandatário, no poder há 30 anos. A situação no país continua tensa. A promessa feita anteontem por Mubarak, de grandes reformas e um novo gabinete, teve efeito contrário do pretendido. Ontem, os egípcios tomaram mais uma vez as ruas, exigindo sua saída. A polícia usou munição real - e não apenas balas de borracha - para impedir a invasão do Ministério do Interior, causando três mortes. O número total de vítimas subiu para pelo menos 38. Há também risco de contaminação regional. Houve confrontos em Rafah, na fronteira com a Faixa de Gaza. Potência militar e econômica regional, o país é influente junto a grupos palestinos ao mesmo tempo em que tem relações com Israel e é aliado dos EUA. No começo da tarde de ontem, pelo menos 50 mil pessoas haviam novamente tomado a Praça Tahir, no Centro do Cairo. Houve também tumulto em Alexandria, Suez e outros centros urbanos. O governo tem tentado bloquear as manifestações, que utilizam redes sociais. A Internet continuava precária ontem, mas os celulares, depois de ficarem toda a sexta-feira fora de serviço, voltaram a funcionar. O início do toque de recolher foi antecipado das 18h para as 16h. Muitos ignoravam a ordem, no entanto. Hoke, dia útil no país, a Bolsa de Valores estará fechada. O acesso a pontos turísticos como as pirâmides foi restrito, e há relatos de que múmias do Museu do Cairo foram danificadas. Por conta das limitações, muitas pessoas estão com dificuldades de encontrar suprimentos e se apressam para criar estoque, inflacionando os preços. "Estou rodando toda a cidade em busca de gasolina e não acho mais. Eles acham que vão nos impedir, mas não vão conseguir??, declarou o empresário Haiderf, que não deu o sobrenome. Além de privar os cidadãos de recurso, o governo tem omitido informações. A agência estatal divulga imagens de ruas vazias ou lugares supostamente queimados pelos manifestantes, além de contar prejuízos. As Forças Armadas tomaram conta dos bairros, mas são impotentes para parar os protestos. Misturando-se à multidão, policiais observam atentamente os líderes de cada grupo e evitam que informações se espalhem. Mesmo com as dificuldades, os egípcios prometem que não vão parar. Os manifestantes, antes apenas estudantes, agora representam todas as idades e classes. Muitos afirmam não considerar mais Mubarak, 82 anos, há 30 anos no poder, o líder do país e prometem manter o protesto até sua queda.
Turbulência aumenta no canal de SuezSuez - Suez, a cidade egípcia que simboliza a ligação entre Ocidente e Oriente, e por onde passa grande parte do petróleo do Golfo Pérsico, amanheceu ontem em chamas. Com vozes já roucas, milhares de manifestantes estavam na rua desde o raiar do dia. A reportagem contou pelo menos dez carros no centro da cidade queimados. As pessoas caminhavam pedindo que o ditador Hosni Mubarak e o filho Gamal, visto como seu herdeiro, saiam do poder. Apesar do clima de destruição, o Exército se mostrava impotente para reprimir os manifestantes. Alguns chegavam a subir em tanques para usá-los como palanque, escrevendo neles palavras de ordem como "o Exército fará a segurança do Egito??. A sede do governo local foi protegida por tanques. Alguns oficiais das Forças Armadas pediam que as demonstrações parassem, mas sem sucesso. Muitas pessoas filmavam e fotografavam os militares e os carros e prédios destruídos. O Exército usava um carro de som para tentar acalmar a população. Um dos manifestantes disse, antes de queimar um posto policial, que a multidão roubou diversas armas. Por todo o lado, a maioria dos que protestavam eram homens, mas havia também mulheres e crianças. As linhas de telefone e a internet, que haviam sido bloqueadas ontem, foram restabelecidas às 11h.Tensão na rua
Suez é uma típica cidade portuária e industrial, a meio caminho entre o Cairo e a península do Sinai. Junto com a capital e Alexandria (norte), virou um dos focos principais da turbulência no Egito. A instabilidade contribuiu para a disparada do preço do petróleo ontem. O barril encostou em US$ 100 pela primeira vez em dois anos, pelo temor de que o canal fosse fechado e os navios vindos do Golfo precisassem dar a volta na África para chegar aos mercados ocidentais. A tensão na rua levava também a discussões. Um homem irritado classificava os manifestantes de baderneiros que ocupavam as ruas para roubar coisas. Outro rebateu, dizendo que o povo tinha necessidades que o governo não atendia. Mas os dois se despediram cordialmente, com a tradicional saudação muçulmana "salaam aleikum?? (a paz esteja convosco). Um dos pontos de concentração das manifestações era o hospital, onde há um número indeterminado de feridos. Em frente ao prédio, um senhor que participou da Guerra de Suez, em 1956, após o Egito ter nacionalizado o canal, era um dos líderes da manifestação. "Mubarak quer que beijemos suas pernas, mas nós vamos esmagá-lo
Turbulência aumenta no canal de SuezSuez - Suez, a cidade egípcia que simboliza a ligação entre Ocidente e Oriente, e por onde passa grande parte do petróleo do Golfo Pérsico, amanheceu ontem em chamas. Com vozes já roucas, milhares de manifestantes estavam na rua desde o raiar do dia. A reportagem contou pelo menos dez carros no centro da cidade queimados. As pessoas caminhavam pedindo que o ditador Hosni Mubarak e o filho Gamal, visto como seu herdeiro, saiam do poder. Apesar do clima de destruição, o Exército se mostrava impotente para reprimir os manifestantes. Alguns chegavam a subir em tanques para usá-los como palanque, escrevendo neles palavras de ordem como "o Exército fará a segurança do Egito??. A sede do governo local foi protegida por tanques. Alguns oficiais das Forças Armadas pediam que as demonstrações parassem, mas sem sucesso. Muitas pessoas filmavam e fotografavam os militares e os carros e prédios destruídos. O Exército usava um carro de som para tentar acalmar a população. Um dos manifestantes disse, antes de queimar um posto policial, que a multidão roubou diversas armas. Por todo o lado, a maioria dos que protestavam eram homens, mas havia também mulheres e crianças. As linhas de telefone e a internet, que haviam sido bloqueadas ontem, foram restabelecidas às 11h.Tensão na rua
Suez é uma típica cidade portuária e industrial, a meio caminho entre o Cairo e a península do Sinai. Junto com a capital e Alexandria (norte), virou um dos focos principais da turbulência no Egito. A instabilidade contribuiu para a disparada do preço do petróleo ontem. O barril encostou em US$ 100 pela primeira vez em dois anos, pelo temor de que o canal fosse fechado e os navios vindos do Golfo precisassem dar a volta na África para chegar aos mercados ocidentais. A tensão na rua levava também a discussões. Um homem irritado classificava os manifestantes de baderneiros que ocupavam as ruas para roubar coisas. Outro rebateu, dizendo que o povo tinha necessidades que o governo não atendia. Mas os dois se despediram cordialmente, com a tradicional saudação muçulmana "salaam aleikum?? (a paz esteja convosco). Um dos pontos de concentração das manifestações era o hospital, onde há um número indeterminado de feridos. Em frente ao prédio, um senhor que participou da Guerra de Suez, em 1956, após o Egito ter nacionalizado o canal, era um dos líderes da manifestação. "Mubarak quer que beijemos suas pernas, mas nós vamos esmagá-lo