Tribuna do Leitor

HOSPITAL DO AMOR - JC NO AMARAL CARVALHO


| Tempo de leitura: 3 min
Caríssimos leitores desta tribuna. Quero dividir neste espaço o processo de sermos diferentes entre os Iguais. Há quase um ano acompanho minha mãe querida em seu processo de recuperação e luta contra um câncer de mama. Recebemos a notícia e imediatamente colocamos toda nossa força e fé no alcance de resultados, à procura da cura. E como sou ator suscetível à emoção, me vi diante de uma grande responsabilidade - a de acompanhar minha mãe todos os dias à cidade de Jaú e lá aguardar por um tempo para que a mesma consiga dar continuidade em suas aplicações de radioterapia, uma vez que as quimioterapias foram concluídas. No Hospital Amaral Carvalho, estou tendo a oportunidade de enxergar a vida com outro prisma, meus conceitos religiosos abastecem meu coração e recarregam minha fé que é Cláusula Pétrea de minha existên
cia.
Mas existe nesta carta a intenção de colocar pequenos gestos como mudança e quebra de grandes paradigmas. Na sala de espera aonde minha mãe aguarda para ser atendida, existe um corredor de cadeiras absolutamente ocupadas sem sobras de espaços entre elas. Nos primeiros dias, sentado ao lado de minha mãe, procurava criar dentro da minha cabeça um processo de comunicação com tantos outros pacientes que também lutam pelas suas vidas de forma honrosa e presos a esperança de dias melhores. Foi em uma madrugada como esta que decidi levar meu JC para passar meu tempo e acompanhar as notícias de minha cidade e por assim dizer notícias do meu País. Ao abrir a primeira página, notei o interesse do senhor do meu lado que trata de seu câncer de próstata em espiar como andava seu time na página de esportes. Então não hesitei e imediatamente vi naqueles olhinhos cansados a alegria de ler o que lhe interessava naquele momento. Não muito distante, uma outra senhora que acompanhava seu marido se interessou pela página da cultura, foi em busca de seu horóscopo e ficou com a página que lhe interessava. As horas foram passando mais rapidamente e, como num passe de mágica, percebia no rosto da mamãe um sorriso e aos meus ouvidos veio a seguinte frase: - parece que por algumas horas deixamos de estar em um hospital e passamos a voltar nas salas de nossas casas acompanhando todos juntos as notícias deste jornal
.
Então percebi que em situações delicadas como as que vive minha mãezinha um pequeno gesto em partilhar notícias minimizava a angústia da espera de pelo menos 25 pessoas. Não satisfeito com este feito, encontrei João Jabbour no Teatro Municipal de Bauru, pois em algumas noites apareço para prestigiar o mestre Paulo Neves, e neste encontro rápido pedi ao mesmo se poderia receber mais jornais para contemplar mais guerreiros naquele hospital do amor. A devolutiva foi imediata e quero agradecer pelo gesto aos amigos do JC Bauru. Gostaria de externar nesta tribuna a importância que damos à família e amigos em momentos como este. Em Bauru, lembro de meu pai amado, minha irmã querida, meu sobrinho e cunhado. Em Iacanga, passo torpedos à minha segunda família, sempre que posso, meus queridos Lúcio, Sueli, Thales, Silvana recebem notícias diárias sobre nós e amigos da Secretaria de Educação e Cultura, vem na minha lembrança, não imaginam como são especiais em minha vida, sinto saudades do meu prefeito e amigo Boiani, dr. Moacir, do meu amigo Milão e Cleuza, saudades das gostosuras da melhor padaria de Iacanga e também das grandes conversas com o jornalista que já foi até correspondente internacional, grande amigo Marquinhos. Saudades da minha terra natal e dos amigos queridos, agradeço a todos pelas orações, principalmente minha melhor amiga Ana Cristina e familiares, que são bálsamos para o meu coração! Deus abençoe a todos! (Huxley Ivens)

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