O ministro Aloizio Mercadante pode fazer dupla com o deputado Tiririca para ver quem é o mais cômico. Indagado sobre a falta de alertas para evitar catástrofes como da região serrana, o nefelibata disse que “nós não fizemos isso em 510 anos”. Ops, isto estava previsto em decreto presidencial desde 2005, ou seja, desde o primeiro mandato de Lula. O uso destas retóricas desmioladas é uma das heranças malditas de Lula. Fica até gozadinho na boca do Tiririca ou do próprio Lula, por razões óbvias. Mas não na boca de quem pertence à (maldita) elite cultural, com acesso às melhores faculdades. Relembre-se que o Brasil estava sendo governado pelo PT há oito anos. Relembre-se que o Rio de Janeiro era curral eleitoral do PT há muito tempo, gerido pelas mãos do casal de “Garotinhos” e Sérgio Cabral. Aliás, as medidas já haviam sido prometidas durante a gestão daquele e do governo federal de Lula. A questão é que, como sempre, entre anúncio de liberação de recursos e a chegada dele no destino há uma distância muito grande. Normalmente, entre uma chuva e outra, o dinheiro perde-se na corrupção endêmica, na incompetência generalizada e no descaso com o que, de fato, seria essencial para sanar o problema. Há lógica para tanta inoperância, afinal, quantos votos poderia render a colocação de radares meteorológicos escondido na Serra? Nenhum! Não dá nem graça para o presidente ir a um lugar tão remoto, pois não terá carreata de petistas presentes!! É mais fácil culpar o tempo inclemente do que as administrações federal e estadual que, de fato, são coniventes com a ocupação desordenada de anos. E, ao contrário do que Mercadante poderia pensar, essa ocupação não vem ocorrendo nos últimos 510 anos... (Ivan Goffi)
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