Uma dupla iniciativa mas com objetivos semelhantes. Foi com esse espírito que tanto o piquenique realizado pela Associação Bauru pela Diversidade (ABD) quanto a panfletagem alusiva ao "Dia Mundial da Não Violência", promovido pela Ticomia/Impacto Eventos, com apoio do Jornal da Cidade e 96 FM, deram exemplo de utilização do espaço público para o lazer e incentivo à paz.
Com aproximadamente 200 participantes, boa parte representante da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), o piquenique no Parque Vitória Régia, destaca o presidente da ABD, Markinhos Souza, visa incentivar o aproveitamento do potencial dos espaços públicos de lazer.
O evento, que ainda teve caráter sustentável (com todo o lixo recolhido pelos participantes para reciclagem cuja renda será revertida para a própria entidade), ganhou um forte aliado na proposta de combater a intolerância e, consequentemente, propagar a paz. "Queremos mostrar para a cidade que é possível conviver harmoniosamente num espaço público, que deve ser melhor aproveitado. É uma judiação ver a concha acústica pichada e sempre que há necessidade de algum evento tem de ser pintada", acrescenta o presidente da associação se referindo ao Vitória Régia.
Érika Beatriz Amorin Souza, relações públicas da empresa organizadora do Dia da Não Violência (celebrado ontem em memória à morte de Mahatma Gandhi, em 1948), destaca a importância da parceria com a ABD. "Nos atenderam prontamente. Quando soubemos do piquenique, achamos ideal unir as duas propostas, pela grande movimentação no mesmo local", justifica a representante da empresa organizadora da campanha que, desde anteontem, expõe painéis com mensagens pacificadoras em frente à sua sede, na rodovia Marechal Rondon, próximo à base da Polícia Rodoviária. "A gente vê violência todo o dia. É importante insistir para colocar a paz na cabeça das pessoas", acredita a estudante Jennifer Stacy, de 17 anos, moradora da Vila Dutra e que aproveitava a tarde para passear no Vitória Régia, onde foi abordada por um dos integrantes da campanha da Ticomia.
E se o assunto é paz, o evento reuniu justamente quem procura por ela. "A cada dois dias um gay morre vítima de intolerância no Brasil", protesta Markinhos, lembrando os recentes ataques sofridos por homossexuais na Capital do Estado, que não é nicho exclusivo de intolerância.
Em Bauru, apesar de não haver registros de casos de violência física ? ao menos oficiais ? há quem se diga vítima de preconceito e agressão verbal. "Eu estava num ônibus e dois caras pularam a catraca. O cobrador se voltou contra mim, me xingou muito. Eu estava quieto, paguei minha passagem. Coisas da vida", resigna-se.
Mobilização
A iniciativa dupla no Parque Vitória Régia também foi oportunidade para outros grupos de mobilização social buscarem adesão. Foi o caso dos militantes do "Resgate Bauru", movimento que colhe assinaturas para mudanças na área de saúde pública, entre elas a estadualização do Hospital de Base e aproveitamento pleno do Pronto-Socorro da Bela Vista.
O abaixo-assinado pode ser preenchido no Calçadão da Batista aos sábados e, na quarta-feira, em frente do ginásio da Luso, antes da partida do Itabom/Bauru.