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Queda de prédio no Pará mata um


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Belém - Um morto e quatro operários desaparecidos, até o momento, é o saldo do desabamento de um prédio em construção de 34 andares, no sábado à tarde, no bairro de São Braz, centro de Belém. O balanço parcial é da Defesa Civil do Pará divulgado no começo da tarde de ontem. O corpo de Maria Raimunda Fonseca dos Santos, de 67 anos, que morava em uma casa soterrada pelos escombros ao lado da construção, foi localizado pelos bombeiros às 4h10 da madrugada. O major Augusto Lima, responsável pelas equipes de buscas, informou que apenas Raimunda e um pedreiro estavam na casa na hora do desabamento."O pedreiro correu para o quintal e conseguiu se salvar, mas ela foi para frente da casa, local onde caíram os escombros", relatou Lima. O corpo de Raimunda estava embaixo dos destroços na frente da residência. Os operários Luiz Nazareno Lopes e Isaías Marques, inicialmente incluídos na lista de desaparecidos, foram localizados em suas residências. Eles disseram que haviam saído da obra minutos antes da queda do edifício. A técnica em enfermagem Marluce Castro Bacelar, que também aparecia na lista de desaparecidos, ligou para a Defesa Civil e disse que se encontrava em sua residência no momento do acidente. Um prédio vizinho de 16 andares teve dois pilares atingidos durante a queda e foi evacuado pela Defesa Civil. Um dos pilares foi escorado pelos bombeiros e segundo técnicos não corre risco de desabamento. Os ocupantes dos apartamentos receberam autorização para retirar seus pertences, mas estão impedidos de retornar ao local até que um laudo seja feito sobre as condições do prédio. Moradores de casas próximas também estão na mesma situação. Muitos tiveram que ir para residências de parentes em outros bairros da cidade. Um levantamento parcial aponta para 21 pessoas desabrigadas na tragédia. Elas foram encaminhadas a hotéis. Ainda não há informações completas sobre o número de desalojados. O major Lima explicou que todas as casas e apartamentos da Travessa 3 de Maio, entre as avenidas Governador José Malcher e Magalhães Barata já foram percorridas, mas o maior problema para identificar os moradores é que várias residências estão fechadas. A maioria, apavorada, saiu às pressas do local e ainda não retornou. As causas do desabamento ainda não estão claras. Somente depois da remoção dos escombros e localização das vítimas é que a perícia começará a fazer seu trabalho. A hipótese mais admitida por engenheiros civis é de fragilidade das fundações para suportar um prédio de 34 andares. O engenheiro Raimundo Lobato da Silva, responsável pelo cálculo estrutural do prédio, admite a possibilidade de "falha geológica". Essa falha teria causado danos no estacamento, que não teria suportado a estrutura do edifício. Segundo Silva, o solo de Belém é problemático. Há locais onde a camada é bem resistente em cima, mas por baixo é menos resistente. As estacas do prédio podem ter sido fincadas nessa camada pouco resistente, não resistiram e ocasionaram a queda do prédio. Mas deixa claro que isso é uma apenas "suposição". "Apenas a perícia poderá dizer o que de fato ocorreu", arremata. O governador Simão Jatene já esteve três vezes no local e disse ter ouvido queixas de moradores sobre problemas que o prédio vinha apresentando antes de cair. Um morador contou a Jatene ter feito várias denúncias ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) e à Delegacia do Trabalho sobre as condições da obra, mas nenhuma providência havia sido tomada. Para Jatene, tudo o que ele ouviu precisa ser apurado e se for verdadeiro terão de ser tomadas providências para definir responsabilidades. O presidente do Crea, José Viana, nega que a entidade tenha recebido qualquer denúncia sobre o prédio. O acidente, para ele, foi um fato "surpreendente". E também preferiu cair no terreno da especulação sobre as causas ao dizer que o desabamento poderia ter sido provocado por "questões geológicas". A responsabilidade pelo edifício, segundo ele, é do engenheiro da obra e não do Crea. E disparou: "o Crea não fiscaliza obras". O proprietário da construtora Real Engenharia SPE, dona do edifício, Carlos Lima Paes, disse que a obra estava toda aprovada e regulamentada. Ele acrescentou que a empresa aguardará o laudo sobre as causas do desabamento e prometeu que todas as vítimas do acidente serão indenizadas. Ao todo, 127 pessoas desalojadas, somando 31 famílias, que estão hospedadas em um hotel.

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