Cairo - As autoridades egípcias ordenaram o retorno das forças policiais às ruas, em todo o país, num esforço para deter a onda de saques e violência em meio aos protestos populares pela mudança de regime político. O presidente Hosni Mubarak ordenou ainda a ampliação do toque de recolher nas cidades do Cairo, Alexandria e Suez, das 15h às 8h (entre as 19h e a meia-noite, em Brasília) em um hora. O toque de recolher anterior (que começava às 16h), no entanto, já era desrespeitado amplamente pela população, que se concentra nas praças e ruas da Capital egípcia exigindo a renúncia de Mubarak, no poder há 30 anos. O líder da oposição e prêmio Nobel da Paz Mohammed El Baradei se reuniu à multidão ontem para reforçar as manifestações pela saída do líder egípcio. "Não podemos voltar atrás no que começamos", disse aos milhares de manifestantes às 18h30 locais (14h30 em Brasília)?, duas horas depois do início do toque de recolher na capital. Mais cedo, ElBaradei disse que o presidente dos EUA, Barack Obama, precisa exigir publicamente a renúncia do ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder. Questionado se o presidente americano deveria ser mais incisivo na crise egípcia, ElBaradei disse estar certo de que Obama vai pedir a renúncia de Mubarak ?hoje ou amanhã", e que não há dúvidas de que este seja o melhor caminho. "Se não aconteceu ainda, deve acontecer hoje ou amanhã. É melhor que ele saia, é melhor que este ditador abandone o Egito e Obama deveria exigir isto publicamente", afirmou.Reunião com militares
Enquanto os protestos no Cairo e Alexandria voltam a se intensificar e milhares tomam as ruas novamente, o ditador egípcio Hosni Mubarak reuniu-se com chefes do Exército para revisar a situação da segurança nacional, informa a TV estatal do Egito. Desde o início dos protestos na última terça-feira, o país já contabiliza ao menos 38 mortos, indica a CNN; agências internacionais, no entanto, sugerem que o número já seja maior e a Reuters menciona ao menos cem vítimas. A Al Jazeera, emissora com base no Qatar, fala em 150 mortos. De acordo com a emissora o ditador e o vice-presidente Omar Suleiman (ex-chefe dos serviços de inteligência) visitaram o Centro de Operações das Forças Armadas e conversaram com o ministro da Defesa, o general Husein Tantawi. Anteontem, o ditador nomeou um vice-presidente pela primeira vez em 30 anos e também um novo premiê, com a missão de formarem um novo governo. Ambos são ligados às Forças Armadas e sua nomeação é interpretada como uma tentativa de Mubarak de ganhar mais apoio dos militares, que chegaram a ser vistos apoiando os manifestantes inclusive levando cartazes nos tanques. Já o centro de imprensa do governo revelou que o novo premiê, Ahmed Shafic, deveria revelar ainda hoje seu novo gabinete de ministros. As fontes não indicaram em que horário será realizado o anúncio, nem forneceram mais detalhes a respeito. Embora o país tenha registrado um início de manhã mais calmo, os protestos logo foram retomados. Na praça Tahrir, no centro do Cairo, ao menos 3 mil manifestantes intensificaram as revoltas, enquanto líderes mundiais aumentam a pressão por mais reformas no regime do ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.
Enquanto os protestos no Cairo e Alexandria voltam a se intensificar e milhares tomam as ruas novamente, o ditador egípcio Hosni Mubarak reuniu-se com chefes do Exército para revisar a situação da segurança nacional, informa a TV estatal do Egito. Desde o início dos protestos na última terça-feira, o país já contabiliza ao menos 38 mortos, indica a CNN; agências internacionais, no entanto, sugerem que o número já seja maior e a Reuters menciona ao menos cem vítimas. A Al Jazeera, emissora com base no Qatar, fala em 150 mortos. De acordo com a emissora o ditador e o vice-presidente Omar Suleiman (ex-chefe dos serviços de inteligência) visitaram o Centro de Operações das Forças Armadas e conversaram com o ministro da Defesa, o general Husein Tantawi. Anteontem, o ditador nomeou um vice-presidente pela primeira vez em 30 anos e também um novo premiê, com a missão de formarem um novo governo. Ambos são ligados às Forças Armadas e sua nomeação é interpretada como uma tentativa de Mubarak de ganhar mais apoio dos militares, que chegaram a ser vistos apoiando os manifestantes inclusive levando cartazes nos tanques. Já o centro de imprensa do governo revelou que o novo premiê, Ahmed Shafic, deveria revelar ainda hoje seu novo gabinete de ministros. As fontes não indicaram em que horário será realizado o anúncio, nem forneceram mais detalhes a respeito. Embora o país tenha registrado um início de manhã mais calmo, os protestos logo foram retomados. Na praça Tahrir, no centro do Cairo, ao menos 3 mil manifestantes intensificaram as revoltas, enquanto líderes mundiais aumentam a pressão por mais reformas no regime do ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.