Política

Desabastecimento se espalha por bairros

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min


Tempos de estiagem castigam a cidade e provocam aumento do consumo e limitação na produção de água, mas a chuva em excesso também provoca desabastecimento. É o que está acontecendo em Bauru nos últimos dias. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) voltou a registrar a captação de água muito turva no sistema da Estação de Tratamento de Água (ETA) e pelo menos sete poços profundos tiveram interrupção de energia elétrica no último final de semana.

O diretor de produção e reservação do DAE, Igor Fournier, lamenta que a combinação de excesso de chuvas com queda de energia nas unidades de produção afeta a população. Outro fator, este do lado dos consumidores, é que a reservação baixa nas residências também influencia. "Temos bairros populosos, vários deles antigos, onde há caixa d´água de 300, 500 litros e isso dá para abastecer apenas a descarga do banheiro. É uma questão de conscientização que vamos ter de trabalhar junto à população, para que todos aumentem suas reservas para essas eventualidades", diz.

Em relação aos problemas de paralisação na produção de água em diferentes regiões da cidade, o diretor lista os poços que sofreram com interrupção de energia. "Tivemos interrupção de pelo menos uma hora em vários locais e depois disso temos o tempo de deslocamento e ação da equipe de eletromecânica para restabelecer o funcionamento da unidade. A paralisação por duas horas já é suficiente para afetar o sistema, em razão de termos ocorrências em vários poços no sábado e domingo", conta.

No sábado e domingo passados a falta de energia, ou a queda que gerou a paralisação do funcionamento de poços, atingiu as unidades do Distrito Industrial III, Samambaia, Roosevelt, Jaraguá, Primavera (PVA), Bíblia (próximo do Viaduto João Simonetti) e Padilha (Bela Vista). "Com isso tivemos o estoque de reservação comprometido em razão de serem poços em diferentes pontos. Consumidores do Vânia Maria, por exemplo, estão sofrendo com reincidência de falta de água e isso é real. Não tem um coelho da cartola para sanar essas ocorrências somadas. Vamos atuando com as equipes e restabelecendo, mas é preciso ser sincero com a população e dizer que o reservatório, nesses casos, atinge sua cota muito rápido e o problema de nível gera o desabastecimento", argumenta Fournier.

Outro problema que voltou a se repetir é no sistema ETA. "A população tem problema com desabastecimento em alguns pontos quando há estiagem. Mas na captação do rio Batalha, que é água de superfície, o problema também aparece quando chove muito, como agora. A água chega muito turva ao sistema e a saída para não aumentar a deficiência é reduzir a vazão. Se a ETA produz menos, o limite para abastecer é reduzido e falta água também. Se a chuva for dentro dos níveis, sem excesso, isso não acontece", explica.

O DAE tem limitação na capacidade de produção, em relação aos 29 poços existentes, apesar do plano de investimentos em curso nos últimos anos. De outro lado, algumas unidades estão com a produção saturada, mantendo médias baixas de captação subterrânea. Aliado a isso, o plano de investimentos em reservação ou aumento na produção não acompanha o crescimento da cidade. Isso sem contar que há, segundo estudos recentes do próprio DAE, regiões onde não é recomendável a perfuração de novas unidades.

A curto prazo, o diretor Igor Fournier, opina que a alternativa é o consumidor residencial ampliar sua capacidade de reservação.


Capacidade da caixa d?água interfere

Quando o abastecimento da cidade é prejudicado por queimas de bombas de poços, problemas na captação do Rio Batalha, manutenções ou rompimentos de adutoras e redes de água, muitos consumidores acabam sofrendo com a falta de água decorrente da inexistência ou insuficiência das caixas d?água nos imóveis.

Rodolfo Natal Carpi, servidor do DAE há 20 anos, tem observado ao longo dos anos que a maioria das pessoas que reclamam de desabastecimento através do 0800 da autarquia (Serviço de Atendimento ao Público) depende exclusivamente da "água da rua", não possuindo reservação adequada.

A Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE ressalta que o proprietário do imóvel, ao construir ou ampliar sua casa, deve verificar se a capacidade de reservação de água está compatível com o número de moradores. O consumo diário por pessoa, segundo a mencionada divisão, é de 200 litros.

Dessa maneira, um imóvel com quatro pessoas passará sem transtornos por mais de um dia caso conte com uma caixa d?água de 1.000 litros. A autarquia também recomenda a instalação de uma torneira no interior do imóvel diretamente ligada à rede do DAE, para indicar a supressão do abastecimento e a utilização da água armazenada.

Uma vez instalada de forma compatível, a limpeza da caixa d?água é outra segurança à saúde dos moradores. Ela deve ser feita a cada seis meses e com a utilização de água sanitária. A mesma deve ser tampada adequadamente para impedir a entrada de animais e insetos. Doenças como hepatite e diarreia são decorrentes da sujeira acumulada no interior das mesmas.

Marambá pode ter problema amanhã

O Serviço de Eletromecânica do DAE irá realizar nesta quarta-feira a interrupção programada do abastecimento de água na Unidade de Reservação UR-04, localizada na Rua Capitão Alcides, quadra 12, no Parque Paulistano.

No período das 7 horas às 11 horas, servidores da Divisão de Produção da autarquia efetuarão reparo e modernização nos painéis de comando elétrico da unidade, informa o DAE. Por isso, os bairros Vila Cardia e Monlevade, Parque Paulistano, Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim Marambá e Vila Coralina poderão ter o abastecimento prejudicado. "O DAE solicita economia de água aos moradores e colocará à disposição dos mesmos, na quarta-feira, caminhões-pipa através do telefone 0807-710195", diz a assessoria.

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