Internacional

Oposição convoca greve para hoje no Egito

Folhapress
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Cairo - O movimento que exige a saída do ditador do Egito, Hosni Mubarak, planeja realizar hoje um dos maiores protestos desde o início do levante, há oito dias. Ativistas lançaram apelo a uma greve geral em todo o país e esperam reunir pelo menos 1 milhão de pessoas na praça Tahrir (Libertação, em árabe), no centro do Cairo, que se tornou o símbolo da resistência ao regime. A convocação foi feita em grande parte por boca a boca e por jornais, rádios e TVs, já que a Internet e o sistema de mensagens por celular ainda estão bloqueados. Ontem, em mais um de seus pronunciamentos nos últimos dias, Mubarak nomeou um ministro do Interior linha-dura para comandar a repressão, num gesto tido como de desafio aos opositores. Teme-se um banho de sangue contra o movimento inspirado na Tunísia, onde uma revolta popular no mês passado varreu do poder o ditador Zine el Abidine Ben Ali, no cargo havia 23 anos. O governo interrompeu o sistema de trens e metrôs e recolocou a polícia nas ruas, que nos últimos dias vinham sendo monitoradas pelo Exército, mais simpático aos olhos da população. Com medo de não conseguir furar o bloqueio policial, milhares de pessoas chegaram ontem à praça Tahrir, transformada num imenso acampamento improvisado. No gramado do balão situado no centro da praça, era impossível caminhar sem esbarrar em manifestantes deitados ou sentados em cobertores ou tapetes de papel. Divididas em rodinhas, pessoas de todas as idades, principalmente jovens, conversavam, riam e comiam. O engenheiro civil Mohamed, 32 anos, viajou do interior para participar do protesto. "Estou instalado aqui e só saio depois que Mubarak deixar o poder", disse. Acampado em Tahrir há dois dias, Safa, designer de interiores, disse não se importar com o frio e a dificuldade para ir ao banheiro."Desconforto muito maior é ter um presidente como Mubarak, no cargo desde que nasci, há 30 anos." Segundo os acampados, moradores do centro fornecem água e comida. Apesar da atmosfera cordial, houve alguns incidentes. Um empurra-empurra ocorreu à noite em torno de um suspeito de ser um policial à paisana. Ele escapou por pouco de ser linchado. A onda de protestos antigoverno já cobra o seu preço da economia egípcia, com efeitos sobre a importante indústria do turismo, o rebaixamento de nota pela agência de risco Moody?s e ameaças de desabastecimento.Preço do petróleo
O sexto dia de manifestações fez também o preço do barril do petróleo tipo Brent, negociado na Bolsa de Londres, passar dos US$ 100. Embora não seja um grande produtor, o Egito é importante rota para o petróleo extraído nos países da região.Vice-presidente propõe diálogoCairo - Em pronunciamento à nação, o vice-presidente do Egito Omar Suleiman disse que o novo governo está disposto a iniciar um diálogo "imediato" com todos os partidos políticos, e que entre as mudanças que devem ser propostas estão reformas constitucionais e legislativas - demandadas pela oposição. Uma das principais críticas dos manifestantes, que diz respeito às restrições das leis egípcias que limitam quem pode se candidatar à Presidência do país, será contemplada pela reforma, disse Suleiman. O Egito deve ter eleições presidenciais em setembro."O presidente me pediu hoje (ontem) para imediatamente fazer contatos com as forças políticas para começar um diálogo sobre todos os assuntos levantados (pelos manifestantes) que incluem reformas constitucionais e legislativas de tal forma que tenhamos como resultado claro as propostas de emendas e um prazo específico para sua implementação", disse à TV estatal. O pronunciamento de Suleiman chega momentos após o Exército egípcio afirmar que não usará a força para conter o megaprotesto convocado pela oposição para hoje. Analistas afirmam, no entanto, que as propostas não devem ser suficientes para conter a ira dos manifestantes, que já deixaram claro que os protestos não devem cessar até que o ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, deixe o país. O saldo de mortos durante os sete dias de confrontos já está em 138. Dada a situação caótica no país, no entanto, os números são desencontrados e não há dados oficiais confiáveis.
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Brasileira adia casamento com egípcio Cairo - A brasileira Tatiana Cardoso estava com casamento marcado com seu noivo egípcio para a sexta-feira no Cairo mas, devido aos protestos, teve de adiar a festa."Os telefones ficaram mudos o dia inteiro. A gente ficou sem celular mais de 24 horas. Você não conseguia falar com fotógrafo, cabeleireiro. As pessoas que vinham trabalhar não chegavam", disse, em entrevista por telefone. Trinta familiares e amigos saíram do Brasil para participar do casamento, incluindo os pais e o irmão de Tatiana. Com bom humor, ela disse que deve esperar "a poeira abaixar" para decidir o que fazer sobre o casamento."Eu brinquei que amanhã vou na passeata porque, como ele avacalhou a data do meu casamento, agora quem quer ele fora sou eu", disse, entre risos. Tatiana reclama que desde sexta-feira não consegue falar com a Embaixada do Brasil no Cairo. "Todas as embaixadas dão alguma orientação para seus cidadãos. A brasileira não atende (o telefone de emergência)."

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