Estive no Hospital de Base, no pronto-socorro, visitando um amigo, e fiquei indignada e triste com o modo como o ser humano é tra-tado no momento mais dolorido e que ele mais precisa de cuidados. Salas lotadas de pessoas com olhares de dor e desamparo à espera de um auxílio que tarda, macas enfileiradas nos corredores, os enfermeiros se desdobrando, correndo, acudindo uns e outros, mas tem muito doente, muita gente, esses anjos fazem o que podem. E dizer que esses brasileiros pagaram compulsoriamente a previdência para ter direitos à saúde e aposentadoria, isto é, a um tratamento digno, mas estão lá, nos corredores, nas macas, sentados, em pé, esperando... esperando... morrem e tudo continua como sempre, a família sofre, o doente morre por falta de remédios com exames demorados e descaso de nossas autoridades, mas nós que ainda estamos vivos, caminhando, rindo, falando, fazemos o quê?... Artigos em jornais? Quem deveria ler não lê. Comentários em encontros de amigos? A vida continua, o Brasil aumentando o número de milionários e multiplicando a pobreza e a dor daqueles que não conseguem chegar lá. Acorda, Brasil, estamos vivos ainda, vamos nos unir e traçar planos para acabar com as impunidades, vamos batalhar juntos rapidamente, pois a vida passa, o clamor aumenta e o futuro é sombrio. Acorda Bauru. (Zelinda Vieira da Silva)
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