Paga-se um preço alto para ser "verde" no Brasil. Ainda mais quando o engajamento ambiental está associado a novas tecnologias. Vistos como uma realidade ainda distante no mercado automotivo nacional, os modelos híbridos chegam por aqui a peso de ouro, em busca de um consumidor preocupado com o meio ambiente, ou mais provavelmente, interessado em exibir uma imagem de "ambientalmente correto". No afã de fisgar estes primeiros interessados "engajados", a Ford tratou de ser a primeira marca generalista a lançar um modelo híbrido. Trata-se do Fusion, vindo do México, que emplacou singelas 19 unidades desde que desembarcou em território nacional, em novembro do ano passado. Até então, a única a lançar um modelo com proposta semelhante, embora em outra faixa de preço, foi a Mercedes-Benz, com o S400 Hybrid ? que chega por encomenda por indigestos R$ 430 mil. Com tecnologia que combina propulsão elétrica e a combustão, o três volumes da fabricante norte-americana chega também por um preço salgado: R$ 133.900. Funciona com o sistema denominado de "full hybrid", que faz com que motor elétrico e a combustão trabalhem de forma integrada à transmissão. Dessa forma, o propulsor a gasolina é capaz de atuar em conjunto com o elétrico em velocidades baixas e mesmo o elétrico tem condições de tracionar o sedã por conta própria. Tudo varia conforme a necessidade e a demanda do carro. Aliado ao motor elétrico de 107 cv e 23 kgfm, alimentado por uma bateria de níquel, está a unidade de força Duratec 2.5 16V ? a mesma da versão de entrada do Fusion no Brasil. A diferença na configuração Hybrid é que a Ford adotou o ciclo Atkinson ? no lugar do ciclo Otto ? na variante "ecológica". Desta forma, o motor tem um tempo de combustão mais longo que o tempo de compressão, o que promete aumentar sua eficiência, segundo a Ford. O resultado é uma potência de 158 cv a 6 mil rpm e um torque máximo de 19 kgfm a 2.250 giros ? contra os normais 173 cv. Em conjunto com as unidades propulsoras trabalha o câmbio do tipo CVT ? continuamente variável ?, além de um sistema de ar-condicionado elétrico, cujo funcionamento do compressor independe do motor. Ou seja, tudo para aliviar trabalhos extras do propulsor. Em termos de equipamentos, o Fusion Hybrid está bem servido. Sai de fábrica com sete airbags, freios com ABS e EBD, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, sensores de ponto cego e de tráfego cruzado e câmara de ré. Mesmo assim, custa R$ 30 mil a mais até que a versão V6 do Fusion, que vem com esses itens e tem motor de 243 cv ? a de entrada 2.5 custa R$ 82.830. A variante híbrida ainda dispõe de um quadro de instrumentos diferenciado, chamado de SmartGauge. Dividido em duas telas ? separadas pelo mostrador do velocímetro ?, mostra ao condutor funções interessantes como a carga da bateria, o consumo médio e instantâneos de gasolina e até o modo mais ecológico de condução através de gráficos ou ainda de ilustrações de folhinhas de plantas. Quanto mais folhinhas aparecem no quadro, mais econômico é o condutor. E mais o motorista tem a sensação de dever cumprido com o meio ambiente. O marketing da Ford não brinca em serviço.Ecologicamente correto A primeira sensação a bordo do Fusion Hybrid é de estranheza. Isso porque ao virar a chave, o único sinal de que o modelo já está ligado é uma luz verde, que aparece tímida no canto do quadro de instrumentos. Sem qualquer ruído ou vibração, o três volumes aguarda a primeira investida no pedal do acelerador para sair da inércia. E, em baixas rotações, com o pé direito contido, o motor elétrico permanece em ação. Todo o funcionamento híbrido, aliás, é acompanhado através do painel de instrumentos. Quando o condutor precisa de mais agilidade e pressiona o acelerador, o motor a combustão Duratec 2.5 "acorda" e rompe o silêncio. Em conjunto com a unidade de força está o recém introduzido câmbio CVT ? continuamente variável ?, que trabalha de forma bastante linear, sem apresentar qualquer delay ou trancos nas mudanças de marcha. Nas primeiras investidas, impressiona a força e "virilidade" com que a mecânica move os 1.687 quilos do três volumes. Os 158 cv do propulsor 2.5 Duratec estão sempre dispostos a trabalhar em situações mais exigentes, como em retomadas e trechos íngrimes. A marca de zero a 100 km/h é alcançada em bons 11,3 segundos e a máxima prometida pela marca americana é de 180 km/h, limitada eletronicamente. Assim como as versões "regulares" do Fusion, a híbrida tem uma vida a bordo singular, que preza pelo conforto dos ocupantes. A ergonomia eficiente é facilitada pelas variedade de regulagens de altura do banco ? ajustes elétricos ? e de altura e profundidade do volante. Na hora de manobrar, as colunas largas ? que sempre incomodavam ?, não são mais problema, já que o Fusion Hybrid é auxiliado por sensores de obstáculos com câmara de ré e sensor de tráfego cruzado, que tem a função de alertar o motorista que sai de uma vaga paralela sobre a possível passagem de veículos pelo corredor do estacionamento. Os espelhos laterais também são grandes aliados no Ford Fusion Hybrid, já que possuem sensores de ponto cego. Ainda na lista de equipamentos de série estão o sistema de entretenimento MySync com tela touch screen, revestimento dos bancos em couro, direção elétrica e ar-condicionado automático digital dual zone. Um "extra" oferecido pela Ford é o quadro de instrumentos, que pode ser configurado pelo condutor e até exibir o carregamento das baterias através do sistema de frenagem regenerativa. O motorista pode ainda acompanhar sua evolução como "condutor amigo do meio ambiente". É que em uma das opções de configuração, no canto direito do quadro, aparecem folhinhas em um display, que têm a função de indicar o quanto a condução está sendo econômica. Em resumo, o Fusion Hybrid é um modelo que funciona bem no anda e para da cidade, com um nível de conforto condizente para quem está disposto a pagar caro pela imagem de sustentável.
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