Cairo - Após a maior manifestação até aqui pela queda de Hosni Mubarak, 82 anos, o ditador egípcio foi ontem à TV anunciar que não será candidato à reeleição. Prometeu antecipar o pleito, previsto para setembro. A decisão veio após intensa pressão dos EUA, maior aliado de Mubarak. Na praça Tahrir, centro dos protestos no Cairo, milhares comemoraram o anúncio aos gritos de "saia!??, pedindo renúncia imediata. Sob forte pressão interna e externa após oito dias de revolta popular, Mubarak disse que não se candidatará a mais um mandato nas próximas eleições presidenciais. "Trabalharei os últimos meses do atual mandato para completar os passos necessários a uma transferência pacífica de poder??, disse o ditador em discurso na TV. "Essa querida nação é onde eu vivi, lutei e defendi seu solo, sua soberania e seus interesses. E neste solo morrerei. A história vai me julgar.?? Mubarak comanda o país com mão de ferro desde o golpe cometido em 1981. As bases de seu regime, secular mas autoritário, ficaram estremecidas após muitos egípcios se inspirarem na revolta popular que depôs o ditador da Tunísia, Zine el Abidine Ben Ali, no mês passado. A manobra surgiu horas depois de o maior protesto antigoverno na história moderna do Egito reunir ao menos 250 mil pessoas na praça. O anúncio foi elogiado pelos EUA, que encaram Mubarak como um de seus principais aliados no Oriente Médio, mas recuaram do apoio ao ditador diante da inesperada revolta. A maioria das pessoas consultadas pela reportagem expressou dúvidas sobre a sinceridade do anúncio e disse que o ditador deveria renunciar ao cargo imediatamente. "Mubarak nos mente há 30 anos. Já basta! Quero que ele vá embora agora??, disse o escritor Khaled Suleiman, 48 anos. A visão de Suleiman, aprovada pelas pessoas na volta dele, é a de que os EUA e Israel estão por trás da manobra e o objetivo é dar tempo para que os americanos e israelenses preparem um sucessor que lhes convenha. A maioria dos manifestantes diz que as ações continuarão e que na sexta-feira haverá outro megaprotesto no país. Há relatos de que poderá ocorrer marcha pacífica até a embaixada dos EUA para exigir o fim do apoio do país ao ditador. Contrariando a opinião dominante, a psiquiatra Radwa Said ben Abdellah, disse que Hosni Mubarak atendeu às principais demandas populares e por isso os protestos deveriam parar."Essa baderna paralisou o turismo e custou bilhões de dólares à nossa economia. As pessoas serão estúpidas se continuarem protestando.?? Pela manhã, Tahrir foi tomada por maré humana que passou o dia gritando palavras de ordem como "Caia fora, Mubarak?? e "Mubarak, o povo quer mudar o sistema??.
Serviço de voz para egípciosCairo - O Google e o Twitter lançaram um serviço desenvolvido especialmente para os opositores egípcios que tiveram o acesso ao microblog - e à Internet em geral - bloqueado pelo regime de Hosni Mubarak. A ferramenta permite que usuários postem mensagens de voz, em vez dos microtextos que caracterizam o Twitter, telefonando para os números disponibilizados pelas empresas. A mensagens de voz são então automaticamente transformadas em arquivo de áudio e postadas na conta de @speak2twitter e identificadas por #egypt."Como muitas pessoas, temos acompanhado os desenvolvimento dos fatos no Egito e pensado no que podemos fazer para ajudar as pessoas em lá??, dizia mensagem no blog do Google ontem. O serviço, segundo a empresa americana, foi desenvolvido durante o último fim de semana em parceria com o Twitter. Foram disponibilizados três números de telefone, na Itália, EUA e Bahrein. As ligações são pagas, no entanto. Os manifestantes podem ainda ouvir as mensagens postadas ligando para os mesmos números. Alguns analistas ocidentais atribuíram ao Twitter e ainda à rede social Facebook papel importante na organização das primeiras manifestações antirregime e na deposição do tunisiano Zine el Abidine Ben Ali no mês passado. Outros, porém, refutaram essa versão.Protestos paralisam economiaCairo - A maioria dos egípcios já sofre os efeitos da paralisação da atividade econômica desde o início da revolta. No Cairo, bancos, lojas e supermercados permanecem fechados desde a semana passada, por causa do temor de saques e da dificuldade de manter níveis normais de abastecimento. A Bolsa de Valores está fechada há quatro dias. A população compra alimentos e produtos domésticos principalmente em vendas de esquina, onde começam a faltar alguns itens. Raros restaurantes se mantêm abertos. Tornou-se comum ver longas filas nos postos de gasolina. Vendedores de recarga para telefones celulares alertam clientes que os estoques estão chegando ao fim. A escassez inflacionou os preços de produtos como cigarro, carne, pão e corridas de táxi. A diária do hotel que hospeda a reportagem saltou de US$ 200 para US$ 350 em dois dias. Depois que os turistas desertaram, os quartos são quase todos ocupados por jornalistas estrangeiros. O novo ministro das Finanças, Samir Radwan, disse que os bancos estatais do país vão reabrir amanhã seus caixas eletrônicos, para que servidores públicos e aposentados possam sacar salários e benefícios. Segundo ele, os saques vão ser limitados a US$ 171 (R$ 285) por dia.
Serviço de voz para egípciosCairo - O Google e o Twitter lançaram um serviço desenvolvido especialmente para os opositores egípcios que tiveram o acesso ao microblog - e à Internet em geral - bloqueado pelo regime de Hosni Mubarak. A ferramenta permite que usuários postem mensagens de voz, em vez dos microtextos que caracterizam o Twitter, telefonando para os números disponibilizados pelas empresas. A mensagens de voz são então automaticamente transformadas em arquivo de áudio e postadas na conta de @speak2twitter e identificadas por #egypt."Como muitas pessoas, temos acompanhado os desenvolvimento dos fatos no Egito e pensado no que podemos fazer para ajudar as pessoas em lá??, dizia mensagem no blog do Google ontem. O serviço, segundo a empresa americana, foi desenvolvido durante o último fim de semana em parceria com o Twitter. Foram disponibilizados três números de telefone, na Itália, EUA e Bahrein. As ligações são pagas, no entanto. Os manifestantes podem ainda ouvir as mensagens postadas ligando para os mesmos números. Alguns analistas ocidentais atribuíram ao Twitter e ainda à rede social Facebook papel importante na organização das primeiras manifestações antirregime e na deposição do tunisiano Zine el Abidine Ben Ali no mês passado. Outros, porém, refutaram essa versão.Protestos paralisam economiaCairo - A maioria dos egípcios já sofre os efeitos da paralisação da atividade econômica desde o início da revolta. No Cairo, bancos, lojas e supermercados permanecem fechados desde a semana passada, por causa do temor de saques e da dificuldade de manter níveis normais de abastecimento. A Bolsa de Valores está fechada há quatro dias. A população compra alimentos e produtos domésticos principalmente em vendas de esquina, onde começam a faltar alguns itens. Raros restaurantes se mantêm abertos. Tornou-se comum ver longas filas nos postos de gasolina. Vendedores de recarga para telefones celulares alertam clientes que os estoques estão chegando ao fim. A escassez inflacionou os preços de produtos como cigarro, carne, pão e corridas de táxi. A diária do hotel que hospeda a reportagem saltou de US$ 200 para US$ 350 em dois dias. Depois que os turistas desertaram, os quartos são quase todos ocupados por jornalistas estrangeiros. O novo ministro das Finanças, Samir Radwan, disse que os bancos estatais do país vão reabrir amanhã seus caixas eletrônicos, para que servidores públicos e aposentados possam sacar salários e benefícios. Segundo ele, os saques vão ser limitados a US$ 171 (R$ 285) por dia.