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Democracia

Itamir Crivelli
| Tempo de leitura: 2 min
Quando dissertei em Opinião, gentilmente publicado pelo JC, mencionei que estávamos num “arremedo de democracia”, em razão do que fui severamente contestado, pessoalmente, por leitores, amigos e intelectuais que discordaram de minha assertiva; assim, sem pretensão de ser historiador ou filósofo da política, sou obrigado a complementar minha assertiva, já que minha convicção em nada foi alterada, pois, segundo o maior e mais antigo livro de historias do mundo, a Bíblia, in Gênesis, constatamos todos os períodos de formações dos poderios humanos, e, já “ab initio”, povo era povo, e mandatário era quem realmente mandava. Decorridos os séculos, aí pelo oitavo ao décimo, tivemos o período feudal quando reis, clero e a nobreza dominavam o mundo de então. No sistema feudal os costumes eram leis, a propriedade era concessão dos reis aos seus súditos, duques e condes. A igreja, como membro do sistema, chegou a ser a maior proprietária de terras na Idade Média, e era dinâmica e progressista desfrutando dos mesmos privilégios da nobreza. Oportunidade em que chegou a financiar as Cruzadas. Portugal constituiu e primeiro império global da história. Resquício destes tempos medievais existem ainda em Bauru, onde parte da área central pertencia ao Divino Espírito Santo, e ainda hoje, por aquisição ou sucessão, pertence à Sociedade Civil Cintra. Ultrapassou-se o período em que o domínio do senhor das terras permitia a existência de escravos e servos que para as utilizarem contribuíam com trabalho escravo ou parte da produção agrícola. Com a Queda da Bastilha e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, iniciaram-se novos caminhos para a humanidade, desabrochando horizontes mais promissores. Mas, infelizmente, ainda hoje continuamos dominados por uma classe dominante (antigos feudos, hoje partidos políticos). As constituições têm melhorado sensivelmente o relacionamento entre as pessoas e, como bem retratou Zarcillo Barbosa (JC 23/01/11), o poder constituído permanece inalterado, pois continuamos dependentes, e muito, da classe política (substituta dos feudos). A classe política dominante pode tudo, sem responsabilidade, diga-se “en passant”, por isto é preciso alterar o sistema político para prevalecer a vontade popular, para melhor distribuir a riqueza do país, onde, numa espécie de plebiscito, se apure as reais e efetivas necessidades dos seres humanos. Vivemos uma plutocracia, não propriamente dos mais ricos, mas dos senhores dos partidos políticos oligárquicos. A evolução está mostrando a necessidade de mudança, é preciso maior respeito ao ser humano e responsabilidade do poder dominante. Lula, no apagar da luzes, mencionou tal necessidade, mas nada fez em oito anos para esta necessária transformação social. Esperamos que dias melhores possam nos conduzir para uma melhor abertura, tornando-nos num País de efetiva e duradoura democracia.
O autor, Itamir Crivelli, é advogado, colaborador de Opinião

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