Economia & Negócios

Parte dos funcionários de recuperadora de crédito reivindica aumento de jornada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Uma situação, no mínimo, inusitada. Funcionários do grupo Multicobra, empresa recuperadora de crédito de Bauru, protestaram ontem contra o próprio sindicato que os representa para reivindicar o aumento da jornada de trabalho da categoria para oito horas diárias. Anteontem, o Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento (Seaac) obteve na Justiça liminar que garantia aos trabalhadores ? todos operadores de teleatendimento - permanecer com carga horária diária de seis horas, conforme prevê legislação vigente.

O pedido judicial foi feito após a Multicobra, que mantém duas unidades de trabalho em Bauru, ampliar a jornada dos funcionários para oito horas diárias, com reajuste salarial de apenas R$ 8,69. Além do valor fixo, entretanto, os trabalhadores também recebem comissão de acordo com a produção e, neste sentido, o aumento das horas trabalhadas colaboraria para engordar seus rendimentos ao final do mês.

"Nós recebemos um salário maior do que a média dos operadores da cidade, mas a gente trabalha pela comissão, não pelo salário (de R$ 664,00). Só de comissão, a gente consegue ganhar uma média de R$ 800,00 por mês", observa a operadora Franciele dos Santos Pinto. Se passassem a trabalhar por oito horas, a estimativa é de que o ganho extra subisse para R$ 1.065,00.

O aumento da jornada de trabalho foi imposto pela Multicobra no último dia 24 de janeiro e atingiu cerca de 660 dos 1,1 mil funcionários da empresa. Após a liminar obtida pelo sindicato, mais de 500 trabalhadores teriam ficado insatisfeitos com o retorno à carga de seis horas, segundo apontou Flávia Suzana Gomes Tanaka, outra operadora da empresa.

"Todos nós tínhamos aceitado o aumento para oito horas espontaneamente, ninguém foi coagido pela empresa. O grupo que quer trabalhar por seis horas é minoria", aponta.

Na avaliação do presidente do sindicato, Lázaro José Eugênio Pinto, o grupo de cerca de 100 empregados que realizou protesto em frente ao sindicato na tarde de ontem ? com a presença inclusive da Polícia Militar ? foi usado como massa de manobra pela diretoria da recuperadora de crédito. Segundo ele, os funcionários teriam sido pressionados a participar da manifestação.

"Tanto é que eles puderam, livremente, deixar o trabalho no meio do expediente para ir até o sindicato. Fora de uma situação de greve, no meu ver, isso é algo inédito", ironiza.

Pinto informou que uma reunião entre o sindicato e representantes da Multicobra foi agendada para a próxima segunda-feira, quando a empresa deverá apresentar uma nova proposta salarial para que a jornada de oito horas diárias seja aceita pela entidade. "Enquanto não houver consenso entre as partes, a liminar continuará vigorando, com trabalhadores cumprindo as seis horas diárias de serviço", complementa.

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