"O que é que a baiana tem? Tem torço de seda, tem! Tem brincos de ouro, tem! Corrente de ouro, tem! Tem pano-da-costa, tem! Tem bata rendada, tem! Pulseira de ouro, tem! Tem saia engomada, tem! Sandália enfeitada, tem!" A letra de "O que é que a baiana tem?", escrita por Dorival Caymmi e imortalizada na inconfundível voz de Carmen Miranda, descreve algumas das características da típica baiana brasileira, mas poderia ser facilmente adaptada para uma realidade ainda mais particular: a de Bauru. Para isso, na letra, basta colocar no lugar de baiana ?Batista?, o nome do centro comercial mais famoso da cidade: o Calçadão da Batista de Carvalho. E então, é só dar asas à imaginação. Além dos brincos e pulseiras de ouro, da sandália enfeitada e da bata rendada, poderia ainda ser acrescentado entre as coisas que a Batista tem itens mais modernos, como as bijuterias, bolsas, eletrodomésticos, brinquedos, entre outros. Mas se a brincadeira de enumerar o que é que a Batista tem for levada a sério, o assunto deve render. Isto porque, apesar do famoso Calçadão possuir apenas sete quadras, nele estão instaladas cerca de 130 lojas, dos mais variados segmentos e tamanhos, que funcionam de segunda à sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 17h, e atraem uma multidão de pessoas, que moram na cidade ou vem da região especialmente para comprar nas lojas instaladas na rua. Por conta da fama do lugar, os lojistas chegam a pagar de R$ 500,00 a R$ 600,00 pelo metro quadrado alugado, valor que varia de acordo com a localização das quadras. Mas nem sempre foi assim. Quando foi fundada, por volta do ano 1.900, a Batista misturava moradias e comércio, que era dividido, principalmente, entre os segmentos de secos e molhados, tecidos, cafés e alfaiatarias."A Batista se formou por conta das estradas de ferro Sorocabana, Noroeste e Paulista. Quem trabalhava na ferrovia começou a fixar residência ali perto e, na esteira do progresso, vieram os comércios", conta o pesquisador Irineu de Azevedo Bastos. Inicialmente, como todas as outras, a rua não tinha nome. Quando começaram a nomear as ruas da redondeza, o comerciante João Batista de Carvalho, que tinha uma loja na esquina da Batista com a Araújo Leite, colocou no local uma placa com os dizeres "Rua dos Esquecidos", foi quando os responsáveis pela nomeação na época decidiram homenageá-lo e deram o nome dele à via.
E se fez o verbo Certamente, quando o comerciante João Batista de Carvalho foi homenageado e cedeu seu nome a uma das ruas mais famosas de Bauru, ele não imaginou que seu sobrenome um dia se tornaria um verbo a ser incluso no dicionário bauruense: batistar. Quem mora na cidade e até mesmo na região sabe bem o significado do verbo. O termo surgiu no início da década em 20 e foi criado para designar o ato de caminhar tranquilamente por toda a extensão da rua, em busca de boas compras, amigos e até mesmo diversão."Eu saía do Colégio São José, onde estudava na adolescência, e descia batistando com minhas amigas até a loja de meu pai, na quadra 3 do Calçadão. Passear por aquelas calçadas estreitas era o que havia de mais legal na época. É como ir ao shopping atualmente", conta Selma Issa Gândara Vieira, proprietária de A Tropical, loja existente no Calçadão há 73 anos.
____________________ Evolução Quem nasceu a partir de
1991 ou até mesmo alguns anos antes certamente não se lembra da antiga aparência do Calçadão da Batista de Carvalho nem sequer imagina que o famoso corredor comercial já foi palco de muitas batalhas, entre elas a que gerou o boato de Bauru ter sido excomungada pelo papa, em 1913. Antes de se tornar um Calçadão, a Batista de Carvalho era uma rua comercial comum, onde era permitido, inclusive, o trânsito de carros. Até 1913, a Catedral, que fica atualmente na Praça Rui Barbosa, no fim da Batista, era localizada entre as ruas Gustavo Maciel e Antônio Alves. Por interesses políticos, o então prefeito da cidade, Manoel Bento Cruz, solicitou ao bispo Dom Lúcio Antunes e Souza a derrubada do templo e a transferência para outro local. Com a negativa do religioso, o prefeito decidiu agir por conta própria e em 13 de agosto de 1913, durante a noite, mandou que seus homens derrubassem a igreja. Diz a lenda que, ao ver o estrago, o bispo teria pedido ao papa a excomunhão da cidade. Algumas décadas depois, em 1962, a Batista de Carvalho foi asfaltada pela primeira vez pelo prefeito Edison Bastos Gasparini e, em 1991, o então prefeito, Antônio Izzo Filho, decidiu transformar as sete quadras iniciais da rua em um grande calçadão, impedindo o trânsito de veículos no local. Além da mudança de ares, a evolução trouxe ao calçadão alguns problemas crônicos da cidade, como a prostituição, a superlotação, a insegurança e o vandalismo, afastando alguns consumidores e lojistas, que passaram para o comércio da zona sul da cidade. Até o início da janeiro , o Calçadão era administrado pela Associação das Empresas do Calçadão (AEC), mas o convênio entre a entidade e a prefeitura foi rompido nos primeiros dias do ano. O motivo principal teria sido a dificuldade na prestação de contas do dinheiro público repassado pela prefeitura à AEC, recurso cuja utilização é fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE). Por meio de comunicado protocolado no início de dezembro, a AEC alegou que a prefeitura estaria dificultando à entidade a realização desta prestação de contas. Mas em matéria publicada pelo JC em 10 de janeiro de 2011, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, afirmou que o TCE impõe que os repasses de todos os convênios tenham o mesmo modelo de prestação de contas e que a AEC talvez tenha encontrado dificuldades para cumprir essas exigências e preferiu não renovar o convênio. Portanto, por enquanto, o Calçadão está sob os cuidados da prefeitura.
E se fez o verbo Certamente, quando o comerciante João Batista de Carvalho foi homenageado e cedeu seu nome a uma das ruas mais famosas de Bauru, ele não imaginou que seu sobrenome um dia se tornaria um verbo a ser incluso no dicionário bauruense: batistar. Quem mora na cidade e até mesmo na região sabe bem o significado do verbo. O termo surgiu no início da década em 20 e foi criado para designar o ato de caminhar tranquilamente por toda a extensão da rua, em busca de boas compras, amigos e até mesmo diversão."Eu saía do Colégio São José, onde estudava na adolescência, e descia batistando com minhas amigas até a loja de meu pai, na quadra 3 do Calçadão. Passear por aquelas calçadas estreitas era o que havia de mais legal na época. É como ir ao shopping atualmente", conta Selma Issa Gândara Vieira, proprietária de A Tropical, loja existente no Calçadão há 73 anos.
1991 ou até mesmo alguns anos antes certamente não se lembra da antiga aparência do Calçadão da Batista de Carvalho nem sequer imagina que o famoso corredor comercial já foi palco de muitas batalhas, entre elas a que gerou o boato de Bauru ter sido excomungada pelo papa, em 1913. Antes de se tornar um Calçadão, a Batista de Carvalho era uma rua comercial comum, onde era permitido, inclusive, o trânsito de carros. Até 1913, a Catedral, que fica atualmente na Praça Rui Barbosa, no fim da Batista, era localizada entre as ruas Gustavo Maciel e Antônio Alves. Por interesses políticos, o então prefeito da cidade, Manoel Bento Cruz, solicitou ao bispo Dom Lúcio Antunes e Souza a derrubada do templo e a transferência para outro local. Com a negativa do religioso, o prefeito decidiu agir por conta própria e em 13 de agosto de 1913, durante a noite, mandou que seus homens derrubassem a igreja. Diz a lenda que, ao ver o estrago, o bispo teria pedido ao papa a excomunhão da cidade. Algumas décadas depois, em 1962, a Batista de Carvalho foi asfaltada pela primeira vez pelo prefeito Edison Bastos Gasparini e, em 1991, o então prefeito, Antônio Izzo Filho, decidiu transformar as sete quadras iniciais da rua em um grande calçadão, impedindo o trânsito de veículos no local. Além da mudança de ares, a evolução trouxe ao calçadão alguns problemas crônicos da cidade, como a prostituição, a superlotação, a insegurança e o vandalismo, afastando alguns consumidores e lojistas, que passaram para o comércio da zona sul da cidade. Até o início da janeiro , o Calçadão era administrado pela Associação das Empresas do Calçadão (AEC), mas o convênio entre a entidade e a prefeitura foi rompido nos primeiros dias do ano. O motivo principal teria sido a dificuldade na prestação de contas do dinheiro público repassado pela prefeitura à AEC, recurso cuja utilização é fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE). Por meio de comunicado protocolado no início de dezembro, a AEC alegou que a prefeitura estaria dificultando à entidade a realização desta prestação de contas. Mas em matéria publicada pelo JC em 10 de janeiro de 2011, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, afirmou que o TCE impõe que os repasses de todos os convênios tenham o mesmo modelo de prestação de contas e que a AEC talvez tenha encontrado dificuldades para cumprir essas exigências e preferiu não renovar o convênio. Portanto, por enquanto, o Calçadão está sob os cuidados da prefeitura.