JC Criança

Tatiana Belinky chega com 3 invencionices

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min
Aos 91 anos, a escritora infantil Tatiana Belinky continua super na ativa. São dela as três invencionices que acabam de chegar às livrarias pela editora Noovha America: "Trança-rimas", "Que jejum!" e "Eu sou a dita-cuja". Cada um delas aborda um tema diferente e mostra que a sua eleição para a cadeira 25 da Academia Paulista de Letras, em 11 de fevereiro do ano passado, a estimulou ainda mais a escrever para crianças. Enquanto "Trança-rimas" fala da diversão que é experimentar rimar palavras e delas criar um novo cenário visual, que remete ao repertório de conhecimento e criatividade que cada um guarda dentro de si, ""Eu sou a dita-cuja" narra a relação cheia de dengos entre mãe e filho. A despeito do jogo poético traçado com maestria nesses dois livros, a melhor surpresa está em "Que jejum!", sobre uma porca que sofre de anemia e gastrite. A história, "inventada", como salienta Tatiana logo na folha-de-rosto do livro, reflete bem o jeitão da sociedade atual, cheia de excessos. Mas nem por isso o livro é birrento, ou seja, tenta passar uma lição de moral. Pelo contrário, a autora ri desses excessos por meio da companheira de conversa da porca, uma tartaruga, educada, idosa e atenta (seria a própria Tatiana?), que dorme ao final do relato. O que vale dele é a invenção e o respeito da escritora às palavras. Se elas são difíceis mas cumprem a função da rima, continuam tendo valor e por isso são mantidas no livro. Depois são explicadas, num glossário que se torna divertidíssimo com auxílio das ilustrações de Victor Tavares. Afinal, não existe literatura difícil, mas sim aquela que não instrui, não acrescenta nada. Os livros de Tatiana Belinky acrescentam vida às palavras e palavras à vida, por isso são tão ricos, por isso merecem ser lidos.
"Trança-rimas" Como o nome do livro já aponta, a base desta história são as rimas. Sem elas, mostra a autora, a vida fica sem graça e a leitura muito chata. Como comparativos, a escritora relaciona um monte de objetos e ações que se tornam chinfrins quando não acontecem do modo como esperamos, por exemplo, "cofre sem segredo", "anel sem dedo" ou, ainda, "sela sem cavalo", "sino sem badalo". São tantas e tantas coisas que a gente chega à conclusão que a vida sem rima é realmente enfadonha e por isso brincar de rimar é algo pra lá de divertido. Texto: Tatiana Belinky; ilustrações de Roberta Carvalho; editora: Noovha America).
"Que jejum!" Vizinhas de sítio, a porca Bissuina e a Tartaruga travam um diálogo que dura do amanhecer ao anoitecer. A conversa? Ora, sobre comida, é claro, pois a porca, de regime, não sabe falar de outra coisa a não ser aquela que verse sobre comer e beber. Para ela, se privar de tanta coisa gostosa é um absurdo, mas fazer o quê? Está com anemia e, para piorar, com gastrite. E assim, de mau humor e com vontade de encher a pança, passa o dia listando o que comeu. As palavras diferentes que a autora usa são explicadas ao final do livro, bem antes que o leitor pense em procurar um dicionário. Bem legal! (Texto: Tatiana Belinky; ilustrações de Victor Tavares; editora: Noovha America).
"Eu sou a dita-cuja" Toda mãe é supercoruja. Em torno dessa constatação, a autora brinca com as frases mais comuns ditas pelas mães, sempre em forma de rima. E mostra, por meio delas, que, para a mãe, filho não tem defeito, já que cada característica dele pode se tornar um predicado, basta olhar de forma carinhosa e amorosa. Isso mostra que nessa relação delicada os filhos são sempre considerados os reis que moram no coração das mamães. Para acompanhar cada conjunto de rimas, ilustrações trazem animais fêmeas com seus filhotes. (Texto: Tatiana Belinky; ilustrações de Dalmau; editora: Noovha America).

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