Prezada presidente Dilma Rousseff. Venho através deste e-mail solicitar de Vossa Senhoria um olhar diferenciado a nós, professores das escolas públicas. Confesso que nossa situação salarial encontra-se lastimável. Somos licenciados, portanto, temos cursos superior e muitos de nós somos especialistas, mestrados, doutorados e na maioria das vezes nosso salário é inferior ao de trabalhadores não graduados. É vergonhoso alunos compararem nossos salários aos seus, atendentes, chapeiros, borracheiros, secretárias, vendedores... etc. Não estou desqualificando profissões, apenas mostrando o quanto estamos desvalorizados e não digo só pelo salário, mas no contexto educacional num todo, pois também lutamos por um ensino de qualidade e não estamos contando com estrutura para desenvolver um trabalho pedagógico digno, que corresponda aos anseios e necessidades da nossa sociedade. Peço encarecidamente que se volte a olhar à educação com mais carinho, pois ela é a chave de uma sociedade mais liberta e mais feliz e se pense também num reajuste salarial digno e condizente com o papel desenvolvido pelo profissional da educação, o professor. O inciso V do artigo 206, da Constituição Federal de 1988, refere-se à valorização dos profissionais do ensino. Aqui, vale salientar que a Constituição cuida, preponderantemente, dos profissionais do ensino público. Outro dado importante é que não se refere o inciso aos professores, mas aos profissionais do ensino. Ora, a valorização do profissional do ensino é a primeira providência para transformar o profissional do ensino para evitar a perda de sua dignidade e identidade profissional. O profissional do ensino não pode ser considerado, no mercado escolar, como uma simples mercadoria, como ocorre em muitos estados da Federação com a figura do professor. Ao profissional do ensino público são garantidas três prerrogativas: a) Planos de carreira para o magistério público. b) Piso salarial profissional c) Ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. Frente a tudo isso que foi relatado, mais uma vez peço à senhora digníssima presidente Dilma Rousseff que não faça como muitos que tentaram tirar esta paixão que por ideal de nossa vocação tem nos preservado, ou seja, o dom de ensinar. Eis que vale a pena sonhar, vale a pena lutar de forma consciente e que poderemos alcançar um amanhã mais digno, pois sabemos que existem pessoas humanas e que também lutam e buscam a equidade profissional, salarial, humana. Os professores esperam por você! Abraços.
Juliana Walkiria Genovese
Juliana Walkiria Genovese