O senador Alfredo Nascimento (PR-AM) reassumiu o Ministério dos Transportes na equipe da presidente Dilma Rousseff. Nascimento já havia sido ministro nesta mesma pasta em dois períodos anteriores, de 2004 a 2006 e de 2007 a 2010. Ao final destes dois períodos deixou o Ministério para concorrer ao governo do Amazonas e ao Senado, respectivamente. Desta vez chega com a promessa de que o transporte rodoviário, responsável pela maior parcela do escoamento da produção brasileira, perderá espaço para os modais ferroviário e hidroviário. O novo ministro comemora um orçamento de 21 bilhões de reais em 2011 para o seu Ministério, principalmente recheado com as obras do PAC no setor de transportes. Promete a manutenção da licitação do trem bala ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O advento da Capa 2014 e da Olimpíada de 2016 tem papel superlativo na generosidade da disponibilização dos recursos. Esta ferrovia é uma obra de extrema importância para este corredor de transportes de passageiros, desafogando a rodovia Presidente Dutra e a ponte aérea Rio-São Paulo, totalmente saturados. O grande problema é a superestimação dos custos do trem bala, que pode inviabilizar o empreendimento. A matriz de transportes brasileira é totalmente equivocada: modal rodoviário 62%, ferroviário 19%, aquaviário 14%, dutoviário 5% e aeroviário com menos de 1%. Para países de grandes dimensões, como é o caso do Brasil, o modo rodoviário deveria ter uma participação bem menor, pois para grandes distâncias ele é muito caro, contribuindo para a elevação dos custos das mercadorias. Nos Estados Unidos, a matriz de transportes é mais equilibrada: modal rodoviário 26%, ferroviário 38%, aquaviário 16%, dutoviário 20% e aeroviário com menos de 1%. Na Austrália e na China, a participação do transporte rodoviário é ainda menor, 24% e 8%, respectivamente. O ministro reconhece a necessidade de mudar o cenário logístico do país, pois até este momento não se procurou privilegiar o investimento em ferrovias e hidrovias, modais mais apropriados e baratos para transporte de cargas de longa distância. Nas duas vezes em que foi ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento não conseguiu viabilizar a promessa ora apresentada. No Brasil, a pressão imputada principalmente pelos setores da indústria automobilística e do petróleo tem garantido o status quo da atual matriz. Resta saber se a presidente Dilma, considerada uma boa gestora, conseguirá forças e apoio suficientes para mudar este panorama dos transportes. O Brasil realmente necessita reverter esta situação de distorção na matriz de transportes, para que possa dar sustentação ao crescimento da economia que vem ocorrendo no país nos últimos anos. A infra-estrutura de transporte tem sido um gargalo, tanto para a movimentação interna e como para as exportações. Fica a esperança de que a nova presidente e o "novo" ministro façam uma reengenharia no transporte brasileiro.
O autor, Archimedes Raia Jr., é mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela USP e professor de Transportes da UFSCar. E-mail: raiajr@ufscar.br)
O autor, Archimedes Raia Jr., é mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela USP e professor de Transportes da UFSCar. E-mail: raiajr@ufscar.br)