Reginópolis ? O promotor de Justiça da Comarca de Pirajuí, Rodrigo de Moraes Garcia, entregou na tarde de ontem ao lavrador Reginaldo Aparecido de Souza, de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), uma carta solicitando que ele procure a Defensoria Pública em Bauru para pedir a reabertura do inquérito que apura suposta troca de seu filho, em 2001, por funcionários da Maternidade Santa Isabel.
O bebê de Reginaldo e da dona-de-casa Vera Lúcia Dutra nasceu no hospital em 22 de outubro de 2001, mas, horas depois do parto, eles foram informados que a criança, um menino, havia morrido. Na hora do sepultamento, realizado pelo pai, o corpo enterrado foi o de uma menina.
Os dois recorreram à Justiça que, em 2007, determinou a exumação das ossadas de três bebês que faleceram no mesmo dia em que o filho do casal nasceu. Contudo, em razão da demora, o material orgânico recolhido foi insuficiente para a realização do exame de DNA pelo Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo.
A Justiça, então, determinou que outras 14 crianças vivas, que nasceram ou tiveram alta da maternidade Santa Isabel no dia 22 de outubro de 2001, também fossem submetidas a exames de DNA.
Segundo o promotor João Henrique Ferreira, o procedimento foi realizado em todos os bebês, com exceção de um, que havia deixado a unidade quando Vera deu entrada.
Em todos os exames, de acordo com Ferreira, foi constatada a compatibilidade de genes dos bebês com suas respectivas mães, o que indicaria que o filho do casal é um dos três que faleceram na mesma data.
Em janeiro deste ano, alegando falta de provas que apontem a existência de crime, o juiz João Augusto Garcia, da 3ª Vara Criminal de Bauru, decidiu pelo arquivamento das investigações, que estavam sob responsabilidade do 3º Distrito Policial (DP) de Bauru.
O casal de Reginópolis informou que vai recorrer da decisão. Além disso, está em andamento ação contra a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra a maternidade, por reparação de danos. Além de custeio de um tratamento psicológico para ambos, eles pedem que seja paga indenização no valor de 900 salários mínimos (o equivalente, hoje, a R$ 504 mil). A primeira audiência para julgamento do pedido está marcada para este mês.