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Polícia cria comitê para coibir homicídios

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

A quantidade de homicídios registrada neste início de ano ? seis de 1 de janeiro até ontem - fez com que a Polícia Militar de Bauru instituísse um comitê para estudar estratégias que possam coibir a escalada deste tipo de crime em 2011. Denominado Comitê de Controle de Homicídios, o grupo é formado por três comandantes de área onde a incidência de mortes violentas é mais crítica na cidade, além de um homem do serviço de inteligência da PM, que não pode ter sua identidade revelada por questões de segurança.

Segundo o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, a ideia é que sejam elaborados estudos e ações direcionadas de combate a este tipo de crime, nos mesmos moldes de atuação do Comitê de Furtos de Veículos da PM, criado em outubro de 2009. Ainda que os índices de furto de automóveis em 2010 tenham sido superiores aos de 2009, as operações desencadeadas pelo grupo resultaram na prisão de todos os membros de uma das principais quadrilhas que agiam em Bauru, o que derrubou os índices deste prática ilícita no início deste ano.

"É claro que os homicídios demandam uma ação mais complexa, porque as mortes acontecem por motivos variados. Em parte deles, é possível haver atuação da polícia para reduzir os índices e é isso que pretendemos fazer", pontua Garcia.

Segundo o comandante, grande parte dos casos de assassinato está vinculada ao tráfico de entorpecentes. Há ainda aqueles que se relacionam a conflitos passionais ou ocorrem de maneira aleatória. "Os crimes que ocorrem por mera fatalidade são pontuais, mas, infelizmente, difíceis de combater. Já os crimes associados ao tráfico assim como os passionais, podem ser atacados através de estudos mais aprofundados", assinala Garcia.


Mapa das mortes


Constituído, o comitê já iniciou o levantamento de estatísticas sobre os homicídios contabilizados em Bauru nos últimos três anos, considerando a localização geográfica e a motivação ou as hipóteses cogitadas para explicar as ocorrências. De acordo com o coordenador do grupo e comandante da 3ª Companhia da PM de Bauru, capitão Renato Ramos, a intenção é elaborar um mapa das mortes na cidade, que deverá ser divulgado até o final da próxima semana.

"A partir de então, traçaremos ações preventivas para evitar que ocorram índices como o registrado em 2010. As equipes de Força Tática e Rádio Patrulha serão direcionadas aos pontos mais críticos para a ocorrência desses homicídios que poderiam ser evitados", pontua. Segundo ele, a primeira reunião do grupo ? composto também pelo tenente Rodrigo de Ângelo, comandante da Base Comunitária Oeste e pelo tenente Tiago Francisco dos Santos, comandante da Base Comunitária Sudeste ? já está agendada para amanhã.

Assim que o levantamento inicial das mortes nos últimos três anos for concluído, o plano é intensificar, com um novo foco, o trabalho já realizado pela PM. Além de fiscalização nos bares da cidade, serão realizadas operações de busca e apreensão de armas brancas e de fogo e entorpecentes. "Pretendemos aumentar as buscas pessoais e, eventualmente, também a quantidade de prisões", completa Garcia Filho.

Ele explica que a PM decidiu centrar esforços no combate à incidência de assassinatos porque eles se tornaram "a principal pedra no sapato" da corporação no ano passado, quando foi registrado o terceiro pior índice da última década. Para tentar reduzir os índices ainda em 2011, o comitê pretende estabelecer parceria com outras instituições vinculadas à segurança pública, como a Polícia Civil, conselhos comunitários de segurança e profissionais e entidades que tenham interesse em contribuir para o trabalho da PM.

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Fiscalização em bares


Entre as medidas que devem ser desencadeadas pelo Comitê de Controle de Homicídios (CCH), está a parceria que deve ser estabelecida com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) para notificar todos os 102 bares que tiveram registros de criminalidade no ano passado. Dentro do mapa das mortes que será desenhado pelo grupo, a ideia é delimitar quantas delas ocorreram por conta de brigas iniciadas dentro destes estabelecimentos.

A partir de então, segundo o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, o policiamento nos bares localizados em bairros periféricos serão intensificados. Caso não possuam alvará de funcionamento ou não estejam cumprindo à risca a Lei dos Bares, poderão ter as portas fechadas.

"Durante a semana, a regra é que eles funcionem até as 23h durante a semana e, de sexta-feira e sábado, até as 0h. Se desobedecerem estas regras, poderão perder o direito de manter suas atividades", alerta.

Conforme lembra o capitão Renato Ramos, coordenador do CCH e comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, grande parte das mortes violentas registradas em 2010 tiveram estes estabelecimentos como cenário de início ou desfecho. "Muitos não aconteceram dentro do bar, mas em decorrência de uma discussão iniciada nele. E, na maioria dos casos, em horário em que esses locais não poderiam estar abertos", pontua.

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Polícia Civil prevê ações
preventivas pela cidade


Assim como a Polícia Militar (PM), a Polícia Civil também pretende iniciar uma série de operações para evitar que a incidência de homicídios em 2011 alcance os patamares registrados no ano passado. Segundo Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ainda hoje ele se reunirá com o delegado seccional de Bauru, Benedito Antonio Valencise, para traçar diretrizes de combate às principais ocorrências que se relacionam e desencadeiam os assassinatos.

Ainda que entenda que o policiamento ostensivo, realizado pela PM, seja a principal arma para coibir os índices, ele revela que a DIG, em parceria com todas as delegacias da cidade, pretende desencadear operações preventivas em pontos críticos de Bauru. "Todo dia, ao menos um ou dois procurados são presos em Bauru. E os homicídios sempre tem como pano de fundo outros tipos de crime. Precisamos discutir como fazer estas ações, dentre as inúmeras possibilidades que temos em mente", comenta.

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Índice de 2011 já está
próximo do ano passado


O número de homicídios registrados em Bauru de 1 de janeiro a 7 de fevereiro de 2011 praticamente se equiparou à quantidade de mortes violentas contabilizadas no mesmo período do ano passado. Até ontem, ocorreram seis assassinatos na cidade, ante os sete registros de 2010.

Para se ter uma ideia do quão preocupante é a estatística, no ano passado, o índice de homicídios aumentou cerca de 60% em relação a 2009, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. De 28 mortes registradas naquele ano, o número subiu para 45 ? o terceiro pior índice dos últimos 10 anos - e extrapolou em 10 casos o patamar considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU) para uma cidade do porte de Bauru.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, dos seis assassinatos registrados em 2011, ao menos dois estão com investigações bastante avançadas e na iminência de serem esclarecidos. "Não podemos dizer quais são esses casos para não prejudicar o andamento dos trabalhos, mas devemos ter alguma novidade até o final desta semana", destaca.

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