Tribuna do Leitor

Cultura em Bauru


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Há dias que acompanho os relatos, desabafos e críticas dos colegas acerca da estrutura cultural de nossa cidade. Cheguei a Bauru com seis dias de vida, me considero bauruense, amo esta cidade, estudei aqui, me formei aqui, tenho minhas raízes familiares aqui, mas nunca consegui realizar-me profissionalmente aqui. É com muita tristeza que reconheço que “Santo de Casa Não Faz Milagres”. Também concordo com uma colega quando a mesma diz: “Eles nem sabem quais são os nossos trabalhos e os prêmios que ganhamos”. Fui premiado pelo Instituto Ayrton Senna através do meu trabalho teatral, além de outras premiações que como artista não encaro sendo apenas minhas, mas também de minha cidade. Quando somos premiados eles nos perguntam: de onde são? Respondemos Bauru e para muitos a lembrança é de um sanduíche, o que não deveria ser assim. Não gostaria de ser lembrado pelo meu legado através de um “picles” em conserva ou um queijo bem derretidinho, não estudei e me dediquei para isso. O polêmico Teatro Municpal é cheio de fantasmas, são assombrassões como: “a resposta veio por meio de sua assessoria de imprensa”. Tenho pavor de pombos correios, gosto de ouvir da própria pessoa, olhando nos olhos, assim o faço na cidade de Iacanga. Quando existe alguma dúvida eu as tiro conversando com quem quer que venha a me procurar. Também o descaso deste teatro, quem teve a brilhante ideia de construir o mesmo no meio das correntezas? Maravilha, apresentamos Lusíadas? E agora todos os anos chove e teremos que licitar quantos 25 mil reais para arrumar o grandioso ar condicionado que neste ano nos condicionou ao calor, desgosto e vontade de jogar pra fora tudo o que é indigesto por nós. Muito dinheiro jogado fora... Não seria mais fácil em tempos atuais realizar uma gestão que se comprometa em ser diferente entre os iguais? Estamos cansados de passagem de cargos e cadeiras sendo ocupadas para se cumprir um protocolo, queremos mais, queremos ser ouvidos e respeitados, títulos às vezes só servem para forrar as gailoas dos pas-sarinhos. Professor Paulo Neves, família e alunos: meus votos de felicidades. Pensemos 10. Pensemos nisso!
O autor, Huxley Ivens, é assessor de Cultura de Iacanga - supervisor de Cultura no Estado de Minas Gerais. Professor de artes/educador profissional da Unesco - diretor/ator/autor

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