Polícia

Trio encapuzado invade empresa no J. Estoril e atira em engenheira

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Uma engenheira foi baleada no início da tarde de ontem em Bauru no escritório em que trabalha (Gobbo Engenharia), na avenida Comendador José da Silva Martha, zona sul, após o estabelecimento ser invadido por três homens armados e encapuzados. Fernanda de Araújo Pagani, de aproximadamente 35 anos, foi atingida por um disparo no braço direito, mas não corre risco de morte.

Conforme o JC apurou, a suspeita de tentativa de assalto é a mais considerada pela polícia, mas ainda não está descartada a hipótese de que o crime tenha ocorrido em uma possível represália ao escritório de engenharia e assessoria. Informações preliminares dão conta de que a empresa estaria sendo contestada por supostas irregularidades cometidas na construção de um conjunto de casas na zona oeste da cidade, em um impasse que ainda não teria sido solucionado.

"Estamos respeitando todas as versões, mas o mais provável é que um grupo muito inexperiente tenha tentado assaltar o escritório, visto que agiram de maneira muito amadora, atirando contra uma das vítimas", observa o delegado seccional Benedito Antonio Valencise.

A Polícia Militar (PM) chegou a realizar buscas na região oeste, mas não encontrou nenhum suspeito. Ainda hoje, espera ter acesso às imagens gravadas por uma câmera posicionada no muro de uma residência que fica em frente ao escritório e que registrou a ação dos criminosos.

"Inicialmente, cogitou-se a possibilidade de eles terem fugido em um Fiesta prata e em uma motocicleta vermelha, pela rua logo acima (rua Rubens Arruda). Mas, pelas imagens, pudemos verificar que os três fugiram inicialmente a pé, em direção à rua abaixo do escritório (Professor Luiz Braga)", revela o tenente Vitor Mello, comandante da Base Comunitária Sul da PM.

Conforme relataram funcionários, os três homens invadiram o quintal do imóvel por volta das 13h45 e tentaram arrombar a porta dos fundos do escritório, onde funciona o departamento de planejamento. Era horário de almoço e, dos cerca de 20 empregados da empresa, apenas seis esperavam o retorno do expediente.

"A gente estava conversando e, de repente, ouvimos um estrondo, que eu acredito ter sido um tiro. Fomos até o departamento para ver o que era e nos deparamos com os três encapuzados, tentando forçar a porta para entrar", lembra a auxiliar de escritório Letícia Cáceres de Cavalcanti.


Tiro a esmo


Assustados, os funcionários começaram a gritar, enquanto um dos assaltantes conseguiu abrir uma fresta na porta - que era composta por duas folhas e estava com uma trava. Ele conseguiu, numa abertura de cerca de 10 centímetros, introduzir o revólver e atirou a esmo.

"É completamente descartada qualquer possibilidade de a Fernanda ser o alvo deste absurdo", salientou o proprietário do escritório de engenharia, Paulo Gobbo. Ele, entretanto, não entrou em detalhes sobre uma eventual desavença com moradores de uma construção sob responsabilidade da empresa.

Segundo Gobbo, o escritório não trabalha com grandes volumes de dinheiro e realiza toda a movimentação financeira, como o depósito do salário dos funcionários, diretamente em conta corrente.

Conforme o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, depois de atirar, os três homens teriam fugido pelo mesmo caminho por onde entraram, sem levar nenhum objeto de valor, o que foi confirmado pelo proprietário do escritório. Ainda ontem a PM realizou uma série de diligências e abordagens em vários bairros de Bauru para tentar localizar os autores, mas ninguém foi capturado.

Como o escritório não possuía sistema de monitoramento, foi preciso recorrer às câmeras filmadoras de casas e estabelecimentos comerciais das imediações para tentar identificar os culpados.

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Investigação rigorosa


Há dúvidas no ar sobre os motivos de marginais encapuzados invadirem um escritório em plena luz do dia e, de forma absurdamente ousada, atirarem em uma pessoa. O roubo é a primeira hipótese com a qual a polícia trabalha. É grave. Mas se foi alguma retaliação ou assassinato planejado, é certo que os bandidos quase conseguiram produzir mais uma tragédia. Seria mais grave ainda. O caso merece investigação e apuração rigorosas para que se encontre os responsáveis. Só com punição exemplar a criminalidade pode arrefecer.

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Funcionária mais antiga


A engenheira de planejamento Fernanda de Araújo Pagani é a funcionária mais antiga do escritório de engenharia que foi invadido por três homens encapuzados, ontem. Segundo o proprietário, Paulo Gobbo, há oito meses a empresa transferiu suas instalações para o Jardim Estoril, na avenida Comendador José da Silva Martha. Mas foi inaugurada há quatro anos, época em que Fernanda foi contratada.

"Jamais esperávamos viver uma situação dessas mas, por sorte nada grave aconteceu com ela. O escritório contava apenas com cerca elétrica e alarme, aqui é um bairro calmo. Mas, agora, vamos providenciar guarda e câmeras para evitar que isso aconteça de novo", antecipa o empresário.

Fernanda foi atingida por um disparo de arma de fogo no braço direito, próximo ao ombro. O projétil transfixou o membro, mas ela permaneceu consciente o tempo todo, até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que a encaminhou ao Pronto-Socorro Central (PSC). Até o fechamento desta edição, a informação é de que a vítima passava bem.

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Polícia busca suspeitos


Conforme informações da Polícia Militar (PM), as imagens registradas por câmeras de monitoramento apontaram que os três homens que invadiram o escritório de engenharia e atiraram contra uma funcionária teriam fugido pela Comendador José da Silva Martha no sentido Centro-bairro a pé, e seguido pela rua Professor Luiz Braga. Testemunhas relataram ainda terem avistado o grupo na rua Floriano Peixoto.

Com apoio do helicóptero Águia da PM, buscas foram realizadas em um bairro da zona oeste de Bauru, além de abordagens em vários pontos da cidade a pessoas que possuíam características físicas semelhantes a dos suspeitos, conforme descrição dada pelas vítimas. Segundo testemunhas, um deles seria alto, magro, com cabelo na altura do ombro e usava boné branco e camiseta branca com estampa no momento do crime.

O segundo vestia camiseta azul com listras brancas, tênis com detalhes em vermelho, era moreno com aparentes 25 anos e aproximadamente 1,70 metro de altura. O terceiro homem trajava camiseta vermelha.

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Crime movimentou a região


A invasão do escritório de engenharia em uma das avenidas mais movimentadas de Bauru deixou a região ainda mais agitada. Mais de uma dezena de viaturas policiais se deslocaram até o endereço do escritório, na quadra 7 da avenida Comendador José da Silva Martha. Além de veículos do policiamento de área, da Força Tática, a ocorrência mobilizou motocicletas do Policiamento de Trânsito e o helicóptero Águia da PM.

A imprensa bauruense, assim como populares, se aglomeraram em frente à empresa ao longo de toda a tarde. Por conta de toda a movimentação, até mesmo uma colisão traseira entre dois veículos que seguiam no sentido bairro-Centro foi registrada.

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