Esportes

Seleção Brasileira: Fim da freguesia?


| Tempo de leitura: 3 min

A Seleção Brasileira entra em campo nesta quarta-feira, às 18h, no Stade de France, com um desafio duplo: acabar com um tabu de quase 20 anos sem vencer a França e conquistar a primeira vitória contra uma equipe tradicional do futebol mundial na era Mano Menezes. Em Paris, a Seleção enfrenta o seu maior carrasco das últimas duas décadas na esperança de lançar de fato o projeto para a formação de uma base capaz de disputar a Copa do Mundo de 2014, em casa, como a grande favorita.

De ambos os lados do campo, as seleções estarão lutando na realidade para recuperar a imagem duramente arranhada com o fiasco no Mundial da África do Sul. Ambas se esforçam para promover profundas renovações e reconquistar os torcedores. Já para os jogadores, a partida é um verdadeiro vestibular para conquistar a confiança de seus respectivos treinadores e um lugar em suas seleções em construção. Trinta dos 46 jogadores convocados pelas duas equipes têm menos de 25 anos e quase todos ainda lutam por um lugar no time.

Do lado brasileiro, um meio de campo inédito e zagueiros jovens passarão por uma prova de fogo e um teste crítico para começar a determinar quem é que ficará para a Copa América, na Argentina, em julho. Do lado francês, o novo time de Laurent Blanc terá de provar à sua torcida que o fiasco da Copa de 2010 é coisa do passado e que não há porque ter saudosismo da época de Zidane.

Para o técnico Mano Menezes, o momento também é de mostrar que seu projeto pode dar frutos. Para isso, precisa da primeira vitória contra uma seleção de peso. Por enquanto, foram três vitórias, mas contra times fracos - Ucrânia, Irã e Estados Unidos. No primeiro teste real - contra a Argentina, em novembro - Messi colocou um fim à invencibilidade. Mano e seu projeto ainda tem crédito. Mas uma segunda derrota consecutiva para uma equipe de peso começaria a estremecer as bases da Seleção.

Outro desafio será o de romper o tabu francês e nada melhor que o fim de 19 anos de jejum é uma revanche para isso. Em número de vitórias, o Brasil ainda leva vantagem sobre a França. São cinco vitórias, quatro derrotas e quatro empates. Mas os números escondem uma realidade bem mais dramática. A França impediu a conquista da medalha de ouro pelo Brasil nas Olimpíadas de 1984, eliminou o Brasil na Copa do Mundo de 1986, humilhou a Seleção de Zagallo na final do Mundial de 1998 e, em 2001, mandou a Seleção de volta para casa na Copa das Confederações.

A última grande derrota ocorreu na Copa de 2006, quando Zidane deu um baile no time de estrelas do Brasil nas quartas de final e deu um fim à era de Cafú, Roberto Carlos e Ronaldo. A última vitória do Brasil data de 1992, em um amistoso sem graça e onde o maior astro foi a presença de Ayrton Senna dando o pontapé inicial. Nem o estádio onde ocorre o jogo nesta quarta existia e a maioria da equipe de Mano tinha entre dois e quatro anos de idade.

Laurent Blanc, técnico da França, admite que o Brasil traz "lindas memórias de vitórias aos torcedores franceses". Mas tenta minimizar o peso dos resultados no jogo. "De tudo o que ocorreu em 1998, só fica mesmo o estádio. O resto é tudo diferente. Os jogadores, o momento", disse Blanc. "Não estamos na mesma época. Além disso, quando a bola rola, ninguém pensa nisso", afirmou.
A situação que vive o Brasil e a França hoje faz os "anos dourados" de ambas equipes parecerem apenas miragem. Entre 1994 e 2004, quase todos os campeonatos haviam sido vencidos por uma das duas seleções. De um total de oito competições organizadas pela Fifa nesse período, seis foram vencidas ou pelo Brasil ou pela França. O domínio era tão grande que o jogo que comemorou os 100 anos da Fifa, em 2004, foi disputado justamente entre Brasil e França. Nesta quarta, esse reinado parece fazer parte da história.

Comentários

Comentários