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Dr. Automóvel: Garantia de 3 anos

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min
Nosso amigo leitor Paulo Cesar Simões nos escreveu pedindo informações sobre troca de óleo de câmbio e diferencial. Vejamos a pergunta: "Boa tarde, gostaria que comentasse em sua coluna sobre a troca de óleo de câmbio e diferencial, pois tenho um Gol bola 98 e com 20 mil km troquei o óleo de câmbio e coloquei um Bardahl para transmissão e diferencial. Isto é correto? Eu acho que sim, pois o mesmo fica entre dentes de engrenagem. Gostaria de saber muito da sua opinião." Na verdade, não é necessário nem indicado nessa quilometragem. Com 20.000 km apenas, tanto o câmbio quanto o diferencial estão recém amaciados e não necessitam de aditivos. Os dentes das engrenagens do câmbio e diferencial, principalmente este último, trabalham com muita compressão nos dentes e o óleo serve tanto para lubrificar as partes em contato quanto para resfriar o sistema. Se o óleo estiver novo e limpo, em uso normal não precisa colocar mais nada nele, senão viria de fábrica uma recomendação para tal. Em caso de uso profissional muito exigido como em transportes de cargas ou em competições, que não são condições normais de uso, aí sim se recomenda um aditivo específico para reforçar estas características de uso severo. Já que pediu minha opinião, lá vai: acho bobagem gastar dinheiro com aditivos quando o uso é em carro normal de rua ou estrada. Em jipes, quando sua utilização é muito mais exigida em trilhas, por exemplo, se recomenda um aditivo tanto para o câmbio quanto para os diferenciais, mas nunca quando as engrenagens ainda estão novas. Isto porque há um desgaste natural dos dentes no início, devido à ajustagem e acasalamento. Portanto, é importante que os dentes se desgastem um pouco até assentarem por completo, que é o verdadeiro amaciamento do conjunto, que proporcionará um movimento suave e sem ruído. Quando o sistema estiver mais rodado e perfeitamente amaciado, se recomenda colocar um aditivo específico para reforçar a viscosidade do óleo e manter o filme de lubrificante sobre as peças em contato. O ideal é até usar um aditivo Molikote, com bissulfeto de molibdênio, que reforça os dentes das engrenagens e evita o desgaste, por isso que é recomendado só usar este aditivo quando tudo já estiver devidamente amaciado. O lubrificante da Bardahl especificado pelo Paulo Cesar é um óleo com característica polar, ou seja, contém partículas polarizadas em sua composição que permitem uma maior adesão do óleo às superfícies em contato, o que ajuda em manter o filme de óleo sobre as peças mesmo quando o veículo estiver desligado. Ajuda muito em partidas a frio, evitando engripamento. Mas insisto, só é necessário em condições severas de uso, não no dia a dia. No caso do Paulo Cesar descrito acima, ele está na verdade superprotegendo seu carro, até desnecessariamente, o que é louvável. Mas existem aqueles "espertinhos" que gostam de levar vantagem sobre os outros e usam de expedientes semelhantes, só que para o mal. Vejo em reportagens e fóruns de internet que muitos alegam que "vão vender o carro e o motor está muito rodado, rajando, batendo e fazendo barulho, por isso quero colocar um aditivo para tirar o barulho e dar um tapa no motor...". É claro que motor rajando ou fazendo barulho significa que ele tem folgas sérias devido à alta quilometragem e ao desgaste de mancais, casquilhos, bronzinas e pistões que, na verdade, precisam de um reparo urgente com troca ou retífica. E é mais óbvio ainda que se colocarmos um óleo mais grosso que o especificado (óleo 40 monoviscoso, por exemplo) ou um aditivo que aumente a viscosidade do óleo normal, estas folgas aparentemente diminuirão e os ruídos também. Isto é recomendado quando precisar adiar o conserto por um tempo, mas passar o carro para frente assim é estelionato que deveria ser punido, pois o futuro comprador pensa estar comprando um carro em boas condições e estará levando uma bomba relógio para casa. Este tipo de picaretagem é velho e ainda muito comum hoje em dia, infelizmente. Para evitar dores de cabeça posteriores, ao comprar um carro usado minha recomendação é bem simples: como todo usado tem por lei garantia de motor e câmbio por no mínimo 3 meses, assim que comprar o carro proceda a uma troca completa dos óleos de motor, câmbio e diferencial, por outros de mesma especificação original. Se o motor passar a rajar ou fizer ruídos diferentes, reclame com o vendedor ou faça um B.O., que aí tem coisa...

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