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Planalto rebate críticas contra Belo Monte; índios são recebido após as manifestações

Folhapress
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Brasília - O Palácio do Planalto escalou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, para rebater críticas de lideranças indígenas de que as aldeias do Xingu (PA) não estão sendo ouvidas no processo de construção da hidrelétrica de Belo Monte. Anteontem, o líder indígena Ierô Caiapó disse em Brasília que, se as obras continuarem, vai haver "problemas". "Vai ter briga, morte e doença", afirmou Caiapó, que foi recebido ontem pelo secretário executivo da Secretaria Geral da Presidência, Rogério Santili. Cerca de 100 índios fizeram uma manifestação na Praça dos Três Poderes para reclamar que o governo não tem diálogo com as comunidades nativas. Ontem, Tolmasquim sugeriu, em entrevista no Planalto, que o movimento contra a usina está sendo orquestrado por "cineastas internacionais". Questionado se estava desqualificando as lideranças que estiveram anteontem em Brasília, Tolmasquim respondeu que não. Ele disse que é preciso saber se todos os índios estão insatisfeitos. "É difícil ir contra uma posição. É preciso saber se essa posição (contrária à usina) é da maioria do País. A gente quer que o bom senso prevaleça. O que não pode é o país ficar imobilizado", disse. Ele disse que o governo abriu mão da construção de outras usinas a montante do Xingu porque os projetos colocavam em risco as aldeias. Ao defender a usina, ele disse que o lago de Belo Monte, previsto anteriormente para ocupar uma área de 1,2 mil quilômetros quadrados, terá pelo projeto atual 500 quilômetros quadrados. Ireô Caiapó é o mesmo que participou da agressão ao engenheiro da Eletrobras Paulo Fernando Rezende, em 2008. Na ocasião, quando discursava aos índios em Altamira sobre benefícios da usina, foi atacado com um golpe de facão. Segundo ele, a comissão recebida no Palácio do Planalto após protestos em frente à sede do governo entregou um documento pedindo que o governo desista da construção de Belo Monte."Vim para falar que somos contra, que não queremos Belo Monte. Se o Governo pudesse me ouvir, queria dizer que não construam a usina", declarou o cacique Raoni Metuktire, da tribo caiapó e conhecido no mundo todo desde 1989, quando o cantor britânico Sting se uniu à campanha de defesa do Parque Indígena do Xingu, onde será construída a hidrelétrica.

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