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Inflação "oficial" vai a 0,83% e é a maior desde abril 2005

Folhapress
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Rio - A inflação do IPCA, o índice oficial do sistema de metas, ficou em 0,83% em janeiro, o maior resultado (junto como de novembro de 2010) desde abril de 2005, quando foi de 0,87%. O IPCA em doze meses subiu de 5,91%, até dezembro, para 5,99%, até janeiro. Agora, segundo analistas, é possível que a inflação em 12 meses ultrapasse o teto da margem de tolerância do sistema de metas, de 6,5%, em meados de 2011. Trazer o IPCA de volta a 4,5%, o centro da meta, no final deste ano é considerado virtualmente impossível, e parte expressiva do mercado já aposta que isto não ocorrerá nem em 2012. Em janeiro, o IPCA foi puxado pelos itens ?alimentação e bebidas?, que teve alta de 1,16%, e transportes, com 1,55%. Esses dois itens contribuíram com 0,56 ponto porcentual do IPCA de 0,83% de janeiro, causando, portanto, 67% da inflação do mês. O maior impacto veio do aumento de 4,13% nas tarifas dos ônibus urbanos, puxado pelas altas em São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Salvador. No caso de alimentação e bebidas, houve um recuo em janeiro em relação à alta de 1,32% em dezembro. Felipe Tâmega, economista-chefe do grupo Modal, nota que o complexo carne, e em especial a carne de porco, está contribuindo para conter a alta dos alimentos.
Alimentos
A maior alta da alimentação, de 1,86%, ocorreu na região metropolitana do Rio de Janeiro, por causas das chuvas que provocaram estragos nas lavouras da região serrana. Alguns aumentos expressivos no IPCA de janeiro foram o dos tomates, com 27,1%, cenoura (22,32%) e hortaliças (15,57%).
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que apura a inflação para famílias com rendimento mensal de 1 a 6 salários mínimos, foi de 0,94% em janeiro, ante 0,60% em dezembro. O INPC é utilizado em geral para os reajustes salariais.Mantega diz ser esperado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o resultado da inflação medida pelo IPCA em janeiro, já era esperado. "O IPCA de janeiro já era esperado um pouco mais forte, porque juntou inflação de commodities, que está forte no mundo todo, com a pressão de janeiro, mês que costuma ter uma pressão de transportes forte e de educação. Todo janeiro tem isso. Então chegou a esse resultado, parecido com janeiro do ano passado, que também foi forte (0,75%)", afirmou. Contudo, ele afirmou que o resultado não é um problema para o Brasil, já que fatores como educação e transportes devem arrefecer o ritmo de alta de preços nos próximos meses. "E mesmo commodities também estão num patamar elevado no mundo e eu acredito que vão ter uma trajetória descendente ou estável nos próximos meses. Significa que nos próximos índices a tendência é de arrefecer essa inflação", disse.

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