Apesar de especialistas ainda não terem uma resposta concreta para o tremor misterioso, grande parte da população já elegeu o motivo mais provável: um meteorito ou qualquer outro objeto que caiu do céu. Por meio de alguns depoimentos de pessoas que afirmam ter visto algo entre as nuvens, a ideia ganhou força e foi citada até mesmo por pessoas de localidades mais distantes.
O advogado Edgar José Adabo estava chegando em Itápolis, cidade localizada a 100 quilômetros de Bauru, e afirma ter visto uma "bola de fogo" cruzando o céu em direção à região afetada.
"Estava muito alto e vinha de forma veloz. De onde estávamos, tinha o tamanho de uma bola de futebol. Ia em direção a essa região, de Agudos e Pederneiras. Vimos por alguns segundos e depois ele virou um clarão, um espécie de fogos de artifícios", conta.
A impressão primária de Adabo é a de que o objeto havia caído em Ibitinga, tanto que ele ligou para um amigo a fim de saber se havia ocorrido algo. "Quando cheguei em casa e fiquei sabendo do que ocorreu aí na região (de Bauru), tive certeza que foi o que eu vi. Deixava um rastro de fumaça entre as nuvens e impressionou pela claridade que soltava, mesmo sendo de dia".
A dona de casa Dinamara de Almeida Batista, em Pederneiras, relata que, um minuto antes de ouvir o forte estrondo, avistou um risco diagonal vindo do céu, indicando que algo tivesse caído. "Minha filha pensou que fosse um raio, mas se fosse mesmo, a gente não estaria viva. De nuvem, tinha apenas uma pequena do outro lado do céu", afirma.
Algumas pessoas que percorriam a zona rural de Bauru também contaram ter visto risco semelhante cruzando o céu e deixando um rastro de fumaça.
Objeto grande
Contudo, o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP Roberto Dias da Costa afirma que a hipótese é pouco provável. "Para causar o impacto que as pessoas dizem e afetar tamanha área, seria preciso cair um objeto muito grande. Seria algo com, no mínimo, diâmetro de 0,5 metro ou um metro", explica.
De acordo com ele, muitos meteoritos entram frequentemente na Terra, porém, como são de tamanho reduzido, eles acabam nem chegando ao solo. "Quando é algo com diâmetro em centímetros, ele entra na atmosfera e, com o atrito, queima antes de chegar no solo". A mesma teoria vale para um possível fragmento de satélite artificial.
O professor Costa ainda aponta que, "caso o objeto fosse grande a ponto de causar tal impacto, abriria uma grande cratera grande no solo", algo que não foi localizado até o fechamento desta edição.
Não havia aeronaves supersônicas na região
Logo que o tremor misterioso ocorreu, muitos teorizaram que o fato poderia ter sido ocasionado por um avião que quebrou a barreira do som. Tal possibilidade foi levantada pela vibração e, principalmente, pelo grande barulho descrito pelos moradores.
Entretanto, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer, que tem fábrica em Gavião Peixoto, descartaram a possibilidade do fenômeno ter sido provocado por suas aeronaves rompendo a barreira do som.
Procura
O JC entrou em contato ontem com bases da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros de toda a região. Em todas as cidades, ninguém conseguiu encontrar qualquer indício do que poderia ter causado o fenômeno.
A Base de Patrulha Aérea da PM de Bauru informou que utilizou até mesmo o helicóptero Águia para procurar algo em Pederneiras, entretanto, nada foi localizado.
Outras cidades como Lençóis Paulista, Borebi e Agudos também tentaram, em vão, encontrar a causa do estrondo misterioso. Conforme o relato de algumas pessoas que disseram ter visto algo no céu, o objetivo era encontrar um meteorito ou mesmo uma cratera resultante da queda.
Após estrondo, sensação foi de de ar deslocado
Funcionários de uma fábrica na cidade de Agudos relatam ter sentido deslocamento do ar no momento em que ouviram forte estrondo na tarde de anteontem. O engenheiro Leonardo Reis Alves Silva conta que sentiu o ar na direção de seu rosto e que o som parecia com o de um pneu estourando.
Já um técnico da fábrica, que preferiu não ser identificado, relata que a corrente de ar chegou a balançar suas roupas. "Eu estava ao ar livre e não tive a sensação de tremor, mas colegas que trabalham dentro da fábrica disseram que as divisórias das salas tremeram muito", afirma.