Conselheira tutelar leva soco de menino de 13 anos! Aluno agride professor! Menores se embebedam e se drogam! Criança é presa com mais de 50 pedras de crack! Adolescente é pego dirigindo! E não são apenas casos policiais: tem também a falta de respeito com o idoso, com os pais, a sexualidade permissiva, o "eu posso tudo" e o famoso "fiquei grávida sem querer". E assim vamos criando uma geração (com raras exceções) de irresponsáveis, jovens sem limites, preguiçosos, impiedosos, promíscuos, sem religião, onde valores morais e éticos são ridicularizados. Estamos criando uma geração onde o respeito é conseguido pela posse de bens materiais, pela força do soco ou por quanto eu consigo ser "esperto". A popularidade é conseguida pela beleza física, por quantos meninos se beija na mesma noite, por quantas meninas já "catei", ou quão legal os pais são. Atenção: pai legal é aquele que empresta o carro pro filho menor, compra e permite o uso de álcool, cigarros e narguilé, não impõe horário para se chegar em casa, tem plena convicção que é o professor que persegue seu anjinho e permite transar dentro de casa por que é mais seguro. Digo que vamos criando por que toda sociedade está envolvida na formação do novo adulto. Estamos numa época de "normalidade", tudo é normal, tudo é permitido, menos repreender ou castigar os filhos pois isso causa traumas ou interrompe seu desenvolvimento criativo e de personalidade. Oras, que personalidade? Personalidade egoísta, mesquinha e perversa? Precisamos rever conceitos, atitudes e valores. Precisamos olhar pra trás e ver onde nos perdemos. Descobrir onde confundimos o real significado do "é proibido proibir" que deixou de ter sentido libertário e igualitário para assumir esse aspecto permissivo e danoso. Contudo, de toda sociedade, os pais tem a maior culpa nesse processo de educação das crianças. Muitos pais querem gozar as alegrias de ter um filho, mas não querem arcar com as responsabilidades de encaminhá-lo para o bem e com o trabalho que dá educar um filho. Em alguns casos só querem mesmo é fazer sexo, o filho nasce por acaso. Desculpam-se dizendo "Deus deu, nóis cria". Ou, como ocorre atualmente, os avós criam. De um lado ficam as crianças da periferia cujos pais muitas vezes não têm como segurar seus filhos, perdem eles para a marginalidade, para o tráfico, para uma realidade que seus poucos vinténs não o permitem se afastar dessa situação. Pais que amam seus filhos e chegam ao extremo de acorrentá-los para evitar que se percam, mas aí é ele que é punido ao invés de ser ajudado. Também tem os pais que facilmente abandonam seus filhos, não se sentem verdadeiramente pais e mães no sentido poético que entendemos esses termos tão divinos. Também é preciso entender que muitos destes pais já cresceram nesta realidade, e que esta é a sua "normalidade". Não conhecem outro modo de vida. Do outro lado, onde ficam as casas com tapetes e porcelanatos, nascem os filhos de pais que "se importam" com a educação de suas crianças e o desenvolvimento sadio de seus filhos. Mandam suas crianças para as melhores escolas, academias, cursos de idiomas, viagens, etc. Dão acesso ilimitado à internet, celular, tênis e roupas da moda. Não medem esforços para seus filhos serem vencedores. E para conseguir isso é preciso trabalhar, tanto o pai quanto à mãe, já que neste mundo tudo é tão caro. O filho é criado pela professora, pela babá, pela catequista, pela monitora. E é bem criado, não educado. Quem educa são os pais e, neste caso, os pais não tem tempo. Estão trabalhando. Disso surge um problema ainda mais grave: a mendicância pelo amor do filho. Como é preciso trabalhar para manter o padrão de vida, passam poucas horas com seus filhos. Poucas e sem qualidade alguma. Os pais se sentem culpados por não poderem dar atenção e se sentem constrangidos de impor limites. Como vou falar não pro meu filho? Ele precisa saber que sou um pai legal, que eu o amo! E o cansaço? Trabalhando o dia inteiro chega-se em casa um bagaço e resta pouco tempo para ver a novela ou o jornal da TV. Tempo para conversar e escutar os filhos, conferir sua lição de casa, saber como anda seu rendimento escolar e seu comportamento é que não existe mesmo. O filho consegue o que quer com os argumentos de que "todos meus amigos podem ou todos meus amigo têm". E os pais, que não podem passar por antiquados, também permitem, também compram. Quem não escuta o não, não sabe o valor do sim! Em qualquer situação ser pai não é fácil. Nunca foi. Mas é imprescindível ser responsável. Inclusive criminalmente. Somente quando os pais forem responsabilizados e penalizados pelas atitudes inconseqüentes de seus filhos menores é que haverá alguma mudança. Não digo que devemos voltar à época da educação pelo cinto, mas não podemos aceitar tantos "sinto muito" como desculpa. Graças à Deus, de vez em quando, ainda recebemos notícias como desta jovem bauruense que vai cursar medicina na Rússia. Jovens que embora raros, são exemplos. Merecia uma reportagem de três folhas na edição de domingo. Precisamos valorizar esses exemplos e suas famílias. Esses jovens sim merecem ser notícia.
José Luiz Prata
José Luiz Prata