Tribuna do Leitor

Secretaria de Cultura


| Tempo de leitura: 2 min
Esta era uma decisão já esperada. As discussões ocorridas recentemente na cidade, tendo como tema a questão da cultura, demonstraram a total ausência de planejamento do governo. O setor cultural é visto como ações ou programas desarticulados (oficinas, exposições, bienais, eventos de mercado, etc.) e não é considerado constitutivo da vida das comunidades nem fundamental para o desenvolvimento social e cultural e a melhoria da qualidade de vida. Necessitamos em Bauru, e com urgência, definir uma política municipal de cultura articulada com o desenvolvimento local e incluindo prioridades e estratégias no plano de governo, inexistentes há muito tempo. Esta decisão não é técnica, é política. Este é o desafio imposto aos operadores do setor de cultura e ao prefeito Rodrigo, que agora tem a oportunidade de fazer aquilo que dele se espera, e que não foi feito em dois anos. A cultura no município não pode continuar a ter lugar apenas na secretaria, tão pouco se restringir às atividades culturais realizadas nos “ditos templos” da cultura (teatro, biblioteca, museu, etc). Deve encontrar o caminho para as casas, as ruas, o bairro, a escola, a igreja, as secretarias, as associações e sindicatos. O papel da cultura é levar o cidadão a realizar sua cidadania e participar ativamente da vida da cidade. Este é o primeiro passo para chegarmos à Democracia Cultural, possibilitando aos cidadãos participarem da vida cultural do município, apropriando-se de instrumentos e meios necessários para desenvolver suas próprias práticas culturais. Como estratégia, o governo municipal deveria adotar a promoção de atividades culturais onde o público seja participante ativo, incrementando a cultura local a partir de suas referências, sem desconsiderar a arte chamada “erudita”. O central deve ser trabalhar com a cultura local, priorizando a cultura por todos. O mais importante deixa de ser o acesso aos bens culturais e passa a ser a participação na criação e nos processos culturais. O prefeito tem a oportunidade, se quiser, de dialogar com os operadores de cultura, com os servidores da secretária, e buscar um novo secretário ou secretária de cultura que reúna as competências necessárias para dar curso na prática a este projeto.
Roque Ferreira - vereador do PT - Bauru

Comentários

Comentários