Brasília - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem que o apagão da última sexta-feira no Nordeste não teria se alastrado tanto caso uma linha de transmissão próxima à subestação de Luiz Gonzaga - entre Pernambuco e Bahia - origem da pane, não estivesse em manutenção. "Se não tivesse em manutenção não teria havido toda a extensão que houve. Mas a manutenção dela era uma coisa necessária", disse. Como medida pós-apagão, Lobão afirmou ter recomendado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma avaliação urgente de todas as linhas de transmissão e todas as subestações. O ministro não deixou claro se são de todo o país ou apenas do Nordeste. O Relatório de Análise de Perturbação (RAP), documento conclusivo sobre a pane, deve ficar pronto até no máximo próxima semana, afirmou. Sobre a reunião de anteontem do setor elétrico com Dilma Rousseff, Lobão negou que a presidente tenha reclamado da justificativa dada para a pane elétrica. Segundo ele, Dilma não gostou do incidente em si. Em reunião bastante tensa que adentrou até tarde da noite da última terça-feira para tratar do apagão do Nordeste, Dilma exigiu da Aneel que intensifique a fiscalização preventiva nas principais linhas de transmissão e subestações do País. E que todas as explicações técnicas sobre a causa do incidente, que deixou 46 milhões de pessoas no escuro, estejam nas mãos dela até hoje ou, no máximo, até o início da semana que vem. "O estilo dela é de cobrar e é de cobrar mesmo. Ela quer saber tudo nos mínimos detalhes", revelou uma fonte que participou da reunião.
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