Trânsito de Capital em pleno Interior de São Paulo. É exatamente esse o cenário encontrado em algumas vias urbanas de Bauru nos conhecidos horários de pico, quando pessoas entram e saem dos seus locais de trabalho. O problema ainda se agrava agora, uma vez que as aulas recomeçam e o fluxo de veículos aumenta e se concentra em alguns pontos. A reportagem percorreu ontem a extensão da Duque de Caxias e constatou o grande movimento.
Por volta das 18h, o trânsito na avenida, que já é considerável durante todo o dia, rapidamente se multiplica. As buzinadas constantes são o maior reflexo da impaciência dos motoristas. Impaciência que, muitas vezes, se transforma em imprudência. Na tentativa de ganhar alguns segundos, é comum ver um ou outro condutor ultrapassando o sinal vermelho.
Apesar de a grande maioria da frota ser composta por automóveis, as motocicletas também disputam os vagos e comprimidos espaços. Por meio dos "corredores" - lacuna entre as duas filas de veículos -, elas ultrapassam, muitas vezes, sem sequer reduzir a velocidade.
No sentido Camélias-Vila Falcão, conforme a numeração das quadras diminui, o problema vai aumentando. Exatamente sobre o viaduto da Nações Unidas, é nítido o agravamento do fluxo na intersecção dessas duas vias de grande tráfego. No acesso da Nações à Duque, os veículos se apertam e esperam por um bom tempo até a oportunidade de conseguirem ingressar naquela enorme fila. E, enquanto isso, tome buzinaço.
Outra questão são os pontos de radares. Apesar de a medida ter sido implantada com o objetivo de reduzir a velocidade e os acidentes, nos locais onde os equipamentos estão instalados, os motoristas, precavidos, tornam o trânsito ainda mais lento.
Tal rotina na avenida, que em algumas vezes demora mais de meia hora para a finalização do trajeto, já se tornou comum aos motoristas. Entretanto, comum não é sinônimo de confortável. E quem sente que o problema piorou nos últimos dias pode encontrar uma provável causa: a volta às aulas.
Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, tenente Roberto Trujillo Júnior, tanto o retorno dos alunos no ensino fundamental e médio quanto nas faculdades e universidades de Bauru refletem no trânsito.
"Em relação ao recomeço das aulas nos ensinos fundamental e médio não ocorre o aumento da frota propriamente. O que há é uma mudança de comportamento. Como os pais vão levar e buscar seus filhos, acaba ocorrendo uma concentração de veículos nos locais onde há escolas", aponta.
Já sobre universidades e faculdades ? a maioria das instituições já retomou as aulas em Bauru -, o tenente Trujillo informa que, com o início do ano letivo, há realmente uma injeção de veículos na frota da cidade. "Com o público universitário, estimamos que o número de veículos aumente de 20% a 30%. Bauru tem instituições de renome que atraem alunos até de outros Estados e, com isso, muitos chegam de carro para estudar na cidade".
Reflexos nas ?artérias?
Assim, ambos reflexos das retomadas das aulas acabam incidindo sobre vias como a Duque de Caxias e colaboram para a formação de "trânsito de capital?. "Avenidas como essas são artérias da cidade. Elas ligam várias regiões e funcionam como pontos de acesso para as mais diversas áreas. Por isso, sentem o reflexo de qualquer mudança que ocorra no trânsito".
No ano passado, com crescimento anual médio de 4%, o JC divulgou que a frota bauruense atingiu a marca expressiva de 200 mil veículos em julho. Os principais responsáveis por esse número, divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo, foram a facilidade para a aquisição de automóveis após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a ampliação de linhas de crédito bancárias.
Vias alternativas
O tenente Roberto Trujillo Júnior, comandante do Pelotão de Trânsito, explica que é necessária uma mudança de comportamento do motorista bauruense para que o problema do tráfego congestionado seja amenizado. Segundo ele, é preciso que as vias alternativas passem a ser utilizadas.
"Sempre há vias laterais e perpendiculares que podem levar o motorista ao seu destino. Na Duque de Caxias, por exemplo, há várias ruas como a Capitão Gomes Duarte, a Joaquim da Silva Martha e a Saint Martin que podem ser utilizadas".
O comandante do Pelotão de Trânsito ainda explicita que as vias alternativas são uma realidade em cidades como Curitiba e até na própria São Paulo, onde existem placas indicativas de tais rotas. "É algo que a população precisa aderir. Muitas vezes, a pessoa opta pelo caminho mais curto e segue por uma via congestionada. Se ela fosse pelo outro percurso mais longo, porém, com menos tráfego, ela chegaria muito mais rápido ao destino", conclui.
Motoristas reclamam do tráfego na Duque
Apesar de o problema do trânsito em horários de rush na avenida Duque de Caxias já ter virado uma rotina aos motoristas, eles não deixam de reclamar. "Eu preciso passar por aqui todo o dia. Chego a perder mais de 20 minutos para andar cerca de dois quilômetros. Não dá mais para continuar assim", desabafa Andrea Subtoni, 22 anos.
A mesma opinião sustenta o vendedor Adriano Bataieiro, 25 anos, que classifica o tráfego na avenida como uma "grande porcaria". "Precisa melhorar muito. Eu sou obrigado a passar na Duque diariamente e sempre encontro o mesmo problema. Perco meia hora do dia. Precisa fazer algo para melhorar urgente".
Já Marcos Vinícius Cunha, 38 anos, vai mais além. Para ele, o trânsito na via não é uma "porcaria", mas sim um "verdadeiro inferno". "Eu passo pouco por aqui. Até mesmo por já saber do problema, tento evitar. Mas sempre que venho aqui, o trânsito está um verdadeiro inferno", aponta o motorista, evidenciando que o problema é conhecido até por quem não tem a Duque de Caxias como rota fixa em seu cotidiano.
Questionados sobre os motivos de não utilizarem vias de acesso alternativas, eles apontam que até mesmo essas rotas estão congestionadas e ainda pensam que o desvio no caminho não compensaria.
De acordo com o comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, tenente Roberto Trujillo Júnior, a avenida realmente é uma das áreas críticas de Bauru e, por isso, há ações sobre ela. "Além do patrulhamento presente que fazemos em vias como a Duque de Caxias em horários de pico, também atuamos na conscientização. O trânsito é comportamento. Desse modo, a mudança no comportamento é a melhor forma para melhorar o tráfego", conclui.