Bogotá - O governo colombiano acusou ontem as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) de sequestrar dois funcionários de uma multinacional no departamento colombiano de Cauca, no mesmo dia em que iniciaram o processo de libertar cinco reféns com a ajuda de dois helicópteros das Forças Armadas brasileiras. Os sequestros foram informados pelo presidente Juan Manuel Santos, que aproveitou para apontar dupla moral dos guerrilheiros "por um lado libertando reféns, como um gesto de generosidade, e, por outro, sequestrando". Os novos reféns são Freddy Cuenca e Orlando Valdez, funcionários de uma empresa florestal, sequestrados na tarde de ontem na área de El Tambo, no departamento do Cauca. As autoridades militares atribuíram esses sequestros à sexta frente das Farc, facção que tem forte atividade nessa região. O presidente admitiu que cogitou suspender o processo de libertações de reféns das Farc após saber que a guerrilha tinha sequestrado os dois contratistas da Cartón de Colombia, uma filial da multinacional irlandesa Smurfit Kappa. "Estive tentado a suspender as libertações dos reféns", afirmou Santos, que ajudou no processo para liberar os cinco reféns. O primeiro deles - o vereador Marcos Baquero, que ficou 19 meses em cativeiro - foi entregue nas selvas do sul do país ontem, mesmo dia do sequestro de Cuenca e Valdez. Os comentários do presidente foram feitos enquanto uma missão humanitária que inclui a ex-senadora Piedad Córdoba e as Forças Armadas brasileiras estão na cidade de Florença (700 km ao sul de Bogotá) preparando a segunda fase da prometida libertação pelas Farc.
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