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?Dissidente? do mínimo pode ser punido

Folhapress
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Brasília - O governo vai exigir fidelidade na votação do salário mínimo, marcada para a próxima quarta na Câmara, ameaçando punir deputados que votarem em valores superiores aos R$ 545,00 e considerando-os "dissidentes". A inflação oficial de 5,9% em 2010, a maior em seis anos, foi decisiva na decisão da presidente Dilma Rousseff de não aceitar negociar um valor maior, ainda que R$ 550,00, como chegou a ser cogitado pelo governo. Depois de reunião com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, Dilma fez chegar aos aliados no Congresso recado de que não aceita perder o controle da inflação no seu primeiro ano de mandato."Quem votar contra os R$ 545,00 será considerado dissidente, pois essa fórmula já garante um ganho real para os trabalhadores", disse ontem o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP). "O governo não abrirá mão desse valor. Com um anúncio de cortes da ordem de R$ 50 bilhões seria irresponsabilidade dar um aumento maior". O principal temor é que seus aliados ajudem a aprovar um mínimo de R$ 560,00. O valor foi articulado pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que inicialmente brigava por R$ 580. O PSDB, na hora da votação, vai defender R$ 600,00, por ser bandeira do candidato derrotado à Presidência José Serra, mas centrará fogo mesmo nos R$ 560,00. DEM, PV e PDT também já declararam oficialmente apoio a esse valor. E eles acreditam que contarão com votos do PT e PMDB, entre outros aliados."Não é um absurdo o que estamos pedindo. Essa proposta tem muita simpatia. Acho até que se o PT não fechar questão nós ganhamos a maioria dos votos na bancada", afirmou o presidente da Força Sindical. O argumento é que os R$ 15,00 de diferença para o que quer o governo pode ser pago como adiantamento de 2012, quando o mínimo deve ficar em R$ 613,00. O governo federal decidiu escolher o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), como relator do projeto que reajusta o valor do salário mínimo para tentar quebrar a pressão feita pelas centrais sindicais por um aumento maior do que o defendido pelo Palácio do Planalto. Vicentinho foi presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e construiu sua carreira política através da atuação sindical, onde tem ótimo trânsito. A estratégia faz parte da pressão do governo para evitar que o reajuste do mínimo ultrapasse os R$ 545,00 defendidos pela presidente Dilma Rousseff. As centrais sindicais têm pressionado até parlamentares da base aliada para que aprovem um reajuste mais alto, chegando a pelo menos R$ 560,00. Com Vicentinho na relatoria e na negociação com as centrais, o governo avalia que elas terão constrangimento para pressionar fortemente por um valor maior.

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