Rio - Uma megaoperação deflagrada ontem no Rio pela Polícia Federal, Ministério Público e cúpula da Secretaria de Segurança expôs um esquema criminoso de vazamento de informações, desvio de armas, drogas e dinheiro, formação de milícias e venda de proteção ilegal envolvendo policiais civis e militares. Alguns deles ocuparam altos cargos na hierarquia do combate à criminalidade. A Operação Guilhotina prendeu 35 pessoas, entre as quais 27 policiais - 19 militares e oito civis. O vazamento de informações sobre operações policiais permitiu, em agosto de 2010, a fuga do traficante Nem, chefe do tráfico da Rocinha, no episódio que culminou com a invasão do Hotel Intercontinental, em São Conrado, por bandidos. Ainda estava escuro quando as primeiras equipes da Operação Guilhotina deixaram ontem o prédio da PF, no centro do Rio, para cumprir 45 mandados de prisão -incluindo os de 11 policiais civis e 21 policiais militares- e 48 de busca e apreensão. No início da noite, 35 pessoas estavam presas. Entre elas, o ex-subchefe da Polícia Civil Carlos Antônio Luiz Oliveira, que era subsecretário municipal de Ordem Pública até ontem, quando foi exonerado. Oliveira é acusado de envolvimento com uma milícia que comanda a favela Roquete Pinto, na zona norte. Seu grupo teria desviado armas apreendidas no Complexo do Alemão, após a ocupação por forças de segurança em novembro. A PF não informou se ele tem advogado. O chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, foi ouvido na PF, como testemunha. Outras pessoas interrogadas o acusaram de receber propina. Um efetivo de 580 homens foi mobilizado na operação. Lanchas, mergulhadores e escavadeiras foram usados na busca de corpos que teriam sido jogados na baía de Guanabara e no piscinão de Ramos. Nenhum foi achado. As 45 pessoas com mandados de prisão decretados são acusadas de formação de organizações criminosas com quatro linhas de atuação. Parte recebia pagamentos para manter traficantes informados de operações policiais - Nem pagaria ao grupo R$ 100 mil por mês. Outros desviavam armas e drogas apreendidas, que voltavam às mãos dos criminosos. Na tabela dos policiais, uma metralhadora custava R$ 55 mil; um fuzil, R$ 20 mil; e uma pistola, R$ 7 mil. Há ainda os que formaram milícias e os que vendiam proteção para estabelecimentos de jogo ilegal.
Serra pelada
Escutas telefônicas revelaram que, após a ocupação, os policiais apelidaram o Complexo do Alemão de Serra Pelada - tal a quantidade de armas, drogas, joias e dinheiro que poderiam obter. Segundo o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a operação no Alemão ajudou nas investigações. "O volume de apreensões foi muito grande e houve desvios." As escutas mostram ainda que um grupo de milicianos de Ramos, nos arredores do Alemão, prometia pagar 30% do que encontrassem a policiais que dessem informações sobre a localização de bens de traficantes da região. O grupo seria chefiado pelo PM da reserva Ricardo Fernandes. Seu filho, o inspetor Christiano Fernandes, da 22.ª DP, na Penha - delegacia que recebeu a maioria das apreensões -, ligou ontem para a delegada-titular, Márcia Becker, pedindo que dissesse que ele estava de férias. Seu telefone estava grampeado. A delegada depôs na PF e foi liberada. Ele está foragido. Não foi informado se ele e o pai têm advogado.____________________ Delegados criticam
Rio - A Associação dos Delegados de Polícia do Rio (Adepol) criticou a condução da Operação Guilhotina, que desarticulou quadrilhas. Em nota, o presidente da entidade, Wladimir Reale, disse que houve abuso de poder, com adoção de método "espetaculoso" nas diligências da operação. Para Reale, houve mobilização excessiva de agentes, invasão de delegacias, revistas infrutíferas e prisões ilegais de policiais com trabalho e endereço certo.
Serra pelada
Escutas telefônicas revelaram que, após a ocupação, os policiais apelidaram o Complexo do Alemão de Serra Pelada - tal a quantidade de armas, drogas, joias e dinheiro que poderiam obter. Segundo o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a operação no Alemão ajudou nas investigações. "O volume de apreensões foi muito grande e houve desvios." As escutas mostram ainda que um grupo de milicianos de Ramos, nos arredores do Alemão, prometia pagar 30% do que encontrassem a policiais que dessem informações sobre a localização de bens de traficantes da região. O grupo seria chefiado pelo PM da reserva Ricardo Fernandes. Seu filho, o inspetor Christiano Fernandes, da 22.ª DP, na Penha - delegacia que recebeu a maioria das apreensões -, ligou ontem para a delegada-titular, Márcia Becker, pedindo que dissesse que ele estava de férias. Seu telefone estava grampeado. A delegada depôs na PF e foi liberada. Ele está foragido. Não foi informado se ele e o pai têm advogado.
Rio - A Associação dos Delegados de Polícia do Rio (Adepol) criticou a condução da Operação Guilhotina, que desarticulou quadrilhas. Em nota, o presidente da entidade, Wladimir Reale, disse que houve abuso de poder, com adoção de método "espetaculoso" nas diligências da operação. Para Reale, houve mobilização excessiva de agentes, invasão de delegacias, revistas infrutíferas e prisões ilegais de policiais com trabalho e endereço certo.