Cairo - Centenas de milhares de manifestantes egípcios agitando bandeiras, gritando, rindo e se abraçando celebraram o anúncio da renúncia do ditador. "O povo derrubou o regime", gritava a multidão na praça Tahrir, no centro da cidade. Na sede da emissora de TV estatal, a multidão que estava ali reunida passou a gritar "Allahu Akbar" (Deus é grande) e "Para Tahrir, para Tahrir", em referência à praça que foi o epicentro das manifestações antigoverno nos 18 dias em que a população pediu a renúncia de Mubarak. Já no palácio presidencial, para onde centenas de pessoas haviam se dirigido ontem, logo após as orações, o que se ouvia era "Sou egípcio... orgulho de ser egípcio". "Obrigada, Deus, obrigada, Deus. A injustiça se foi e tudo irá ficar melhor", afirmou Reda Alrouby, 37. "Se não ficarem, pediremos por mais mudanças." "Não acredito que vou ver outro presidente em minha vida!", comemorou Sherif el Husseiny, 33. "Nasci durante o tempo de Sadat (antecessor de Mubarak), mas tinha apenas quatro anos quando ele morreu (e Mubarak assumiu)." Fogos de artifício e buzinaços são ouvidos na cidade de 18 milhões de habitantes que entrou em festa após o anúncio da renúncia, feito em rede nacional de TV pelo vice-presidente Omar Suleiman no início da noite. Segundo Suleiman, a decisão foi adotada "pelas difíceis circunstâncias que o país atravessa".
"Ajudei a derrubá-lo"
"Nós derrubamos o regime, nós derrubamos o regime", foi o grito de centenas de milhares de pessoas na lotada praça Tahrir, no Cairo, principal ponto de concentração dos manifestantes."Sou um dos que ajudou a derrubá-lo. Estou aqui há 17 dias. O futuro do Egito está agora nas mãos do povo", disse o cantor Hani Sobhy, de 31 anos, comemorando na praça."Não dá para acreditar. Esse é o fim de todas as injustiças", disse Mohammed Abu Bakr, estudante de 17 anos. Do lado de fora do prédio da TV estatal do Egito, manifestantes cumprimentaram soldados que estavam no local para proteger o edifício. Alguns pularam sobre os tanques."Não acredito que verei outro presidente na minha vida", disse Sherif el-Husseiny, um advogado de 33 anos. "Nada mais pode parar o povo egípcio. É uma nova era para o Egito", disse. O treinador esportivo aposentado Hassan Abdel Halim acrescentou: "Isso deveria ter acontecido há uma semana. O único problema é que agora será um regime militar. Eu gostaria de uma transição tranquila após eleições. Agora teremos um regime militar, mas isso é o que o povo quer."____________________ Para Brasil foi "uma vitória das ruas"
Brasília - O governo do Brasil espera que, após a renúncia do ditador do Egito, Hosni Mubarak, a transição no país se dê de forma tranquila e com respeito aos direitos da população, segundo nota do Ministério de Relações Exteriores divulgada ontem."Ao tomar conhecimento dos recentes acontecimentos no Egito, o Brasil manifesta sua expectativa de que a transição política naquele país transcorra dentro do respeito às liberdades políticas e civis e aos direitos humanos da população, em ambiente de paz e tranquilidade", diz o texto. Ontem, em entrevista, o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que a queda de Mubarak foi "uma vitória das ruas" e que o governo brasileiro viu com muita simpatia o movimento."Hoje houve uma vitória importante das reivindicações populares com a saída do presidente Mubarak. Temos de ver o que vai acontecer daqui para frente", completou.____________________ Israel espera manter relações de paz
Jerusalém -Israel espera que a renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak, não traga mudanças na relações de paz do país com o Cairo, afirmou uma importante autoridade israelense ontem. "É muito cedo para prever como (a renúncia) vai afetar as coisas", afirmou a fonte. "Esperamos que a mudança para a democracia no Egito aconteça sem violência e que o acordo de paz seja mantido." Não havia nenhum comentário imediato dos líderes israelenses. Em 1979, o Egito se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel e tem apoiado os esforços liderados pelos Estados Unidos para encerrar o conflito entre israelenses e palestinos. Na semana passada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou para uma revolução islâmica no Egito, inspirada no modelo iraniano, se o grupo opositor Irmandade Muçulmana eventualmente assumisse o poder.
"Ajudei a derrubá-lo"
"Nós derrubamos o regime, nós derrubamos o regime", foi o grito de centenas de milhares de pessoas na lotada praça Tahrir, no Cairo, principal ponto de concentração dos manifestantes."Sou um dos que ajudou a derrubá-lo. Estou aqui há 17 dias. O futuro do Egito está agora nas mãos do povo", disse o cantor Hani Sobhy, de 31 anos, comemorando na praça."Não dá para acreditar. Esse é o fim de todas as injustiças", disse Mohammed Abu Bakr, estudante de 17 anos. Do lado de fora do prédio da TV estatal do Egito, manifestantes cumprimentaram soldados que estavam no local para proteger o edifício. Alguns pularam sobre os tanques."Não acredito que verei outro presidente na minha vida", disse Sherif el-Husseiny, um advogado de 33 anos. "Nada mais pode parar o povo egípcio. É uma nova era para o Egito", disse. O treinador esportivo aposentado Hassan Abdel Halim acrescentou: "Isso deveria ter acontecido há uma semana. O único problema é que agora será um regime militar. Eu gostaria de uma transição tranquila após eleições. Agora teremos um regime militar, mas isso é o que o povo quer."
Brasília - O governo do Brasil espera que, após a renúncia do ditador do Egito, Hosni Mubarak, a transição no país se dê de forma tranquila e com respeito aos direitos da população, segundo nota do Ministério de Relações Exteriores divulgada ontem."Ao tomar conhecimento dos recentes acontecimentos no Egito, o Brasil manifesta sua expectativa de que a transição política naquele país transcorra dentro do respeito às liberdades políticas e civis e aos direitos humanos da população, em ambiente de paz e tranquilidade", diz o texto. Ontem, em entrevista, o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que a queda de Mubarak foi "uma vitória das ruas" e que o governo brasileiro viu com muita simpatia o movimento."Hoje houve uma vitória importante das reivindicações populares com a saída do presidente Mubarak. Temos de ver o que vai acontecer daqui para frente", completou.
Jerusalém -Israel espera que a renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak, não traga mudanças na relações de paz do país com o Cairo, afirmou uma importante autoridade israelense ontem. "É muito cedo para prever como (a renúncia) vai afetar as coisas", afirmou a fonte. "Esperamos que a mudança para a democracia no Egito aconteça sem violência e que o acordo de paz seja mantido." Não havia nenhum comentário imediato dos líderes israelenses. Em 1979, o Egito se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel e tem apoiado os esforços liderados pelos Estados Unidos para encerrar o conflito entre israelenses e palestinos. Na semana passada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou para uma revolução islâmica no Egito, inspirada no modelo iraniano, se o grupo opositor Irmandade Muçulmana eventualmente assumisse o poder.