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Geração digital exige mudança de cultura

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Em 2010, o Brasil comemorou 15 anos de Internet comercial. Isso significa que o País já conta com uma geração 100% digital, nascida nesse ambiente. Diante dessa realidade, Paulo Milreu, especialista em mídias digitais e presidente da Associação Centro-Oeste Paulista das Agências Digitais (ACOPADi), diz que será preciso uma mudança da cultura das empresas, uma evolução do seu modelo de atuação. "Sem isso, ficará inviável e teremos empresas estagnadas", prevê.

Segundo ele, a defasagem não se restringe ao ambiente de trabalho, ele começa na sala de aula. "Temos crianças vivendo em um espaço multimídia em sua casa, com acesso a centenas de canais pela TV a cabo, videogame interativo, Internet banda larga, e que chega em uma sala de aula ainda com lousa e giz, com professores despreparados e um ambiente analógico", expõe.

De acordo com Milreu, quando essas crianças se tornam adultos, encontram uma empresa também despreparada para recebê-los, entendê-los e oferecer a eles condições para que se desenvolvam e mostrem seu potencial. "Além disso, tentam enquadrá-los com uniformes, crachás e horários inflexíveis. Resultado? Empresas que não entendem seus colaboradores e colaboradores que não querem a empresa", pontua.

Para ele, as redes sociais são parte desse processo de mudanças. O especialista acredita que todo o esforço e investimento da empresa em bloquear o acesso ao e-mail pessoal, redes sociais ou outras tecnologias de comunicação serão combatidos pelos próprios colaboradores, que investirão seu tempo para burlar tudo isso, todos os dias. "Não compensa", afirma.

A solução, na opinião dele, é compreender essa nova geração e enxergar todo o seu potencial. "Ela quer desafios, quer entender porque fazem suas atividades, quer reconhecimento e liberdade. Mas seus integrantes estão conscientes e aceitam serem cobradas por resultados", diz.

O analista de tecnologia da informação Vinicius Ferrari, 21 anos, faz parte dessa geração digital. Expor suas opiniões, impressões e vivências no Orkut, Facebook, Twitter, Linkedin e outras redes sociais é uma necessidade tão básica quanto se alimentar.

E para saciar a fome de cibernauta, ele tem sempre às mãos o computador de mesa, notebook, iPad e iPhone. Seja em casa, no trabalho ou na rua, Vinicius está sempre conectado. E isso já faz parte de sua vida. "Se eu estou na rua e vejo algo interessante, escrevo um comentário. Se vejo uma imagem curiosa, faço foto com o celular e coloco na rede", relata ele.

Essa interação com a realidade tornou-se tão corriqueira para o analista de TI que ele não consegue se imaginar muito tempo sem fazer uso dela. Vinicius conta que quando viaja o acesso à Internet fica mais difícil. Nem sempre é possível se conectar à rede no local onde ele está, o que gera sensação ambígua.

"Por um lado é bom porque descansa um pouco a cabeça. Mas, por outro, é ruim porque várias coisas acontecem e eu não fico sabendo. Isso cria uma dependência. E cada dia aumenta mais", diz.

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Proibição não é ilegal


Não há nada de ilegal na proibição, por parte do empregador, do uso da Internet e de suas inúmeras ferramentas, como, por exemplo, as redes sociais. A afirmação é do advogado trabalhista Márcio Vaz de Lima. De acordo com ele, juridicamente a empresa tem todo direito de restringir o acesso às redes sociais e à Internet como um todo se o uso delas não for necessário para o desempenho da função para a qual foi contratado.

Segundo o advogado, até mesmo o monitoramento dos e-mails corporativos (aqueles fornecidos pela empresa aos funcionários) não configura invasão de privacidade. Ele comenta que há decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) com esse entendimento. Já o monitoramento dos e-mails particulares é proibido. Aí sim é invasão de privacidade. "É preciso conciliar esses dois direitos: o do trabalhador à privacidade e o do empregador à fiscalização da execução do trabalho", pondera Márcio.

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Empregadores consultam perfil na Internet


Além da análise de currículo e das avaliações psicológica, física, vocacional, etc, as empresas contam com mais uma ferramenta para conhecer melhor as pessoas que estão querendo uma vaga de emprego: as redes sociais.

Por meio delas, os empregadores ficam sabendo o que elas pensam, fazem e com quais comunidades se relacionam. Segundo a psicóloga e gestora de pessoas Gislaine Milena Casula Magrini, da Ocupacional RH, é comum, durante a seleção de candidatos, as empresas buscarem mais informações na Internet.

Embora ela não tenha conhecimento de nenhuma empresa que recusou um candidato pelo seu perfil nas redes sociais, Gislaine afirma que as informações obtidas podem servir como fator de desempate. Segundo ela, a empresa pode optar pelo candidato que apresenta um perfil em seus relacionamentos e posicionamentos virtuais mais próximo do que ela deseja.

Por esse motivo, ela deixa uma dica importante. "Tomem cuidado na hora de se expor nas redes sociais." Declarações de ódio, opiniões preconceituosas ou, simplesmente, fazer parte de comunidades que pregam qualquer tipo de violência ou desrespeito podem ser mal vistas por terceiros.

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