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Para cidade, batalhão de consumidores

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

A chegada de novos estudantes universitários - cujo contingente ainda não é mensurado pela administração municipal tampouco por todas as instituições de ensino, já que, de acordo com uma delas ainda é precoce para um balanço - também aquece o faturamento comercial. É um batalhão de consumidores.

Nas imobiliárias, estimam alguns corretores, a procura por imóveis para alugar pode aumentar até 60% nos períodos que antecedem ao início das aulas nas universidades. "Certamente é a época mais aquecida", comenta Danielle Cortezini, que trabalha como corretora numa imobiliária da cidade.

"Aumenta bem o movimento nesta época e também no meio do ano. Só que varia muito, não há de um item crescimento específico", pondera o comerciante Fabrício Antônio Pereira Greatti, dono de uma loja de móveis usados.

É justamente a convivência e o sentido de irmandade entre os universitários, moradores ou não de repúblicas estudantis - "está meio a meio entre quem aluga para morar sozinho ou montar repúblicas", afirma a corretora de imóveis ? que influenciam no ramo do comerciante Fabrício. "Eles acabam vendendo ou trocando entre si uma mesa, uma geladeira ou fogões que não usam mais", observa.

E, para quem, a princípio, dá o tom de que "virou a casaca", ou seja, não toleraria mais conviver entre aqueles de quem fez parte até há pouco tempo, o agora jornalista Aelton Aquino também exemplifica o quanto a convivência com os universitários é importante para a cidade, ainda mais quando eles vão embora em dezembro, época em que, diz, as ruas parecem ficar mais vazias.

Contudo, voltar para casa também é preciso e eles sabem e sentem isso, mesmo quando ainda acabaram de desembarcar numa nova vida, sentimento que é sintetizado pela universitária Estela Virgínia Ferreira Bertoni, de Lins. "No primeiro dia de aula eu perdi o ônibus. Chorei um monte. Minha mãe não estava aqui", relembra.

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Os efeitos do calor


Quem quer voar alto, literalmente, e faz de Bauru a primeira escala rumo à profissão desejada é Rafael das Neves Marcondes Pereira. Aos 17 anos, ele cursa o primeiro ano da faculdade de ciências aeronáuticas no Centro Universitário Bauru, mantido pela Instituição Toledo de Ensino (ITE).

Curso disponível em poucas instituições de ensino no País, a formação universitária de aviadores encontrou na cidade o elo perfeito entre o meio acadêmico e tradição, em razão do aeroclube. Contudo, as mesmas térmicas (bolhas de ar quente) que levantam os tradicionais planadores que cortam os céus da cidade também impressionam quem vem de fora mesmo sem sair do chão.

"A cidade é muito quente. Olha que faz calor onde minha família mora", compara o estudante natural de Caraguatatuba, no litoral norte do Estado.

Quem também estranhou o calor foi Rubens Alberto Duarte Júnior, 22 anos. Recém-chegado de Avaré, ele vai estudar redes de computadores na unidade de Bauru da Faculdade de Tecnologia (Fatec).

No entanto, foi outro tipo de calor que mais chamou atenção do jovem, que também não quer morar sozinho. "Gosto muito da cidade, é bastante acolhedora e muito movimentada", elogia.

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Batalhão


Ao todo, de acordo com a Prefeitura de Bauru, são cerca de 20 mil universitários na cidade. Quase todas as faculdades iniciaram as aulas, mas poucas instituições que recentemente abriram ano letivo mensuraram o contingente de novos alunos.

Contudo, apenas com a contagem de uma delas, no caso a Universidade Sagrado Coração (USC), há recorde de calouros: 35% a mais do que no ano passado, conforme publicado pelo JC no dia 2 deste mês. No total, de acordo com a universidade, são mais de 6 mil estudantes, oriundos de 114 cidades.

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