Era o ano de 1956, acordei em uma manhã ensolarada, havia tido um sonho, eu era uma professora de uma pequena comunidade rural e em meu dedo anular um anel com pedras verde e branca. Mas ao me deparar com a realidade, percebi que tudo se passava de um sonho.
Éramos uma família humilde da zona rural, toda as vezes que, cansada da dura luta, me via com uma enxada na mão, e nada daquele suntuoso anel que me marcava profundamente. O sonho persistiu por varias décadas, sempre o mesmo. Muitas das vezes eu acordava com a mão fortemente fechada, porque no meu inconsciente eu acreditava que se fechasse o anel não desapareceria, mas que nada, para que sonhar se eu tinha apenas o 3º ano que terminara em 1951. Os anos foram passando, trabalhei como bóia fria, doméstica, empacotadeira de açúcar e nada de estudo. Na década de 60, casei-me com um ferroviário, tive três lindos filhos, estudei com cada um deles nos deveres de casa.Vieram duas lindas netas, com elas estudei também e aprendi muito. Um dia, o sonho voltou, entrei na EJA, conclui o ensino fundamental e o ensino médio, me sentia “gente de verdade”, incentivada pelas educadoras Silvia e Nádia, prestei o vestibular na faculdade Faag, passei com louvor, fiz um semestre de pedagogia com notas ótimas, mais uma vez, por força maior, tive que adiar meu sonho, tranquei a matrícula. Comecei a sonhar acordada, tinha em mim uma resignação, quando morrer dizem que o espírito continua, vou ser professora! Década de 2000, filhos formados, com várias faculdades, pós-graduações, me fizeram um convite: "Mãe, vamos fazer uma faculdade à distância, eu pago para a senhora, faço teologia e a senhora pedagogia". Deus, que descoberta, não posso descrevê-la, filhos, noras, netas, sempre apoiaram e deram o maior incentivo, e o meu filho Ricardo sempre presente, íamos juntos fazer as provas. No primeiro ano da faculdade, tive que fazer estágio e ao lado da minha casa havia uma creche, a “Creche e Berçário Ernesto Quaggio”, que me recebeu de portas abertas.A presidente, coordenadora, auxiliares e professores me acolheram, para que eu pudesse fazer o es-tágio da faculdade. Quando terminei o estágio, fui contratada como recreacionista. Hoje estou com os meus pequenos anjos de uma só asa, que quando cansados pego pelas mãos e juntos a eles consigo realizar meus mais lindos voos, porque Deus nos fez anjos de apenas uma asa, para que quando voamos precisamos estar de mãos dadas a outros anjos. Hoje, ano de 2011, sou uma pedagoga, formada, graças a Deus, e a força de vontade, consegui. Ah, o anel, ganhei, é lindo, com pedras brancas, mas não tem a pedra verde ao centro, mas é uma linda sáfira azul do oriente, está no meu dedo anular esquerdo, presente de meu marido por 43 anos de convivência e cumplicidade.
Silvia Angelina Menegheti Fahl