Regional

Doces da região preservam as receitinhas que eram dos avós

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min
Na região central do Estado, há fábricas ou casas que usam as receitas dos nossos avós para confecção de iguarias simples que caíram no gosto popular. Em Piratininga (13 quilômetros de Bauru), duas fábricas garantem os doces à base de leite e amendoim. Uma delas nasceu em Cerqueira César com a iguaria feita por uma avó que cuidava de 33 netos na época de férias escolares. O doce de leite passou a ser feito nos tachos e da maneira como ela tinha aprendido, no Sul de Minas onde nasceu. A guloseima conquistou uma fiel clientela que não abre mão do doce de leite embrulhado em papel celofane. A empresa pretende exportar para os Estados Unidos a convite de um proprietário de uma rede supermercadista. Na outra, a receita original de pé de moleque da família foi incrementada e deu origem ao carro chefe da empresa, o pé de moça. A iguaria, que leva amendoim e contém um toque de leite condensado, tem um segredo guardado a sete chaves. O doce conquistou o paladar dos moradores de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso. A iguaria responde pela metade da produção diária da fábrica que pelos cálculos do proprietário chega a produzir dois mil quilos de doces por dia. Há oito anos no mercado a empresa ampliou sua ?carta? de produtos e faz a alegria daqueles que apreciam o doce de batata doce, abóbora, paçoca e outros. A venda é garantida pelos distribuidores de guloseimas. A confecção é um misto de artesanal e industrial, explica o empresário Almir Aparecido Gonçalves. Segundo ele, a empresa foi instalada em Piratininga porque a Prefeitura e a Câmara oferecem algumas facilidades. "Geramos 20 vagas, a maioria são moradores da cidade." A goiabada cascão de Dois Córregos é outro exemplo de que as receitas da família podem gerar negócios. Famosa em toda a região, o doce do sítio Santa Teresa atravessa territórios. Não raras vezes é visitado por estrangeiros da Itália e Austrália. A receita original era dos pais das atuais doceiras. Os visitantes querem conhecer a maneira artesanal que as irmãs Geralda e Maria de Lourdes de Paulo têm de transformar a goiaba, uma fruta nativa, em uma iguaria. Elas também fabricam o queijo branco para acompanhar a goiabada no prato Romeu e Julieta. Na propriedade rural tem aproximadamente 40 pés de goiaba que oferecem frutos maduros, próprios para o doce no período compreendido entre o final do ano e março. Após esse período, as irmãs fazem a iguaria com frutas do Paraná, cultivadas em viveiros. Para colher as frutas, as doceiras colocam um pano no chão e balançam a árvore. Os frutos maduros caem. Mas quando alguns insistem em ficar no pé, são apanhamos com as mãos. Após a colheita, as frutas são lavadas e cortadas ao meio para retirada da semente. Só então é que elas vão para a panela. Ganham açúcar e passam horas no tacho de cobre sendo mexidas com colher de pau. Depois de chegar no ponto certo, o doce é despejado em formas de madeira forrada com papel manteiga, ainda está mole. Algumas horas depois, a goiabada cascão pode ser cortada e embalada para a venda.

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