Uma receita de doce de leite que veio do Sul de Minas pelas mãos dos avós de Sílvio Luiz de Moura Leite é usada até hoje para a fabricação da iguaria que sai de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) e pode ser encontrada em todo o País. O doce de leite deu origem a uma empresa que gera 30 empregos e consome três mil litros de leite/dia. A relação da família Moura Leite com o doce remete à década de 60. A avó com 33 netos que passavam as férias em sua chácara, começou a fazer a guloseima para os netos venderem na cidade de Cerqueira César, região de Avaré. Eles participavam de todo o processo. Depois do doce pronto, eles embrulhavam e saiam vendendo de porta em porta. Parte do lucro, eles usavam para se divertir, lembra Sílvio Moura Leite. "Todos os netos queriam dinheiro. Minha avó não tinha e resolveu usar a criatividade. Ela fazia o doce e enrolava como charuto." O negócio prosperou e um tio de Sílvio resolveu fabricar a guloseima em alta escala. "Outros três primos que moravam na Capital passaram a vender o doce. Tomou tamanha proporção que eles montaram uma sociedade. Compraram um laticínio e transformaram o local em uma fábrica que gerava 600 empregos em 69." Moura Leite ressalta que o sucesso foi total. "O Estado de São Paulo foi dividido em partes. Todos usavam uma perua Kombi e vendiam em postos de combustíveis. Na rodovia Castelo Branco vendia tanto que meu primo fazia uma viagem até a metade e retornava para Cerqueira César para carregar e visitar os demais clientes da via." Uma multinacional, que precisava do leite consumido pela fábrica de doces, fez uma proposta irresistível aos sócios que aceitaram a venda. A família interrompeu a fabricação. Em 1999, Sílvio veio para Bauru para montar uma empresa que vendia água de porta em porta em 120 municípios do Estado de São Paulo. Como no inverno o produto era pouco vendido e os entregadores sofriam, ele ressuscitou o doce de leite da avó. "Era um gigante adormecido. Terceirizei para uma pessoa de Cerqueira César e em pouco tempo, tivemos que ampliar a produção. Todo mundo queria comprar." O terceirizado não deu conta da demanda. A distância entre Bauru a Cerqueira começou a pesar e a mudança para essa região foi inevitável. "Viemos para Piratininga, a convite do prefeito e de alguns vereadores." Hoje, a venda continua de porta em porta mas tem vendedores que atendem as empresas e o site que garante visitas diárias. "Há sete anos quando instalamos a empresa em Piratininga, a produção do doce de leite consumia 500 litros de leite/dia. Hoje, são três mil litros." O doce de leite da família Moura Leite ainda não conseguiu pisar fora do Brasil, mas tudo indica que em breve isso vai acontecer. "Um empresário americano quer levar a iguaria para os Estados Unidos. Mas a legislação brasileira cria barreiras." Para fazer o doce artesanalmente e garantir a qualidade do produto, a receita original teve que ser adaptada. "Substituímos o leite in natura por pó por uma questão de necessidade", explica o empresário. "A demanda de doce cresce no inverno quando a produção de leite cai. Então eu hidrato o leite em pó para manter a qualidade do produto. Hoje, a fábrica tem inspeção do SIF e controle de qualidade de todos os itens utilizados na receita."
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