Cairo - A junta militar que governa o Egito após a queda do ditador Hosni Mubarak, anteontem, afirmou que vai cumprir com todas as obrigações internacionais do país. A declaração reduz as preocupações sobre o futuro do acordo de paz com Israel e o temor de que a estabilidade da região estaria em risco com a mudança de regime. No quarto comunicado em três dias, o Conselho Supremo das Forças Armadas também pediu à estrutura nomeada por Mubarak no início dos protestos que continue funcionando até que um novo governo seja formado. O comunicado reitera o compromisso da cúpula militar com a transferência de poder a um governo eleito. Mas não dá pistas sobre duas questões-chave: qual será a duração da transição - inicialmente, as eleições estão mantidas para setembro - e quando o estado de emergência será suspenso. Ontem, no primeiro dia sem Hosni Mubarak em quase 30 anos, a capital egípcia continuava em festa, ainda sob o som do buzinaço que durou quase a noite inteira e com milhares de pessoas nas ruas com bandeiras. O clima era de feriado nacional, mas também de recomeço. Na praça Tahrir, que foi o foco dos 18 dias de manifestações contra Mubarak, centenas de pessoas com vassouras limpavam o local em mutirão, enquanto tendas eram desmontadas. Após derrubar o ditador, a faxina coletiva tinha forte valor simbólico, numa espécie de resgate do sentimento cívico perdido sob Mubarak. Por um momento, o profundo fosso que separa pobres e ricos no Egito pareceu não existir. "Limpamos o governo e agora é hora de limpar a nossa praça", disse Dina Fathi, os cabelos loiros presos num coque, vestida num jeans Diesel e um chamativo suéter vermelho. A faxina se estendeu para fora da praça Tahrir e teve toques de requinte, como o polimento dos históricos e imponentes leões de bronze, que guardam a ponte Kasr El Nil, que cruza o rio Nilo. Enquanto os protestos eram desmobilizados, muitos não escondiam a apreensão em relação ao futuro, sobretudo no tocante ao papel das Forças Armadas. As opiniões são divergentes. "Espero que os militares passem logo o poder a um civil", disse o técnico de telecomunicações Mahmoud Azuz, 35 anos, atraindo rapidamente um grupo de discussão em volta. "Não esqueça que temos os israelenses como nossos inimigos", respondeu o aposentado Gamal Hamed. "O melhor para assustá-los é que o próximo presidente saia do Exército."
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade