Articulistas

Um projeto para nosso desenvolvimento regional

José Cabral
| Tempo de leitura: 3 min
A questão do desenvolvimento regional mediante uma â??logística integradaâ? pelos municípios que compõem uma área metropolitana, como a de Bauru, foi aqui didaticamente exposta pelo ex-diretor do Ciesp local Ricardo Coube (JC de 28/01/2011). Como membro fundador do Coder â?" Conselho de Desenvolvimento Regional, ele conhece esse tema que tratou de colocar em prática durante sua gestão como líder empresarial. Tivemos a honra de participar, com o Instituto Soma, da operacionalização deste Conselho, o qual possui hoje uma experiência de sucesso: o projeto de turismo regional Caminhos do Centro-Oeste Paulista, em parceria com o Sebrae, e os Municípios de Agudos, Arealva, Avaí, Bauru, Duartina, Iacanga, Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras e Piratininga. Concordamos que o momento político, marcado pelo início de novas gestões nos governos estadual e federal, é o de reivindicar os projetos de interesse regional. Entre eles permitimo-nos enfatizar o tratamento de Resíduos Sólidos, também citado pelo articulista. A ideia está sendo minuciosamente estudada pe-la Unesp no seu arcabouço técnico. Trata-se, em suma, para facilitar o entendimento dos nossos possíveis leitores, de uma usina de produção de energia elétrica com a utilização dos resíduos (lixo) não recicláveis. Essa usina poderia ser capaz de gerar energia suficiente para manter seu próprio funcionamento e, ainda, disponibilizar o excedente no sistema energético nacional. Contudo, o maior beneficio é o ambiental, uma vez que se propõe a redução drástica dos aterros e lixões que, além de outros males, podem contaminar nossas reservas de água potável subterrânea. Por isso que ações isoladas de nada adiantam, exigindo esforços regionais. A destinação do lixo urbano e industrial é um problema cada vez mais grave para os 39 Municípios que compõem a nossa área metropolitana. Em recente reunião em Bauru o prefeito Waldemar Sândoli Casadei, de Lins, dizia da sua dificuldade e altos custos que oneram o seu município, para transportar o lixo da sua cidade até um aterro sanitário particular na cidade de Monte Aprazível. A distância obriga os caminhões de coleta a transitarem milhares de quilômetros extras, mensalmente. O aterro sanitário de Bauru está em vias de esgotamento. Recentemente também a Emdurb teve que pagar para aliviar o dique de contenção do chorume, à mesma empresa particular de Monte Aprazível. A Emdurb coleta aproximadamente 300 toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos e fica cada vez mais difícil dar destinação ao produto coletado. Vale destacar o apoio recebido do prefeito Rodrigo Agostinho para a iniciativa, o que é de fundamental importância, não só pelo conhecimento que detém sobre a matéria, mas também pela força de Bauru em qualquer ação de âmbito regional. Desta forma, com a adesão de mais alguns Municípios, teríamos a quantidade suficiente de resíduos sólidos para tornar economicamente viável a usina, capaz de se auto-sustentar após o capital-inicial. Bauru tem tudo para sediar esse tipo de consórcio. Há estudo de áreas possíveis de abrigar o projeto. O próprio aterro sanitário, uma vez concluída a sua missão por esgotamento, também poderá oferecer ampla superfície à instalação da usina. Há empresas que já demonstraram interesse. O fator â??privatizaçãoâ? tem sempre os seus críticos. A parceria público privada (PPP) talvez seja um dos caminhos. Investimentos da União e do Estado somando-se aos esforços dos Municípios, é outra alternativa. Quando todos pagam, todos pagam pouco. O empresário propõe, ainda, outros importantes e inovadores temas como a do tratamento do esgoto dos Municípios à margem do Tietê; da Zona de Processamento para Exportação; e do desenvolvimento de um Parque Tecnológico. Nem um deles exclui o outro. Podem e devem ser atacados como objetivos permanentes da região até que se transformem em realidade. Não há como discutir a validade de todos. No Instituto Soma queremos apenas e modestamente colaborar na criação de políticas públicas regionais. Como dizia um personagem de Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas), â??A gente não sabe, mas desconfia de muitas coisasâ?.
O autor, José Cabral, é engenheiro eletricista aposentado da Cesp e presidente do Instituto Soma

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