Economia & Negócios

Apartamentos de dois quartos sem elevador lideram o mercado

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Os apartamentos de dois dormitórios em edifícios sem elevador foram os mais construídos e mais vendidos em Bauru nos últimos anos. Uma pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) mostrou que, entre janeiro de 2004 e janeiro de 2011, essas foram as características de 42,4% do total de 4.799 apartamentos lançados na cidade nesse período.

Em números absolutos, isso representa 2.033 unidades, sendo que 1.257 já foram vendidas, cerca de 62%. Entre os flats ou apartamentos de um quarto, foram construídas 714 unidades, com 693 comercializadas. Entre os apartamentos de três dormitórios, são 940 novos imóveis, além de outros 140 novas unidades com quatro quartos.

Para o diretor geral da regional Bauru do Secovi-SP, Riad Elia Said, a tendência de liderança no mercado dos apartamentos de dois dormitórios sem elevador se dá por conta do aumento da renda e de poder aquisitivo das famílias de classes C e D, além das facilidades na concessão de crédito para a compra de imóveis.

"O programa Minha Casa, Minha Vida impulsionou muito a comercialização desse tipo de imóveis. A tendência é de que a venda de apartamentos de alto padrão se estabilize daqui para frente, mas que as unidades mais populares continuem em crescimento", afirma Said.

Outra característica apontada pelo diretor regional do Secovi é de que os edifícios de apartamentos com dois dormitórios sem elevador, normalmente, têm sido construídos com alto número de unidades, com o objetivo de baratear o valor do condomínio, pago mensalmente pelos moradores. "Os serviços de portaria 24 horas, zelador e de limpeza são o que encarecem o condomínio. Com o rateio desse valor por mais apartamentos, ele tende a diminuir", explica.

O analista de sistemas Filipe Alves Vieira, 28 anos, e sua esposa compraram, em 2008, um apartamento de dois dormitórios em um prédio sem elevador, na Vila Cardia. "Conseguimos através de financiamento com a Caixa Econômica Federal (CEF). Vamos pagá-lo em 20 anos", conta.

A questão financeira foi o fator que mais pesou na hora de Filipe comprar seu imóvel. Ele afirma que contou positivamente o valor mais baixo do apartamento de 55 m², comprado na planta, e o que iria pagar todo mês de condomínio. "Hoje meu imóvel vale R$ 130 mil, mas comprei por R$ 84 mil ainda na planta. Depois de construído, o valor sobe demais. Se dependesse de mim, compraria uma cobertura de três quartos em um edifício de alto padrão, mas foi o que deu e estou muito contente com o meu investimento", afirma.

Pelo condomínio, Filipe desembolsa R$ 136,00 mensais, valor que considera muito baixo para a realidade de Bauru. Segundo ele, o fato de o condomínio contar com 168 apartamentos para o rateio dos custos e de não possuir elevador colabora para que o valor esteja abaixo do mercado. "Quando eu morava de aluguel, pagava mais caro em condomínio, morando em um imóvel que sequer era meu. É um investimento que vale muito a pena", aponta.

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Valores e perspectivas


O amplo estudo realizado pelo Secovi-SP mostra também o valor médio de comercialização dos imóveis em Bauru. Para os apartamentos de construções populares, entre janeiro de 2004 e janeiro de 2011 o metro quadrado saiu, em média, por R$ 2 mil. Já nos outros segmentos, a faixa de preço para a venda ficou entre R$ 3,2 mil e R$ 4,9 mil, variando de acordo com o padrão da construção e a localização do imóvel.

"Estamos vivendo um período satisfatório, com mercado muito aquecido para o setor imobiliário. Para 2011, as unidades populares vão continuar em alta, mas temos a necessidade de maior agilidade na liberação do crédito e de novas estratégias de aproximação das construtoras com o público", aponta Riad Elia Said.

De acordo com o Secovi-SP, o Brasil vai precisar de 900 milhões de metros quadrados de terrenos urbanos para construir algo em torno de 24 milhões de moradias, nos próximos 12 anos. "É necessário que repensemos os modelos de cidades no Brasil proporcionando trabalho, moradia e lazer próximos das pessoas. Além disso, é fundamental estabelecermos boas regras de ocupação urbana que, sejam sustentáveis, para nos adaptarmos a essa nova realidade social e econômica", afirma Riad.

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Entre as unidades de um dormitório lançadas, 97% foram comercializadas


Mesmo estando longe de superar em número de lançamentos os apartamentos de dois quartos sem elevador, as unidades de um dormitório e os flats de até 45 metros quadrados foram, proporcionalmente, os mais vendidos em Bauru nos últimos sete anos. Dos 714 construídos, 693 já foram vendidos, equivalente a 97% do total.

Segundo Riad Elia Said, diretor regional do Secovi-SP em Bauru, o sucesso desse ramo do mercado é explicado pelo aumento de investidores que compram esse tipo de imóvel com o objetivo de locá-los especialmente para estudantes, visando o grande número de universitários que vêm para estudar e morar em Bauru.

As condições econômicas favoráveis e outras questões comportamentais são apontadas por Carlos Eduardo Candia, delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), como fatores responsáveis para que estudantes universitários procurassem cada vez menos as repúblicas e optassem por morar sozinhos ao longo dos últimos anos. "A maioria quer apartamentos de um ou dois dormitórios para morar sozinho ou, no máximo, dividir com um amigo", afirma Candia.

Além disso, o delegado do Creci relata que muitos pais preferem que os filhos não dividam imóvel com muitas pessoas para que possam se dedicar mais aos estudos, já que grande parte não precisa trabalhar para se sustentar na cidade. Outro fator destacado por Candia para a preferência pelos apartamentos está ligado a questões de segurança.

Caso de Murilo Benzatti Moro, 22 anos, que concluiu no ano passado seu curso de graduação em jornalismo Unesp. Durante os anos que viveu em Bauru, optou por morar sozinho em um apartamento de um quarto, na Vila Universitária. "Quando eu cheguei, tive que ficar em uma pensão, morando com muitas pessoas. Quando saí de lá, preferi não dividir casa com ninguém para ter mais privacidade, embora isso tenha aumentado bastante os meus custos com moradia", conta o recém-formado.


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