Brasília - A dois dias da votação do projeto de salário mínimo de 2011 pelo Congresso, a presidente Dilma Rousseff reuniu a coordenação de governo ontem e reafirmou que não há mais negociação em torno do valor de R$ 545,00. Do outro lado, a CUT admitiu pela primeira vez reduzir a demanda de R$ 580,00 para R$ 560,00, valor que equivale a emendas de deputados. O governo definiu ainda que apenas depois da aprovação do mínimo será discutida a correção da tabela de Imposto de Renda da pessoa física, segundo o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. "Acreditamos que os aliados não faltarão ao País", disse a jornalistas o ministro após a reunião, ressaltando que não haverá sanções contra parlamentares que votarem contra a proposta. Já o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também presente ao encontro com a presidente, deixou claro que agirá com firmeza no primeiro teste político de Dilma no Congresso. "Não há nenhuma discussão no governo que altere o valor de R$ 545,00. Ele é fruto de um acordo e o governo será firme no convencimento da base para aplicação desse acordo", afirmou. Segundo ele, há algumas bancadas como do PSB e do PDT que ainda conversam para se unir à posição do governo. "O PMDB, o PR, o PT e o PP já estão bastante definidos. No caso do PT, não tem nenhuma discussão interna de outro valor que não seja esse. O ministro Luiz Sérgio e eu faremos uma reunião com a base hoje ao meio-dia e teremos uma avaliação mais precisa:, avaliou Vaccarezza."O que podemos adiantar é que nessa semana o apoio aos R$ 545,00 está muito mais consolidado, o que nos dá uma certa tranquilidade nessa discussão", acrescentou. A votação está marcada para amanhã. Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participará na Câmara de uma comissão geral que debaterá o tema com todos os parlamentares e que terá a presença das centrais sindicais. A oposição apresentará no plenário propostas para elevar o valor a R$ 560,00 e R$ 600,00. Artur Henrique Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que as emendas de R$ 560,00 levam em conta proposta de sindicalistas negada pelo governo Dilma. Até agora, as centrais defendiam publicamente R$ 580,00. "Os R$ 560,00 embutem 3% a título de aumento real, antecipando parcela dos 13% previstos para 2012", disse Artur. "Defendo o acordo com o governo e uma excepcionalidade para 2011", acrescentou, citando o acerto que prevê inflação do ano anterior e PIB de dois anos antes. O líder do governo, no entanto, ameaçou os parlamentares da base. "Quem votar nos R$ 560,00 está votando contra o governo", disse Vaccarezza. Quanto à tabela do IR, Luiz Sérgio afirmou que o governo tem "vontade" de conceder o reajuste.
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