O horário de verão termina neste sábado, quando à meia-noite os relógios deverão ser atrasados em uma hora. Durante 126 dias de vigência, o intuito foi reduzir o consumo de energia elétrica e modificar o horário de pico na transmissão energética.
Sem esta alteração temporária no relógio, segundo a CPFL Paulista, o País não teria capacidade para manter o fornecimento durante o verão, quando o consumo alcança patamares mais altos. "A cada ano, o consumo de energia aumenta, acompanhando o crescimento populacional. Ao mesmo tempo, nos últimos anos, o fato de as pessoas adquirirem todo tipo de novidade em aparelhos tecnológicos também proporcionou o uso mais intenso de energia", avalia Luiz Antônio de Campos, gerente do poder público da CPFL.
Ainda que considere que o aumento da renda da classe média não tenha representado um incremento considerável na eletricidade utilizada, Campos salienta que o horário de verão, contrariamente ao que analisam segmentos da indústria e comércio, tem seu efeito testado sobre a redução do consumo. "Ainda que as atividades comerciais e industriais habitualmente diminuam nesta época, os registros históricos da CPFL apontam que o verão é a época recorde de consumo. Mas com o horário de verão, a economia proporcionada, ao menos nos últimos cinco anos, se manteve entre 0,7% e 1% em relação a anos anteriores, o que é um bom índice", pondera.
De acordo com a companhia distribuidora, durante o horário de verão ocorre melhor aproveitamento da luz solar, já que a defasagem de uma hora torna os dias mais longos. E a economia de luz elétrica proporcionada pela mudança é fator fundamental para que haja energia suficiente para dar conta do aumento da demanda para o funcionamento de outros equipamentos.
"No verão, ventiladores e ar condicionado são utilizados com frequência, o que aumenta em muito o consumo. Se o horário de verão não fosse implantado, certamente seria necessária a construção de mais usinas geradoras para dar conta de toda a demanda", aponta Campos.
Neste ano, a companhia estima contabilizar redução de 0,7% no consumo de energia elétrica total em relação ao ano passado, e ainda uma diminuição de 2% nos horários de pico de transmissão. O montante equivale à economia de 76.300 MW/h nas 234 cidades do Interior paulista atendidas pela CPFL. Segundo a empresa, com a quantidade de energia elétrica poupada, Bauru poderia ser abastecida durante 34 dias ininterruptamente.
No ano passado, a diminuição média também foi de 0,7% em comparação a 2009 com 71.329 MWh de eletricidade poupada. Em 2009, a redução foi de 0,8%; em 2008, de 1%; e, em 2007, de 0,9%
Esta é a 37ª edição do horário de verão no Brasil, adotado pela primeira vez em 1931. De forma consecutiva, a estratégia é aplicada há 26 anos.
História
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, não existe um consenso sobre a criação do horário de verão. Alguns estudos afirmam que ele foi criado por Benjamin Franklin, em 1784, nos Estados Unidos.
Ele percebeu que durante alguns meses o sol nascia antes das pessoas se levantarem. Então, se os relógios fossem adiantados em uma hora, a luz do dia poderia ser melhor aproveitada.
Em 1907, um construtor chamado William Willett, membro da Sociedade Astronômica Real, resolveu fazer uma campanha na Inglaterra para implantar o horário de verão, mas também não teve sucesso.
Somente em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, a medida foi adotada pela primeira vez, na Alemanha, com o objetivo de economizar energia por causa do estado de guerra.