Política

Câmara defende troca de área para instalação da Polícia Civil

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A doação de uma área de quase 13 mil metros quadrados, avaliada em R$ 4,5 milhões, no Jardim Estoril 5, à Polícia Civil ainda não saiu da Comissão de Justiça, Legislação e Redação da Câmara Municipal. A proposta inicial apresentada era que seria construído no terreno um complexo para abrigar as unidades especializadas da Polícia Civil. Porém, após solicitar mais informações sobre o projeto, o Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4) comunicou mudança de planos, com a proposta de levar a sede do departamento, hoje no Jardim Bela Vista, para o novo terreno.

O presidente da comissão, Marcelo Borges (PSDB), avalia que o equipamento poderia ser construído em outro ponto da cidade. O tucano explica que a proposta que é analisada pela comissão não informa se já existe verba provisionada para a construção do imóvel, nem se já há projeto elaborado para isso. "Por isso, solicitamos mais informações", pontua. Ele também questiona a localização do terreno. "É uma área muito valorizada para ser dada desse jeito. Esse é o tipo de equipamento que deveria ser feito em outro bairro, para revitalizar", avalia.

Além disso, Borges pondera que com o dinheiro equivalente poderia ser doada uma área bem maior em outra região da cidade. "Pode construir um complexo ainda maior", observa. "Mas ainda não temos informação sobre se há recurso para isso, se há projeto, não temos nada", afirma.

O tucano pondera que se a área for doada sem o município ter cronograma concreto por parte do Estado, a área pode ficar anos vazia até que efetivamente o projeto saia do papel, como já aconteceu com várias propostas.

Pela iniciativa enviada pela prefeitura à Câmara, em setembro passado, o lote de 12.942 metros quadrados, avaliado em R$ 4.529.700,00, receberia as instalações do Núcleo de Ensino Policial Civil do Interior, além das Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) e Delegacia da Defesa da Mulher (DDM), que atualmente funcionam em prédios alugados.

Porém, o relator da proposta, o vereador José Roberto Segalla (DEM), explica que houve mudança nos planos iniciais da Polícia Civil. "Fomos verificar com o Licurgo Nunes Costa, diretor do Deinter, até para sabermos se esse centro de treinamento previsto teria algum estande de tiro ou algo desse gênero. E na resposta foi informado que no local seria construída a nova sede do Deinter-4", explica o vereador. Segalla informa que a Polícia Civil respondeu que ainda não há projeto para a área, pois ainda não há a doação do terreno. "Tudo está amarrado", pontua.

Ele ainda conta que enviou novas perguntas para a prefeitura. Entre elas se não existem outras áreas que poderiam ser doadas à Polícia Civil. "Como algum espaço próximo ao terreno que deverá receber o Fórum, na região do Hospital Estadual, ou na avenida Edmundo Coube, que já vai receber o Instituto de Criminalística. Para nós, é uma localização mais adequada, já que o prédio seria de uso administrativo", observa Segalla. "Nós não somos contra a doação da área, mas agora queremos discutir uma nova localização", pontua.

Em reportagem do Jornal da Cidade publicada quando o projeto de lei foi enviado ao Legislativo, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) justificou a localização da área, explicando que o terreno é institucional e por isso não pode ser vendido. O lote só pode ser usado para construções como creches, postos de saúde ou escolas. Rodrigo ponderou que projetos como esses não são atrativos para a área.

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